quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pequenas batalhas domésticas I: no banheiro


Se você não for o Mogli ou o Tarzan, certamente já dividiu o seu lar com outros seres humanos e sabe do que estou falando: a vida doméstica é cenário de diversas batalhas. Consideradas isoladamente, são de uma atroz banalidade, mas a repetição diária as torna fonte de agressões e ressentimentos. Algumas delas são travadas no banheiro, outras na cozinha, no quarto, no escritório ou ainda na sala de TV. Neste primeiro momento, tratarei das que são travadas no banheiro.

1) O lado certo do papel higiênico - responda rápido: o papel deve ser colocado no suporte de modo a sair por cima ou por baixo do rolo? Quem respondeu por cima, pensando que ele não deve trancar na parede, acertou; quem respondeu por baixo, defendendo que fica melhor para rasgar, acertou também. Se tivesse lado certo, provavelmente o rolo viria com manual de instruções, então é apenas uma questão de preferência. Bobagem? Não. Os defensores de cada uma das teorias se irritarão profundamente ao encontrarem o rolo em posição diversa de sua favorita, trocarão o posicionamento do rolo – não sem esbravejarem um pouco - e deixarão tudo perfeito para que os defensores da outra teoria façam exatamente o mesmo.

2) O jeito certo de apertar a pasta de dentes no tubo – essa só faz sentido para quem é do tempo em que a Sorriso era Kolynos (é, eu sou antigo). De tão importante, fez com que as empresas de dentifrícios trocassem o material do tubo para um plástico flexível. Nos tempos que já lá vão, os tubos eram de uma espécie de liga metálica. Se você apertasse partindo do fundo em direção ao buraco, o tubo não se rasgaria no meio. Isto, porém, exigia maior habilidade do usuário, ao ponto de ter sido criado um aparelhinho de plástico para facilitar esta tarefa e evitar o desperdício. Por outro lado, se você apertasse em qualquer outro lugar o material começava a trabalhar e cedia, criando furos pelos quais a pasta vazava – sim, na mão do próximo usuário. Tente convencer alguém a apertar da extremidade para o furo. Eu não consegui.

3) O uso da toalha alheia – o que espera um alegre banhista, após ensaboar-se, esfregar-se e enxaguar-se? Uma toalha sequinha, que absorva a água que ficou no seu corpo. Se alguém se apropriou da sua toalha, o que você encontrará no lugar? Há duas possibilidades: uma toalha molhada, que não absorverá mais água, ou então toalha nenhuma. De um modo ou de outro, você terá que chamar alguém que lhe traga uma toalha seca, ou então molhar o chão do banheiro em busca de uma – isso se não tiver que desfilar nu pela casa, dependendo de onde as toalhas são guardadas.

4) A reposição do rolo de papel higiênico – não conheço seus hábitos, leitor, mas eu costumo chegar no banheiro já perto do desfecho da questão, se é que me entende. Dificilmente há tempo ou sangue frio para conferir se há papel suficiente antes de dar início aos trabalhos. Uma vez aliviado, o feliz evacuador vai passar à segunda parte da missão e o que encontra? Aquele tubo central de papelão. Após amaldiçoar o(a) infeliz que acha que os rolos brotam espontaneamente no lugar, a vítima terá que encontrar uma solução criativa para a situação. Não vou mencionar nenhuma porque ficaria escatológico demais, então deixarei ao encargo de sua imaginação.

5) A posição do assento do vaso sanitário – um clássico. No aconchego do seu lar, mulheres ocidentais usam o vaso 100% das vezes sentadas. A única alternativa que conhecem a esta clássica postura é a do lutador de sumô, utilizada em banheiros públicos. Apesar de ser boa para fortalecer as coxas, não é uma posição muito confortável, nem popular. Assim sendo, para as mulheres a posição correta do assento do vaso é abaixada. Os homens utilizam o vaso 90% das vezes para urinar e 10% para defecar (as estatísticas são aproximadas, não confira com o IBGE). Após o menino urinar no assento do vaso algumas vezes, sua mãe lhe ensinará a levantá-lo para este fim. Por questões práticas, deixará o assento no “modo xixi” a maior parte do tempo, baixando-o para o “modo cocô” quando necessário. Ao fazer o seu xixizinho noturno, a mulher não costuma conferir se o assento está no “modo xixi masculino”, uma vez que esta posição de assento não faz parte do seu universo particular. Resultado: cairá sentada dentro do vaso, molhará o bumbum ou o encostará na louça fria, transbordando de ódio e indignação. Inicia-se então um processo de adestramento masculino. Fica a questão: se para o homem o modo padrão do assento é levantado e para a mulher é abaixado, por que cabe exclusivamente ao homem a missão de colocá-lo no “modo cocô” após urinar? Homens, não tentem utilizar este argumento. Eu próprio já estou condicionado e, mesmo morando sozinho, levanto e abaixo o assento todas as vezes.

Haveria ainda outras questões, como por exemplo usar a sua lâmina de barbear para raspar as axilas, deixar a pia molhada após se barbear, usar todo o armário para guardar cremes e maquiagens, mas isso fica para quem quiser comentar a postagem.

4 comentários:

milu leite disse...

antes, um comentário sobre as fotos do blog: muito bem escolhidas, hahaha
agora, bem escolhilhida mesmo foi a imagem que vc usou pra descrever a posição das mulheres quando fazem xixi em banheiros públicos: lutador de sumô!!!
bj

Cécil disse...

Paulinho querido, tenho me divertido muito com isso aqui. Quem dera encontrasse um tempo para colocar meus "bixos pra fora" também, mas isso não vem ao caso. O que me traz aqui é o tópico 5, e tenho uma teoria: se o vaso tem uma tampa, é para ser fechado ou seja, todos nós (os 90% em pé ou as 100% sentadas) tem a difícil missão de abrir e fechar o dito objeto mencionado acima...

Bem, pretendo passar por aqui mais vezes, se as tarefas cotidianas permitirem...

Bjokas

Pinto Pia, Pia Pinga Schmidt disse...

1) Inicialmente, depende do suporte ao "Rolão Nobre" (PH da imaginação non-sense UNIVALI - hahaha). Três conchas fechariam essa questão!

2) Mesmo tendo trocado o material, a REGRA É CLARA, aperte o final do tubo para não ter que fazê-lo depois.

3) Essa é uma questão difícil! Resumidamente: Depende de quem usou sua toalha, estação do ano, e possibilidades de contornar a situação (levando-se em conta estar sozinho em casa; com companheira ou em um grupo de amigos zoadores)

4) Eu confiro!

5) As mulheres podem se indignar comigo, mas é para o bem delas. Deixo sempre a tampa levantada! Levando-se em conta que mulheres usam a tampa sempre abaixada e homens variam (na proporção de 90 levantada / 10 abaixada), e que, homens podem mijar na tampa e mulheres (tamb... err..) não. É uma obrigação de respeito e higiene dos homens para com as mulheres deixarem a tampa levantada sempre (pensando que outro homem pode mijar na tampa caso o anterior tenha deixado a mesma abaixada, ou seja, pensando na higiene para as mulheres). Uma tampa limpa, é fácil de ser abaixada, já uma suja é chato levantar.

Não vou me prolongar, mas no uso de um banheiro comum a homens e mulheres, já peguei assentos com pingos de menstruação, bem como absorventes indevidamente jogados nos lixeiros. Antes de reclamar da minha última gota, cuide da sua!

Paulo César Nascimento disse...

Pinto pia, pia pinga Schmidt, o mistério das três conchas só a Sansra Bullock conhece... então você terá que recorrer ao velho Rolão Nobre, que povoa as suas memórias. Famoso pela sua durabilidade, Rolão Nobre atravessa os anos.

Abraços, volte sempre!

 
design by suckmylolly.com