segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Curiosidade e exotismo


Adoro sorvete de chocolate, de todos os sabores que já provei é o meu favorito. Se tiver pedacinhos de chocolate, melhor ainda. Mesmo assim, jamais compreendi gente que entra em mega-sorveterias com milhares de sabores e pede de chocolate, morango ou creme. Ali está a oportunidade da sua vida para experimentar sorvete de kiwi, figo ao rum, cappuccino, cerveja, tamarindo ou outra coisa deste naipe, e você deixa passar?! Quando conheci Salvador, um dos bons momentos da viagem foi em uma sorveteria, a provar sabores de frutas do nordeste / norte. Não é uma questão de paladar, é uma atitude perante a vida. Claro que há vezes em que você sabe que é melhor não arriscar, se já tiver pistas anteriores neste sentido. Jamais provaria uma pizza de sardinha com leite condensado, por exemplo. Com substâncias psicoativas, também não brinco, pois os riscos não compensam. Se um dia eu for à China, provavelmente terei mais nojo da falta de higiene nas barraquinhas do que propriamente de experimentar escorpiões, larvas e ouriços do mar. Se forem ruins, no primeiro bocado eu já saberei, aí basta cuspir fora (longe da barraquinha, para não comprar briga) e nunca mais comer daquilo, mas vai que sejam bons? Isso é motivo de brincadeiras na minha família: uma de minhas irmãs, quando me visita, pergunta se há na minha geladeira comida de gente normal ou só patê de avestruz com trufas e suco de melancia com abóbora. Minha outra irmã, semana passada, guardou para mim um picolé de milho-verde que veio em uma caixa de sabores sortidos, dizendo: “Esse aí, só o Paulinho vai querer.”

Na música, também aprecio fazer incursões por universos paralelos. Não quer dizer que vá gostar só por ser diferente ou esquisito - aliás, em outros idiomas, como o espanhol, “esquisito” quer dizer algo de boa qualidade. Há vezes em que a bola bate na trave: certos experimentalismos não batem com o meu gosto. Adoro o trabalho do Pat Metheny, por exemplo, mas acho o disco “Zero Tolerance for Silence” impossível de se ouvir. Não gostei de um disco que comprei para conhecer o trabalho da Meredith Monk e só tive oportunidade de rever minha opinião este ano, ao conhecer a Last.fm. Tive nela a oportunidade de provar novos estilos, descobrir coisas de que gostei, outras que não caíram bem. Ouvi compositores de música erudita, como Schoenberg, Bartók e Stravinsky, bem como o punk-cigano do Gogol Bordello. Fui apresentado ao Indie-rock e descobri algumas bandas interessantes, como Death Cab for Cutie. Gosto de música étnica, mas preferencialmente a de raiz e não as versões “diluídas” para estrangeiros. Isso não significa que não goste de Paralamas do Sucesso ou de Bob Marley. O mundo é vasto, a vida é curta e tudo isso é informação. Adoro documentários, enciclopédias, livrarias, bibliotecas e a internet, que hoje em dia reúne isso tudo. A conclusão é de que sou um grande curioso, propenso a desvendar enigmas e segredos e, sobretudo, viciado em informação.

7 comentários:

Sally Somir disse...

Respondo por mim à sua pergunta sobre sorvete: o que me faz escolher o sorvete de chocolate sempre é o VÍCIO. Prefiro chocolate a qualquer outro sabor. Além disso, cada sorveteria tem um gosto de chocolate diferente, sempre fico curiosa para saber como é o chocolate de lá.

Quanto à música, se você tem intenção de inovar, recomendo Rogerio Skylab. É chocante, agressivo e politicamente incorreto, com o plus que as melodias são lindas.

Beijos
Sally
www.corporativismofeminino.com

milu leite disse...

paulinho, tambem gosto mais de sorvete de chocolate. com amendoas entao...
nao sou muito inclinada a sorvetes de frutas, estranhas ou nao, mas provo com prazer sabores melecosos como doce de leite, banana com nozes, etc.
sou mais aberta com a musica e ja comprei muita porcaria por causa disso.
vou ali xeretar na sua lista da last.fm agora.
desculpe a falta de acentos na mensagem. to usando um mac, teclado frances, e ainda nao encontrei a listinha de teclas que correspondem aos tais.
bjo

Paulo César Nascimento disse...

Sally: obrigado pela dica, vou procurar! Bjs

Milu: chocolate é algo fabuloso, sem dúvida, mas minha curiosidade vai além da busca do prazer garantido. Se não achar minha biblioteca da last.fm, o nome de usuário é o do msn. Bjs

Magda disse...

Paulinho,identificação total com teu texto.Sou super curiosa com as diferenças étnicas-culinárias-musicais-etc do mundo afora.Morei em alguns lugares diferentes e o primeiro que fazia pra sentir o clima era ir ao mercado-público local conhecer os sabores e aromas novos no meio do povo.Adoro!Quanto mais bagunçado e barulhento mais eu gosto.
Cultivamos este hábito com os filhos e quando um viaja o pedido dos que ficam sempre passa pela comida e música.A volta do que foi,acaba em uma festa étnica de lembranças e descobertas.Também tem o folclore do meu marido exagerado que consegue pedir caipirinha de umbú no nordeste...
Deve ficar ótimo com picolé de milho verde.beijo e sudades

Paulo César Nascimento disse...

Magda, total apoio ao seu marido!Além de fazer estas descobertas, acredito que você as incorpore ao seu refinado repertório musical e culinário. Se tiver algum de seus quitutes na segunda-feira, prometo não faltar! Bjs

Bel disse...

eu ADORO chocolate, mas falando de sorvete, chocolate é sempre minha última opção....não sou fã de sorvete de chocolate não!

silvia dutra disse...

Adorei esse texto. Identificação total. Também sou do tipo que gosto de provar coisas diferentes, nas sorveterias, restaurantes, bibliotecas, livrarias, etc etc.
Uma vez, em Fortaleza, experimentei um sorvete de manjericão que até hoje me dá água na boca só de lembrar. E sorvete de milho verde já era meu conhecido na infância, no interior de São Paulo. Lembro até do nome, Spumoni, passava um homem vendendo pela rua, empurrando um carrinho. Tenho pena de quem não tem essa abertura pro novo na vida. Devem levar uma existência tão cinza e sem graça.
Beijo, parabéns pelo texto.

 
design by suckmylolly.com