sábado, 1 de novembro de 2008

Por que não compro os clássicos


Antes de tudo, esclareço que não me refiro apenas aos textos da Antiguidade Clássica (de Homero à queda do Império Romano do Ocidente), mas às obras que sobreviveram às suas respectivas épocas, tornando-se pontos de referência. Em segundo lugar, não estou afirmando que os clássicos não devam ser lidos – defendo exatamente o oposto. Explico aqui o motivo de ler estas obras emprestadas das bibliotecas ou baixadas da internet: os autores já morreram há tempo e as obras se tornaram de domínio público, então o seu download não configura pirataria. Por esta mesma razão as editoras podem livremente publicar estes textos, indicando apenas a autoria, sem pagar direitos autorais a nenhum descendente do falecido autor - e olhe que se trata de apenas dez por cento do preço de capa. Quando optam por publicar os clássicos, as editoras deixam de apostar em autores novos, vivos e necessitados de dinheiro para prosseguirem escrevendo. Clássicos significam vendas garantidas, pois os autores e obras já foram testados no mercado, são marcas fortes, não cobram direitos autorais nem enchem a paciência da equipe editorial. Além disso, são compras certas para um segmento importante do mercado: as bibliotecas públicas. Como se não bastasse, Professores de Literatura tipicamente ensinam suas matérias baseados nos clássicos, uma vez que os caminhos já estão mais bem pavimentados: há muitos livros com análises prêt-à-porter. Acho que para desenvolver o gosto pela leitura, esta escolha é equivocada. Eu proporia o inverso: primeiro ler autores contemporâneos, com linguagem e universo mais reconhecíveis pelos leitores iniciantes. Quem pegar gosto pela leitura, certamente buscará mais. Se eu tivesse migrado dos quadrinhos para os livros começando pelo José de Alencar e não pelo Fernando Sabino, provavelmente não seria o ávido leitor de hoje, tampouco escritor. Como podem ver pelo “tampouco”, os cronistas não me afastaram dos demais ficcionistas, nem de leituras acadêmicas. Lanço a campanha: leia os clássicos de graça e economize para comprar livros de autores vivos, preferencialmente os ainda não consagrados. Fernando Pessoa, Miguel de Cervantes e Florbela Espanca não tiveram o gostinho do sucesso, nem do dinheiro. Mesmo fora da Literatura há exemplos como o de Marx, que também não o teve. Seu sucesso póstumo só beneficiou a editores e livreiros - além dos leitores, é claro. Não será agora que irão se importar em terem suas obras lidas de graça.

Lembrando: não é pirataria! Os textos são de domínio público e uma das páginas para download é do próprio Governo Federal! Divulgue o endereço: http://www.dominiopublico.gov.br

5 comentários:

Alline disse...

Nunca consegui ler um livro baixado, é uma experiência esquista - sentar na frente do monitor e ficar deslizando o dedo pelo teclado para seguir com a leitura. É por isso que eu leio, na cama, na rua, em qualquer lugar, autores contemporâneos. ;)
Beeeeijo

Laura Prudente da Costa disse...

Eu realmente prefiro os contemporâneos!

Paulo César Nascimento disse...

Alline: depois eu te passo um link com uns "e-book reading devices". O Cybook Gen3, da bookeen, parece ser o melhor. Só não comprei ainda porque não tem assistência técnica por aqui.

Laura: certamente, o Gilberto Braga.

Bjs

FlaM disse...

O mário quintana era mais radical, ao menos quando se tratava de "clássicos brasileiros", se é que se pode pensar assim dos autores românticos brasileiros. Num dos seus quintanares (não sei de cor, mas a idéia é mais ou menos essa) ele dizia para não lermos os românticos, pq nossas avós e mães já leram... fazem parte da nossa bagagem genética!
(Paulinho, isso é uma piada - antes que vc me mande falar com um japonês, ou um professor de literatura!)
KKKKKKKKKK
bj, f

Paulo César Nascimento disse...

Flávia: eu não mando em ninguém, só em mim e nem sempre obedeço... rs
O Quintana é genial. Bjs

 
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