quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A noite perdida


Consta que Sherazade, em uma noite, narrou a seguinte história à irmã Dinarzade e ao sultão:

O velho Ibrahim Al-Jaffar vagava entre as tendas sob a lua crescente do deserto. Inclinando-se sobre um poço que lá não deveria estar, viu nele refletida a história de sua vida. Por fim, avistou o espectro do avô Ismail, que lhe perguntou:

- A verdade ou a felicidade?

Aqui Sherazade interrompeu sua narrativa, prometendo à irmã histórias ainda mais espantosas na noite seguinte, caso o sultão poupasse sua vida.

Não se sabe ao certo o desfecho, já que esta noite se perdeu irremediavelmente entre as demais Noites Árabes. No entanto, segundo um cego contador de histórias, no mesmo instante o velho Al-Jaffar caiu fulminado dentro d’água. Ibrahim, o poço, a verdade e a felicidade jamais foram encontrados.

3 comentários:

milu leite disse...

felicidade até que a gente encontra, sim. o problema é a verdade... pensando bem, as verdades estão em muitos lugares ao mesmo tempo. pra achar, dá. difícil mesmo é ficar com uma.
bjo

Bel disse...

Pelo que vejo, Al-Jaffar não tinha a mesma filosofia do Cazuza: "Mentiras sinceras me interesssam.."

E eu também não tenho, mas prefiro continuar vivinha ó!

Paulo César Nascimento disse...

Oi, Milu! Encontrar verdades minúsculas e felicidades de bolso nem é tão difícil. Até porque devem ser as únicas que de fato existem, não é? Bjs

Oi, Bel! Então mantenha distância das mil e uma noites... ;-)
Bjs

 
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