domingo, 26 de agosto de 2012

Pausa para reflexão

Estou há quatro anos postando aqui no blog Soco no Figo. Inicialmente as postagens se davam em dias alternados, até que progressivamente caminharam para um ritmo menos regular e mais lento. Por fim, tentei manter ao menos duas postagens mensais. Na blogosfera, se você não atualizar o conteúdo com certa frequência, seu blog acaba caindo no esquecimento. O objetivo inicial era ter uma vitrine para alguns textos, de modo a divulgar meus livros. Depois abriu-se a possibilidade de dialogar com leitores e conhecer pessoas com interesses semelhantes. Agora é hora de parar para refletir se o blog fica do jeito que está  para leituras retrospectivas, se continuarei atualizando ou se sofrerá modificações. Atualmente, além de outras obrigações profissionais, estou pesquisando para escrever um romance. No único mês que passou sem postagens (coincidentemente o de Agosto) um leitor ficou preocupado, com receio de que eu estivesse em outro plano cósmico. Então fica dito que estou vivo, apenas em uma pausa.  Divirtam-se com as postagens antigas, enquanto isso. Abraços.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O leão diário


É preciso ter muita coragem para representar o Brasil no esporte. Tirando o futebol, que paga aos atletas de elite verdadeiras fortunas, a realidade costuma ser muito diferente: vidas sacrificadas, dificuldades em obter patrocínio, pouco intercâmbio, difícil acesso a treinamento de ponta. Quando o camarada leva um tombo, perde um jogo ou não se classifica, ainda tem que suportar desaforos dos jornalistas e da torcida, manchetes com termos ofensivos (fiasco, fracasso, vexame), como se algum de nós tivesse de algum modo patrocinado aquelas pessoas. Já disse aqui antes: perder é a regra, ganhar é a exceção. Essa mentalidade egocêntrica, que nega ao outro o direito de vencer de vez em quando, só se justifica em crianças pequenas, ainda incapazes de se colocar no lugar do outro. Queria ver só se os judocas ficassem assistindo aos vendedores e dizendo: “Josimar deu vexame nas vendas desse mês e não atingiu as metas!” Ou os ginastas acompanhando os advogados e declarando: “fiasco da Dra. Ronivalda na ação de alimentos”. Você pode argumentar que os outros profissionais não estão representando o Brasil. Pois eu digo que é pior: eles são o Brasil.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Cadernos de viagem – o Porto dos ancestrais


Faz tempo que não menciono minha viagem a Portugal e Espanha, mas arrumar as malas traz este registros à memória. Continuando a postagem de 30 de abril de 2011, cidade do Porto. Tomei um pequeno almoço (café-da-manhã) saboroso, porém sem extravagâncias no Hotel Malaposta. Parti em busca da estação rodoviária para garantir meu bilhete para Mogadouro, de modo a não perder a cerimônia de premiação. Para variar um pouco, perdi-me na cidade, mas por fim encontrei o terminal da Rodonorte. Bilhete comprado, fui para o tour no autocarro (ônibus) turístico. O joelho começou a incomodar e eu suspeitei que estava macumbado, mas foi temporário. A manhã era chuvosa e o mar estava de ressaca, mas achei bela a cidade, com suas igrejas e azulejos. Passei pela torre do Clérigos, pela Igreja das Carmelitas e outras edificações de valor histórico e arquitetônico, ouvindo uma bela música que achei equivocadamente que fosse Madredeus, depois quis reencontrar e não pude. Desci perto da Igreja de São Francisco, que achei muito bonita, e fiquei pensando no nosso ouro, que passou de Portugal à Inglaterra. Desci às catacumbas em busca de algum ancestral perdido, mas aparentemente não eram tão abastados. Dali fui ao Grémio dos Leitões, onde comi feito um rei (um rei gordo, evidentemente): uma entrada de pequenas porções de polvo, tripas e orelhas de porco, acompanhadas de pão. Como prato principal, uma porção de leitão acompanhada de meia garrafa de vinho Sarmentinho tinto. Encontrei brasileiros pela cidade e me recomendaram que experimentasse uma “francesinha”, sanduíche típico da cidade. Fiz novamente o tour no autocarro, parei perto da estação ferroviária e tentei mandar um e-mail para os familiares, mas Portugal está cheia de imigrantes que mal falam o idioma e prestam serviços de péssima qualidade. Tá certo, os caras precisam sobreviver, mas é uma complicação para quem precisa ser cliente. A tal da lan house era simplesmente inoperante, uma vez que a banda não cobria o número de usuários. Paguei o tempo mínimo e fui embora dali, caminhando em direção à Igreja de Santa Clara, que estava fechada antes do horário previsto. Sim, os hábitos brasileiros não se formaram do nada. Não cheguei a parar nas vinícolas em Vila Nova de Gaia, tampouco a beber um vinho do Porto (aquele enriquecido, afinal todos de lá seriam teoricamente do Porto, embora fabricados na cidade vizinha). Como a igreja estava fechada, aproveitei que estava perto e fiz uma visita à Universidade Lusófona do Porto, identificando-me como Professor de Psicologia. Fui muito bem tratado e saí de lá com alguns prospectos da Universidade. No fim da tarde, o joelho voltou a reclamar e as longas caminhadas provocaram assaduras. Comprei uma pomada que, segundo a bula, era especial para “o rabinho do bebê”. Aparentemente, também era adequada às partes internas das coxas dos adultos e curou-me rapidamente. Descobri uns sebos nas cercanias do hotel e aproveitei para adquirir um livro de Trindade Coelho e outro sobre o Algarve. Fui abençoado com um estômago de aço e o leitão não me causou nenhum revertério. Porém, à noite eu comprei umas frutas e suco abstendo-me de orgias gastronômicas – pelo menos até o dia seguinte.

sábado, 16 de junho de 2012

Os prós e contras da Eurocopa


Aqui estão dois grupos de mulheres se manifestando acerca da Eurocopa. O grupo de cima é contra porque aumenta o índice de exploração sexual das mulheres. O grupo de baixo é a favor porque aumenta a renda da exploração econômica dos homens. Pela marcante diferença de conduta entre os dois grupos, acho que fica um recado bem claro: quando tem futebol na jogada, é preciso apelar para que os homens lhe deem atenção.

sábado, 2 de junho de 2012

Rotos e esfarrapados

No Brasil, não vale muito a sua conduta, mas sim o seu carisma e a sua cara-de-pau. Vejam o exemplo dos Ronaldos: o fenômeno fez de conta que ia pro Flamengo, deu uma guinada de mercenário e foi para o Corinthians, virando corintiano desde criancinha. O gaúcho fez a mesma coisa em relação a Grêmio e Flamengo. O fenômeno não conseguiu entrar em forma ou jogar bem em função de hábitos incompatíveis com vida de atleta. Idem para o gaúcho. O fenômeno ganhou um estadual jogando parado em campo, depois foi eliminado de uma Libertadores. Idem para o gaúcho. Só que o fenômeno é amigo do Ricardo Teixeira, agencia jogadores, chora na TV depois que faz alguma besteira (como a dos travecos), alega problemas endocrinológicos para não conseguir entrar em forma, enquanto o gaúcho fica quieto, levando sua vida de baladeiro e processando o Flamengo por ser um clube que finge que paga, conforme já disse o Vampeta. Aí você olha o Demóstenes, o Jefferson, o Calheiros, o Collor, todos se alternando no papel de mocinhos e bandidos, todos com o rabo preso e o telhado de vidro, todas as CPI até hoje já vistas terminando em pizza ou em renúncia aos 44 do segundo tempo e fica claro que o Brasil é um grande circo onde os palhaços somos nós, que ficamos passivos na plateia.

sábado, 12 de maio de 2012

Do amor à camisa

Domingo será dia de clássico em Florianópolis. Ou seja, dia de ficar em casa, porque os torcedores estarão meio enlouquecidos, dada a paixão pelos clubes da ilha e do continente. Estive examinando os elencos e descobri que dos jogadores listados nos sites oficiais dos clubes, nenhum é natural de Florianópolis. O que chega mais perto é o jogador Jackson, de São José/SC, que faz parte da Grande Florianópolis, mas é município independente. Este, talvez, tenha algum sentimento pelo clube que não o profissional-oportunismo. Por outro lado, foi essa profissionalização do tipo legião estrangeira que permitiu que o futebol se equilibrasse Brasil afora. Lembro-me que antes os torcedores florianopolitanos torciam sempre para um time do Rio ou de São Paulo além de seu time local porque os daqui não tinham chance de fazer uma campanha digna no Brasileiro. Os patrocínios nas camisetas empurraram o amor à camisa do campo para as arquibancadas. E dá-lhe neguinho comprando os abadás modelos novos. 

sábado, 28 de abril de 2012

Maior o tombo



Basta deixar de ler os jornais por um mês e, ao voltar, tem-se certeza de estar maluco. O Barcelona era o time do milênio e Messi era melhor do que Pelé há menos de duas semanas. De repente, com a perda do Espanhol e a eliminação da Copa dos Campeões, Barcelona é um time acabado e Messi é um fracasso. Depois eu digo que ser comentarista esportivo não é um trabalho sério e é capaz de me processarem. Foram dois ou três jogos sem a equipe vencer e o castelo de cartas que eles (os jornalistas) construíram desmoronou. Estava na cara que cedo ou tarde os times grandes encontrariam um meio de vencer o Barcelona, mesmo que em oportunidades isoladas. O jeito de jogar passa a ser estudado e testam-se formas de marcação. Mas não adianta, esporte é fábrica de deuses e heróis e é preciso matar um leão por dia, como diz o clichê. Aí a garotada começa a perceber quem foi Pelé. Eu, que acompanho futebol desde 1979, tenho a convicção de que, não fosse pela contusão em 98 e pelo Felipão em 2002, Romário seria considerado pela imprensa o segundo melhor da história, à frente de Maradona. Porque não basta jogar bonito e vencer em clubes, como Zico, Falcão e Platini, tem que ter copas do mundo pra mostrar. Vencer tudo, vencer sempre e dando show. Menos do que isso não serve à volúvel crônica esportiva. Eu já disse: no esporte a regra é perder, o campeão é exceção. Na reta final vale mais a sorte do que a competência, porque é tudo muito parelho. Mas não adianta, é preciso encontrar um bode expiatório e fazer a dança das cadeiras. Não duvido do Flamengo se endividar e contratar o Guardiola, em vez de corrigir aquele miolo de zaga fraquinho. Pelo menos uma coisa ficou boa: futebol com monopólio de vitórias perde toda a graça.

 
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