terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Natal que a gente inventa


Existe polêmica acerca da existência de Jesus, uma vez que as fontes históricas que a confirmem são escassas, restringindo-se a poucos comentários de Tácito e de Flávio Josefo, historiadores romano e judeu, respectivamente. Porém, devido à não contestação por parte dos opositores do cristianismo em suas origens, a maioria dos historiadores aceita que tenha vivido na Palestina no século I. Acredita-se que tenha nascido aproximadamente no ano 5 antes de Cristo (sim, houve um ajuste de calendário posterior que promoveu esta bizarrice). Alguns dizem que se envolveu com a seita dos Zelotes, que eram contestadores políticos, outros que era da seita dos Essênios, que realizavam curas, mas o estilo de vida que aparece nos Evangelhos não parece dar muita sustentação a essas teorias. Entre o cristianismo ser perseguido e ser adotado como religião oficial do Império Romano, muita coisa aconteceu. Diferentes seitas cristãs proliferaram, sustentando concepções diferentes acerca das naturezas humana e divina de Jesus Cristo. Com o ganho de poder dos Padres da Igreja, o Concílio de Nicéia definiu uma doutrina oficial e relegou as concepções divergentes à categoria de heresias. Ficou aí estabelecido que Jesus é um homem-Deus, devendo ser adorado, cultuado, e não apenas seguido como uma espécie de profeta ou mestre espiritual. A celebração do Natal iniciou-se no século IV no Ocidente, dando-se no dia 25 de dezembro, enquanto no Oriente passou a ser realizada no dia 6 ou 7 de janeiro, iniciando-se a comemoração no século V, em virtude da não-aceitação do calendário Gregoriano. A escolha do dia 25 de dezembro se deu para cristianizar uma celebração pagã do solstício de inverno, a festa de nascimento do Deus Sol Invencível.

Papai Noel, ou Pai Natal, é uma personagem inspirada em São Nicolau de Mira, um arcebispo piedoso nascido na Turquia, o qual ajudava anonimamente os necessitados (século IV). Sua imagem foi adaptada, modificada com o passar dos anos, até se tornar o conhecido bom velhinho, morador da Lapônia em algumas versões, do Pólo Norte em outras , percorrendo os céus em um trenó voador puxado por renas, distribuindo presentes pelas chaminés (século XIX). A Coca-cola consolidou a imagem por nós tão conhecida, um senhor gordo e bonachão vestido de vermelho e branco, em uma campanha publicitária de 1931, associando-o às cores da marca. Juntando-se a generosidade de São Nicolau com os presentes que os três Reis Magos trouxeram ao Menino Jesus em seu nascimento, temos o costume de trocar presentes na data, coisa que o comércio e a indústria tiveram o maior prazer em incentivar.

Você deve estar pensando: então esta tradição pode ter sido inventada? Respondo: Sim, como todas as outras tradições. Independente de Jesus ter existido, ser mesmo Deus ou de ser possível o Papai Noel entregar presentes a quem não tem chaminé, não é disso que se trata. Se for preciso inventarmos ou reinventarmos isso tudo para que possamos nos reunir com as pessoas que de fato importam em nossas vidas, celebrar a esperança em algum tipo de renovação e a fé na generosidade de uns poucos humanos, viver as pequenas alegrias e até mesmo algumas bobagens, como a vovó puxando uma quinta oração quando todos já estão loucos para comer, o tio bêbado fazendo discurso, os primos se revendo e contando histórias madrugada adentro, os netos abrindo os presentes com os olhinhos brilhando, os cartões de amigos que só entram em contato no Natal, tudo isso já vale o ingresso. O Natal a gente inventa, como a vida. O mundo é cinzento, se você não buscar cores com as quais pintá-lo. Inventem um Feliz Natal para vocês, amigos e amigas, é este o meu desejo. Agora vou inventar o meu.

3 comentários:

FlaM disse...

Pelo menos é algo que nao se inventa sozinho!
Estamos aqui inventando o nosso! E se trata mesmo de inventar pq vai ser o primeiro de nossas vidas sem irmos para Porto Alegre! As meninas estão na cozinha inventando uma torta de limão (e eu sou aquela que inventou: se a vida te deu um limão, faça uma torta chiffon de limão!).
Que venham o Natal, o reveillon e os limões!
Boas festas Paulinho e tudo de bom!
bjs, f

Alline disse...

Tás me dando um motivo para ver a época com mais simpatia. Vou colocar mais cores, mais chocolate e temperar tudo com sorrisos.
Te adoro, sabias?
Feliz Dia de Hoje!!!! ;)

Dani Angeli disse...

Sempre desconfiei que o Natal era uma miscelânea de fatos não tão bem correspondidos, mas essa da coca-cola... caraca!
Tenhas um dia feliz e 2015 com todos os caminhos abertos para inventar e colorir sua existência! beijo

 
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