quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O poder da edição


Todo mundo que assiste às novelas perde um capítulo ou outro, mas jamais perde o capítulo final. Normalmente ninguém fica pensando no que acontecerá depois às personagens, à trama, que novas complicações poderiam surgir. No cinema, a menos que a continuação já tenha sido planejada, as seqüências de filme costumam ser menos fortes do que o próprio, uma vez que já havia sido planejado como uma coisa fechada, um todo. Na literatura, o autor que é tomado de surpresa pelo sucesso e é forçado a dar continuidade a uma fórmula consagrada costuma se perder, como aconteceu com o Carlos Castañeda, que após o terceiro livro sobre Don Juan Matus acabou metendo os pés pelas mãos – até porque muita gente achava que não se tratava de ficção, pagando inclusive seminários para aprender o nagualismo pós-moderno do bruxo. Na psicanálise lacaniana, o término das sessões em um ponto crítico do discurso do analisando serve para fins técnicos de significação (traduzindo: a sessão termina assim que o analista acha que o analisando disse algo importante e precisa ficar no vácuo pra coisa ficar ressonando, no que é chamado de “tempo lógico”, podendo durar cinco minutos).

Isso acontece, em minha opinião, porque temos necessidade de que as coisas façam sentido, sejam inteiras, consistentes. O ponto determinante para a significação do que acontece na ficção ou em nossas vidas é a edição: onde tudo começa e onde termina.
Para exemplificar, vou apresentar três versões de uma narrativa de ficção, com edições diferentes.


(1) Marisa era uma bela moça, estudiosa e prendada, que vivia com os pais em uma capital. Namorava Fabiano, seu primeiro amor, que resolveu fazer intercâmbio nos EUA. A distância e os ciúmes foram enfraquecendo seu relacionamento, até que terminaram por MSN. Após muito chorar, conheceu Jonas em suas férias de verão, vivendo um tórrido romance. Noivou com Jonas em setembro, tendo marcado seu casamento para maio do ano seguinte.

(2) Marisa era uma bela moça, estudiosa e prendada, que vivia com os pais em uma capital. Namorava Fabiano, seu primeiro amor, que resolveu fazer intercâmbio nos EUA. A distância e os ciúmes foram enfraquecendo seu relacionamento, até que terminaram por MSN. Após muito chorar, conheceu Jonas em suas férias de verão, vivendo um tórrido romance. Noivou com Jonas em setembro, tendo marcado seu casamento para maio do ano seguinte. Em novembro, seu noivo foi transferido para uma cidade do interior, passando a vê-la em finais de semana alternados. Em um dos finais de semana, a estrada ficou intransitável devido a fortes chuvas na região. Marisa resolveu sair com suas amigas e conheceu Francisco, um jovem bonito, rico e romântico, que passou a cortejá-la durante a semana. Na visita seguinte de Jonas, ao bisbilhotar as mensagens do celular do noivo, Marisa descobriu um torpedo com o seguinte conteúdo: “Adorei a noite de ontem. Bjs, L.” O noivo alegou que a L. da mensagem no celular era a tia Lúcia, uma senhora aposentada que tinha sido levada pelo sobrinho ao cinema, mas ela não acreditou. Indignada, rompeu o noivado e caiu nos braços de Francisco.

(3) Marisa era uma bela moça, estudiosa e prendada, que vivia com os pais em uma capital. Namorava Fabiano, seu primeiro amor, que resolveu fazer intercâmbio nos EUA. A distância e os ciúmes foram enfraquecendo seu relacionamento, até que terminaram por MSN. Após muito chorar, conheceu Jonas em suas férias de verão, vivendo um tórrido romance. Noivou com Jonas em setembro, tendo marcado seu casamento para maio do ano seguinte. Em novembro, seu noivo foi transferido para uma cidade do interior, passando a vê-la em finais de semana alternados. Em um dos finais de semana, a estrada ficou intransitável devido a fortes chuvas na região. Marisa resolveu sair com suas amigas e conheceu Francisco, um jovem bonito, rico e romântico, que passou a cortejá-la durante a semana. Na visita seguinte de Jonas, ao bisbilhotar as mensagens do celular do noivo, Marisa descobriu um torpedo com o seguinte conteúdo: “Adorei a noite de ontem. Bjs, L.” O noivo alegou que a L. da mensagem no celular era a tia Lúcia, uma senhora aposentada que tinha sido levada pelo sobrinho ao cinema, mas ela não acreditou. Indignada, rompeu o noivado e caiu nos braços de Francisco. Passaram uma noite maravilhosa, viajaram juntos e, dois meses depois, Marisa descobriu-se grávida. Francisco recusou assumir a paternidade, alegando que o bebê poderia muito bem ser de Jonas. Propôs um exame de DNA. Marisa ficou indignada e saiu da casa de Francisco aos prantos. Ao chegar à sua casa, reencontrou Fabiano, voltaram a se relacionar e se casaram. No entanto, Jonas foi quem assumiu a paternidade da criança.

Perceberam que tudo muda, dependendo de onde se corta? É por essas e outras que nossas vidas são significadas várias vezes a partir das edições que percebemos. Um mendigo que ganha na loteria pode deixar de sê-lo, mas também pode ser atropelado no caminho da Caixa Econômica, ou ainda torrar tudo que ganhou e virar mendigo novamente. Sair de cena é uma arte. Às vezes a morte não colabora e tira todo o glamour de nossa vida no Gran Finale.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Meu mundo e nada mais


Desde que me conheço por gente, tenho inclinações para a poesia e a filosofia. Isso não ajuda muito na vida prática, mas veio no pacote. Uma coisa que me intrigava já na infância era a questão do campo existencial – que, evidentemente, eu não sabia nomear, apenas intuía. Traduzindo: você tem uma experiência limitada do mundo. Quando está no banheiro fazendo xixi, há coisas acontecendo na sala, em outro bairro, na cidade onde moram seus parentes e assim por diante. Quando você viaja, descobre que os primos cresceram, coisas aconteceram, tudo correndo perfeitamente sem a sua presença. Eu filosofava: será que tudo isso acontece sem mim ou eles só existem quando eu estou lá, contando histórias que não aconteceram? E se tudo existe sem mim, pode perfeitamente continuar existindo sem eu fazer a menor falta. Isso não me entristecia, porque não era à falta de saudades que eu me referia, mas ao lado ontológico da questão: o mundo/ a vida continua.

Outra coisa que me intrigava era o fato de ser eu mesmo e não qualquer outro, ou seja, até eu morrer, terei que ser eu mesmo. Posso inventar moda, resolver ser músico, artista plástico, trocar de emprego, casar, ter filhos, até trocar de nome ao me converter a uma religião exótica, mas isso não muda o fato básico de estar sempre em minha companhia. Ainda bem que eu gosto de mim, acho graça das minhas bobagens e, ao falar sozinho, gosto dos assuntos. Tem gente que não tem essa sorte.

Finalmente, descobri que minha vida não era só minha, estaria sempre negociando com outros até onde as coisas sairiam como eu desejava. Quanto do bife eu precisaria comer para poder sair da mesa, quantas horas eu precisaria estudar para vencer meus concorrentes no vestibular, se e quando eu poderia beijar aquela mocinha que tanto me atraía, e por aí vai. O fato de todo mundo estar no mesmo barco não me servia (serve) de consolo. Só tomei contato com Husserl, Heidegger e Sartre mais tarde, para descobrir que a única coisa que eles sabiam mais do que eu era contar estas mesmas coisas de um jeito complicado. Vai ver, Platão estava certo e conhecer é mesmo reconhecer.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A linguagem do amor


Não conheço homem algum que nunca tenha reclamado que não entende as mulheres – inclusive eu mesmo. Porém, quando uma mulher dá aulas, coordena reuniões ou faz outro tipo de comunicação profissional, geralmente nós as entendemos. Quando nossas amigas desabafam ou simplesmente conversam conosco, também são perfeitamente compreensíveis. É nos relacionamentos íntimos de cunho afetivo que o bicho pega. De uns tempos para cá, desenvolvi uma teoria estapafúrdia para explicar este processo. As mulheres são bilíngües (com trema, pois ainda vou demorar a aderir ao acordo ortográfico).

O "machês" é um idioma linear, quase cartesiano, criado para evitar ambigüidades, ideal para fazer a guerra, o comércio, a caça e a ciência. Pode-se falar a verdade ou mentir em "machês", mas as palavras conservam seu sentido denotativo. “Eu te odeio” significa simplesmente “sinto ódio por você”. Sentimentos encerram ambivalências, nuances, conotações, então o "machês "não é o idioma mais adequado para expressá-los. Com séculos de patriarcado (se não milênios), o "machês " tornou-se o idioma oficial da vida pública.

O "mulherês" é um idioma multidimensional, que envolve palavras, gestos, ações, impostação de voz e – o mais importante de tudo – o contexto. No "mulherês," as palavras não são o mais importante, apresentando várias conotações e podendo inclusive significar o seu contrário. “Eu te odeio” pode significar “sinto ódio por você”, “eu te amo”, “odeio te amar”, “que raiva, não consigo te manipular”, “me coma” ou qualquer outra coisa, dependendo dos outros elementos anteriormente mencionados. A mentira, inclusive, adquire mais funções no "mulherês" do que a simples manipulação a partir da ocultação da real finalidade. Pode servir como auto-proteção, para preservar os sentimentos ou a auto-estima do outro, para ser socialmente conveniente, para tornar uma situação mais interessante, para testar as intenções alheias, e muito mais.

Os homens geralmente não são bilíngües. Falam apenas o "machês," seja na vida privada, seja na pública. Quando as palavras de um homem são incongruentes com suas ações, há duas possibilidades: ou ele está confuso e não sabe o que faz, ou está mentindo em "machês." Na dúvida, orientem-se pelas ações, mais do que pelas palavras. As mulheres são bilíngües, pois tiveram que (ou optaram por?) se inserir na vida pública. Daí, aprenderam o "machês," além do "mulherês" nativo. Como são mais hábeis do que nós homens no campo da linguagem, utilizam o "machês" em comunicações científicas e outras situações de trabalho, mas nas relações afetivas costumam falar "mulherês". O problema é que não lhes ocorre que os homens ignoram este idioma. Fica aquele pressuposto tácito de que ninguém seria imbecil ao ponto de falar de sentimentos em "machês", essa linguagem literal e rasteira. Se você for mulher, não pense que ele está falando "mulherês" com você, isso é muito raro. Daí que surgem as principais situações em que as mulheres não entendem os homens, pois ficam procurando conotações, sutilezas e duplos-sentidos onde há apenas confusão ou mentira pura e simples. Quando as palavras de uma mulher são incongruentes com suas ações, há três possibilidades: a) ela pode estar confusa e não saber o que faz, mas tenta se expressar em "machês"; b) ela pode estar confusa e não saber o que faz, mas tenta se expressar em "mulherês"; c) ela sabe muito bem o que faz, mas expressa isso em "mulherês".

Assim como o Jeremias, da propaganda do desodorante, também tenho uma “Cidade das mulheres que Paulinho desperdiçou” por não ser fluente em "mulherês". Mas estou aprendendo... Como é difícil a linguagem do amor!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Tietagem


Gosto muito de música. Embora nunca tenha tocado profissionalmente, já dei umas canjas por aí sem passar muita vergonha. Também já dei outras canjas passando muita vergonha, mas felizmente foram poucas. Aprendi flauta doce no colégio aos dez anos, depois comecei o aprendizado de violão aos quatorze como autodidata. Sempre tive amigos músicos que contribuíram com dicas preciosas, corrigiram defeitos na técnica e fizeram as críticas necessárias. Ouço muita música, de quase tudo quanto é gênero. No início dos anos 80, surgiu uma dupla com um som interessante, fazendo releituras da música tradicional do Rio Grande do Sul com incursões pelo pop. Enfim, é difícil e bobo rotular o som deles, mas serve para dar uma pista. Kleiton & Kledir, ex-integrantes dos “Almôndegas”, estouraram no país, foram gravados por outros intérpretes, fizeram temas de novelas, até que saíram temporariamente de cena. Ouvi o primeiro disco da dupla até gastar, o segundo também. Fui a alguns shows e conheci também o trabalho do irmão deles, Vitor. Virei fã de carteirinha dos Ramil.

Às segundas-feiras, participo de um grupo de canto que não é exatamente uma aula, um coral ou qualquer coisa classificável. Um excelente pianista coordena seis pessoas “fora da casinha” em cantorias, batuques, improvisos e piadas. Para terem idéia, nossa criação coletiva mais pitoresca foi a opereta “La muerte de la cucaracha cantante”, que mistura a marcha fúnebre, “La cucaracha”, elementos de música húngara e uma pitada de Fito Paez. Também cantamos coisas sérias e procuramos desenvolver a percepção musical. Além disso, o grupo recebe visitantes, entre instrumentistas, cantores e amigos curiosos. Há um bom tempo, temos o privilégio de contar com a participação do Gil, que, além de ser um cara muito legal, foi baterista dos Almôndegas. Graças a ele, esta segunda-feira, o grupo recebeu a ilustre visita do Kleiton, que cantou e tocou conosco algumas músicas. Foi muito legal cantar e tocar com um ídolo da minha adolescência, além de ter emprestado a ele meu violão hi-tech. Havia muita gente presente e não deu pra exagerar na tietagem ou ficar enchendo (demais) o saco do cara, mas, dentro do possível, o evento foi registrado. Ele me tirou umas dúvidas quanto à execução de duas músicas deles, eu dei um exemplar do meu livro de presente. Fora isso, rolaram outras canjas fenomenais: jazz, blues, mpb... O Luís Fernando Veríssimo tinha razão: o melhor jeito de ver os bons músicos da cidade é tocar com eles.

Em tempo: Kleiton & Kledir estão com um novo trabalho em vias de sair do forno. Confiram, eu recomendo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Malabarismos


Até hoje pela manhã, minha opinião a respeito dos artistas de semáforo era muito desfavorável. Para mim, eram uma versão circense dos flanelinhas ou dos pedintes de rua, uma forma de invasão de privacidade comparável ao telemarketing. Ia eu para o trabalho novo, ainda em fase de adaptação, pensando em como acho chato e tenso esse período em que você não conhece direito os personagens da “novela”, nem seu lugar na trama. Faz parte, sei que isso passa, mas não gosto. Abre parênteses:

Já morei em quatro cidades, fiz mais de doze mudanças de residência; estudei em seis escolas diferentes entre pré-escola e ensino médio, freqüentei dois cursinhos pré-vestibular, dois cursos de graduação, um curso de mestrado; entre disciplinas de graduação e pós-graduação, ministrei mais de quinze disciplinas diferentes, para cursos de perfis distintos (Educação Física, Biblioteconomia, Pedagogia, Administração, Psicologia, Fisioterapia, Nutrição, Segurança Pública), tive consultório particular, atendi e coordenei atendimentos em ambulatório de hospital, fui coordenador de monografias no curso de Psicologia, participei de colegiados de curso e de centro na universidade, participei de palestras e eventos, dei entrevistas para rádios e canais de televisão. Houve um período em que trabalhei em três cidades, morando metade da semana em Florianópolis, metade em Itajaí. Diferentes amizades e antipatias, diferentes namoradas e ficantes, diferentes culturas, momentos de solidão insuportável, horas intermináveis de estudo, mil coisas novas para aprender, tudo isso foi ao mesmo tempo muito estimulante e muito desorganizador. Trouxe-me uma bagagem bem interessante, mas teve (e tem) seu preço. Fecha parênteses.

Primeiro semáforo: um malabarista. Dei duas moedinhas que estavam no console.
Segundo semáforo: outro malabarista. Fiz de conta que não vi.
Terceiro semáforo: um palhaço. Ia fazer de conta que não vi, mas ele tinha uma cara tão engraçada que eu não resisti. Comecei a rir e isso melhorou meu ânimo. Meti a mão no bolso e dei dois reais pro cara.

Na verdade, eles não ameaçam ninguém veladamente, ao contrário dos flanelinhas, nem apelam ao seu sentimento de culpa, como os pedintes. Fazem o show sabendo do risco de ninguém dar nada. Hoje em dia é complicado manter um circo, então os caras viraram autônomos. Não me sinto obrigado a pagar sempre, mas entendo que cada um, inclusive eu, faz os malabarismos que pode para sobreviver.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O segredo do fracasso


Um dia desses, fui beber e conversar com dois amigos. Um deles, lá pelas tantas, começou um papo de que “para os parâmetros da sociedade, o patrimônio que conseguimos acumular, em comparação com nossos colegas de segundo grau, seria um indicador de fracasso.” Ouvir um cara que é reconhecido profissionalmente, sempre se sustentou com a profissão que escolheu, vive com muito conforto, tem uma vida conjugal e familiar invejável, escolher como medida o único critério que lhe poderia ser desfavorável – e, de quebra, me levar junto no rolo – foi demais. Indignado, perguntei:
- O que te falta na vida hoje?
- Tempo pra viajar.
- Se tu ganhasses dois ou três mil reais a mais por mês, o problema estaria resolvido?
- Não.
- Sendo quem tu és, estarias mais feliz com maiores rendimentos, passando o dia a tratar os dentes de outros que nem respondem às tuas perguntas?
(A pergunta foi específica, nada contra os dentistas, ele é que não tem o perfil.)

Ele riu e parou com a auto-sabotagem.

No dia seguinte, conversei com uma amiga virtual recente. Uma gracinha de moça, delicada, bonita, inteligente, divertida. Contou-me que na véspera esteve triste ao se comparar com amigas que já haviam alcançado coisas que ela deseja para sua vida e ainda não obteve. Sentia-se fracassada. Compassivo, disse a ela que tivesse paciência, pois muitas daquelas coisas eu obtive mais tarde e nem por isso as deixei de conquistar.

Tive de desconectar e não soube se ela interrompeu a auto-sabotagem.

Falo disso porque já experimentei a mesma sensação, os mesmos sentimentos, a mesma linha de raciocínio. Entre 2004 e 2007, quase todos os meus projetos morreram na praia. Em 2008, as coisas deram uma guinada. Tive então a oportunidade de ver que em Madri há menos “torneio para ver quem tem o carro mais caro” do que em Florianópolis, que a vida das pessoas no mundo inteiro é de muita luta e que a distribuição de patrimônio e renda é desigual em vários cantos – ou em todos, poderia supor. Sempre haverá gente mais bem situada do que você, com a qual a comparação ser-lhe-á desfavorável. Também haverá gente em desvantagem, certamente. Quanto aos seus desejos e objetivos na vida, sempre faltará algo, pois isso é da natureza humana. Aos que não falta nada material, muitas vezes acaba faltando um sentido para viver.

O segredo do fracasso é medir-se com a trena errada.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Genesis


No princípio, havia um pêndulo
No tique, Deus criava o homem
No taque, o homem criava Deus
Ou seria o contrário?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Soco no figo


Comecei este blog sem dar maiores explicações aos leitores, até porque os poucos que o visitavam eram meus conhecidos e sabiam do que se tratava. Porém, recentemente, graças à generosidade da Rosana Hermann, do blog Querido Leitor, o número de acessos aumentou bastante e o blog passou a receber visitantes de vários cantos do mundo. Assim sendo, resolvi contar um pouco de como surgiu a idéia de criá-lo.

Sempre gostei muito de ler. Quando menino, fiquei impressionado com a capacidade de versejar de Vinícius de Moraes e do Chico Buarque e resolvi me aventurar pelo caminho das rimas. Mais tarde, os textos de Fernando Sabino, Millôr Fernandes e Luís Fernando Veríssimo me despertaram o interesse por contos e crônicas com pitadas de humor e crítica. Aos dez anos já tinha textos publicados em jornaizinhos do colégio, além de ter sido um dos premiados em um importante concurso literário infanto-juvenil promovido pelo Círculo do Livro. Ganhei uma bicicleta, uma máquina fotográfica, algum dinheiro em direitos autorais e uma viagem a São Paulo para receber a premiação e os cumprimentos do Millôr, presidente da comissão. Outro aspecto divertido foi sentir que eu estava pagando a passagem e a estadia para o meu pai, sendo a primeira vez que paguei algo com o fruto do meu trabalho. Minhas redações ficaram mais populares no colégio, mas a ambição de publicar ficou adormecida por um bom tempo.

Quando morei em Porto Alegre para cursar o Mestrado, fiz amizade com os escritores gaúchos Cláudio Santana e Clarice Muller e comecei a encontrar o livro com o conto premiado nos sebos da cidade. Ambos os fatores me levaram a ter vontade de voltar a escrever, agora para publicar. A vontade ficou incubada até 2000, quando iniciei uma série de contos com temas transgressores, porem uma abordagem mais leve, no livro "Sutis Indecências e outros encantamentos". Consegui publicá-lo em 2003 pela Editora Momento Atual, de Florianópolis, graças à receptividade da Laura e do Nilton – os editores - que no período estavam testando a possibilidade de se inserir também neste segmento do mercado editorial.

Ao final de 2005, já estava com o segundo livro de contos pronto, mas a editora percebeu as dificuldades de inserção no restrito mercado de literatura brasileira e resolvi procurar outras casas editoriais. Ao fim de 2006, descobri que, com honrosas exceções, as grandes editoras têm cartas padronizadas de recusa em tempo recorde para originais não solicitados. Apenas três editoras conduziram o processo de avaliação até fases avançadas. Apesar dos pareceres favoráveis dos avaliadores responsáveis pela qualidade literária, a comissão normalmente tem uma segunda etapa do ponto de vista mercadológico e é aí que a coisa aperta. Então, para publicarem, ou você é alguém conhecido (um Casseta, um filho de escritor famoso, um mago da auto-ajuda) ou é alguém reconhecido pela crítica. Percebi então que precisava de duas coisas: um prêmio e uma vitrine. Em 2007, obtive um prêmio no exterior, em um concurso literário com uma comissão composta por professores de grandes universidades portuguesas. Isto foi muito importante, pois assegurou alguma publicidade, entrevista na TV, matéria em jornal e um aval importante para usar como credencial. Quanto à vitrine, percebi que a blogosfera seria o espaço de divulgação com a melhor relação benefício/custo. Porém, escrever demanda tempo e eu precisava organizar outros aspectos da minha vida para poder me lançar a este empreendimento sem acabar como fogo de palha. Isto também foi providenciado. Resolvi então começar pelo conceito. Queria publicar contos, ensaios, poemas e dialogar com os leitores. Tudo muito amplo, como a vida. Consultores de marketing diriam: falta foco. Porém, achei melhor apostar na variedade e falar da vida através de minhas lentes. Acho a realidade contundente e para lidar com os socos que ela nos dá, tenho como escudos o humor, a poesia e a crítica. Precisava de um nome que despertasse a curiosidade, então a troca de fígado por figo dava o toque de humor que atenuava o soco, pelo menos em minha imaginação. Logo que comecei, ganhei de presente da Bel este template, o qual deu um aspecto mais clean e profissional ao blog. Já fiz algumas amizades através dele e espero que ele cumpra também o papel de divulgar meus livros, sejam eles bancados por editoras, sejam independentes.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Grande Irmão zela por ti


Um dos problemas em ser escritor é que você não tem o menor controle sobre o que será feito de sua criação depois que ela largar as fraldas. Vejam só o caso do George Orwell: escreveu um tremendo livro sobre totalitarismo pra desembocar em um peep show como esse Big Brother. Para quem não sabe do que estou falando, o "Grande Irmão" era uma personagem do livro 1984, ano que pertencia ao futuro quando o livro foi lançado (1949). Escolher um título datado é para quem não espera que a obra perdure, pois dificilmente a molecada de hoje vai imaginar que "1984" ou "2001, uma odisséia no espaço" (Arthur C. Clarke) sejam obras futuristas. Mesmo assim, umas boas almas fazem esse tema cair no vestibular, então meia dúzia de gatos pingados lêem o livro, umas duas dúzias o fazem com os resumos das apostilas de literatura e fica por isso mesmo. O filme 1984 não teve muita repercussão, então é possível que a massa pense que o Big Brother é o Pedro Bial porque ele é alto e parece ser gente boa. Lutar contra a ignorância é uma causa inglória, já não dou conta de vencer a minha própria, mas vamos a esse empreendimento quixotesco:

1984 trata da luta do indivíduo para não ser engolido pelo sistema em uma sociedade autocrática, na qual a vigilância é permanente, a história é manipulada e a liberdade de pensamento é esmagada. Há câmeras por todos os lados e as casas são monitoradas através de algo semelhante a monitores com webcam acoplada, a chamada teletela. A rotina dos indivíduos é planejada e a qualquer momento você pode estar sob escrutínio de algum vigilante. O Big Brother personifica o poder centralizado, sendo a vigilância mencionada como cuidado com o indivíduo: O Grande Irmão zela por ti. Há mais coisas, mas aí deixo a semente para que meia dúzia de pessoas se disponham a ler o livro.

Hoje em dia, somos monitorados nos condomínios, supermercados e lojas, nossos dados confidenciais são vendidos para empresas com telemarketing, fornecemos várias informações particulares para usarmos recursos de internet, mesmo os gratuitos, e por aí vai. Nossos computadores parecem teletelas, nosso tempo é organizado pelas empresas e a História é reescrita pelos meios de comunicação de massa. A grande diferença é que o Big Brother atual não é o governante, mas o poder econômico.

O programa de TV apenas tomou emprestada do livro a idéia de monitorar gente, permitindo que uma das grandes paixões humanas, a bisbilhotice - misto de voyeurismo com fofoca -, pudesse gerar dinheiro para as redes de televisão. Audiência gera contratos de publicidade, os telefonemas para votar geram renda a partir de convênios com as empresas de telefonia, o povo tem circo. Só falta atirarem pão. Mesmo com essa manipulação descarada que tem acontecido nas novelas de TV, em que o público resolve quem deve morrer ou viver, muda ricos em pobres, pobres em ricos, mocinhos em bandidos, bandidos em mocinhos e deixa a história uma colcha de retalhos, pelo menos rola um dinheirinho para roteiristas alimentarem sua cria. Com a ditadura da beleza, o BBB acaba enfrentando dificuldades: os participantes são muito toscos, de modo geral. Além de faltar assunto, a coisa descambou para o bom-mocismo e até as tentativas de tornar o programa um jogo de estratégia foram pro brejo. Ficou a "bundalização" do programa, com aquela expectativa de que ao final todo mundo fique pelado em revistas e sites, removendo os ínfimos paninhos que usavam na casa. Hoje em dia, com a McDonaldização das modelos, todas têm as mesmas medidas, silicone nos seios, chapinha e tintura nos cabelos, dentes reformados, depilação brazilian wax, então parece sempre a mesma mulher. O triste é que o mundo está se homogeneizando a partir do que tem de mais sem graça... Definitivamente, o Grande Irmão não zela por mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

As mil e uma noites


Já deve ter acontecido com você também: um programa de TV está fantástico, chega em um ponto de suspense e aparece o letreiro "continua no próximo episódio" (to be continued ou outro equivalente). É mais ou menos como na adolescência, quando no melhor dos amassos a namorada se agarrava às últimas forças de resistência e dizia "Me leva pra casa" antes que se fosse longe demais. Fica aquela sensação de um balde de água fria no melhor da festa. Esse tema me veio à mente porque os últimos dias foram muito mais inspirados para viver do que para escrever, então corria o risco de não cumprir com meu objetivo de manter o blog atualizado com regularidade. Eu, particularmente, fico bem frustrado quando os blogs que me agradam começam a criar teias de aranha. Olhei para cima em busca de uma idéia e vi o volume I do "Livro das mil e uma noites", então ela veio. Se o leitor não conhece este livro, certamente conhece algumas das fábulas nele contidas: Aladim e a lâmpada maravilhosa; Ali Babá e os Quarenta Ladrões; As aventuras de Simbad, o marujo. A Editora Globo iniciou um projeto de tradução deste clássico diretamente do árabe em 2005, tendo este livro dois ramos: sírio e egípcio. Comprei os dois volumes e aprendi um pouco da história deste belo livro, que não tinha este título em sua primeira versão, tampouco mil e uma noites. Posteriormente, várias fábulas foram agregadas a fim de completar a quantidade de noites, possivelmente em prejuízo do conteúdo. Minha primeira frustração foi não terem bancado a tradução do ramo egípcio tardio, em que todas as fábulas estariam presentes, mesmo as agregadas ao final. Foi possivelmente uma decisão comercial, pois seria improvável que o livro vendesse caso assumisse esta conformação. A segunda frustração ocorreu quando percebi que o livro só pode ser lido de um só fôlego, ou o leitor se perderá em seus meandros. A lógica do texto é semelhante à do hipertexto: há histórias dentro de histórias, formando várias "caixas concêntricas", como se você fosse abrindo janelas dentro de janelas em um texto na internet. Além disso, ao fim de cada noite, a história deve estar em um ponto de tensão, como em uma novela de televisão. Genial, se você pensar que o livro foi escrito a partir do século IX, ganhando este título no século XIII. Difícil é encontrar um momento adequado para ler o segundo volume sem me perder no meio da leitura, nem enjoar com o perpétuo movimento de "continua no próximo episódio".

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Acima de qualquer suspeita


Alfredinho era um bom garoto. Gostava de jogar futebol e bola de gude na rua com seus amigos. Certa tarde, o jogo estava bom e ele se demorou meia hora além do horário habitual. Ao chegar em casa, sua mãe lhe perguntou:

- Onde é que o senhor estava até essa hora?
- Por aí, com meus amigos.
- Fazendo o quê, posso saber?
- Não.

A mãe conhecia seu caráter e ele sabia disso. Assim mesmo, ouviu um sermão e foi castigado.

Alfredo era um bom marido. Gostava de jogar sinuca e bater papo com seus amigos. Certa noite, o jogo estava bom e ele se demorou meia hora além do horário habitual. Ao chegar em casa, sua esposa lhe perguntou:

- Onde é que o senhor estava até essa hora?
- Por aí, com meus amigos.
- Fazendo o quê, posso saber?
- Não.

A esposa conhecia seu caráter e ele sabia disso. Assim mesmo, ouviu um sermão e foi castigado.

Antes de dormir, pensou: "Isso jamais acontece aos canalhas."

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Perversão com perversão se paga?

Uma noite dessas, assisti na TV a metade final do filme “Menina má.com (Hard Candy)”. Outra noite, assisti à outra metade. A história é basicamente a seguinte: um fotógrafo abusador de menores (Jeff) conhece via internet uma adolescente de quatorze anos (Hayley), eles flertam virtualmente e se conhecem pessoalmente, indo até a casa dele. Chegando lá, contrariando a todas as expectativas, ela se mostra uma boa aspirante ao transtorno de personalidade anti-social (anteriormente chamado de psicopatia ou sociopatia), drogando-o, mantendo-o em cárcere privado, torturando-o e induzindo-o ao suicídio. Passo agora a algumas reflexões, seguidas de pontos para argumentação posterior.

A história da humanidade foi (e é) escrita com sangue, ignorância e má-fé: genocídios, infanticídios, torturas, roubos, estupros, inquisições, ditaduras, cruzadas e jihad, campos de concentração, escravidão, exploração, corrupção e outras tantas atrocidades. Um passo para nos afastar desta barbárie foi o Código de Hamurabi, por volta de 1.700 a.C., baseado na lei de talião: olho por olho, dente por dente. De certo modo, a vingança (desproporcional) foi substituída por justiça (proporcional). Se João roubou um boi de José, matou-o e usou para alimentar seus familiares, José não matará os homens da família de João, nem estuprará as mulheres da família ou ateará fogo à casa dele, mas terá direito a um boi daquele rebanho. Os passos seguintes atravessaram a Revolução Francesa, caminhando para o surgimento do Estado democrático de Direito, no qual deixamos de estar submetidos aos caprichos de um governante para nos submetermos somente à Lei. Com as atrocidades cometidas durante as guerras mundiais, em 1948 foi adotada e proclamada pela ONU a Declaração Universal dos Direitos Humanos, garantindo que qualquer um, criminoso ou inocente, terá direito de ser tratado conforme a lei, vedando-se tortura, prisão arbitrária, escravidão e outras práticas repugnantes, porém comuns na história de nossa espécie. Até hoje estes direitos são pouco respeitados mundo afora, mas fazem parte de um ideal pelo qual vale a pena lutar.

- Ponto número um: os Direitos Humanos valem para todos, sejam inocentes ou criminosos.
- Ponto número dois: vingança e justiça são coisas distintas.

Fui convidado, na qualidade de professor de Psicopatologia, à banca de um projeto de monografia sobre o “Perfil psicológico do Pedófilo”. Acompanhei também parte do debate sobre o tema no Congresso Nacional. Por exigência da profissão, conheço nuances do tema que ultrapassam o senso comum. Para colocar o leigo na real dimensão e respeitar a complexidade da temática, precisaria de muitas horas (e páginas), o que não é possível neste espaço tão limitado. Posso, todavia, fazer alguns breves esclarecimentos, que correm o risco de não serem aceitos por quem não é estudioso da área. Em primeiro lugar, é preciso distinguir a Pedofilia (patologia que consiste na atração preferencial ou exclusiva por menores impúberes) do abuso de menores e da pornografia infantil, condutas criminosas. Embora exista quase unanimidade entre as culturas no que se refere à proibição de relações sexuais entre adultos e crianças (menores impúberes), o mesmo não ocorre com relação a adolescentes. Este é um terreno pantanoso, uma vez que a adolescência é um fenômeno culturalmente condicionado. Assim sendo, do ponto de vista legal, cada Estado define a idade mínima para consentimento sexual, assim como define a idade para votar, ser eleito, ter bens, casar, etc. No Brasil e na Guatemala, a idade de consentimento sexual pleno é atingida aos dezoito anos, na Dinamarca, França e Etiópia aos quinze, na Croácia, no Canadá e na Itália aos quatorze, na Coréia aos treze, em Madagascar aos vinte e um. Nos Estados Unidos da América varia de estado para estado, entre os dezesseis e dezoito anos. Diferentes países também apresentam diferentes posicionamentos quanto à legalidade da pornografia, inclusive a adulta.

- Ponto número três: Pedofilia é patologia, requer tratamento, mas não necessariamente implica em inimputabilidade penal (não responder criminalmente).
- Ponto número quatro: crimes sexuais dependem da legislação do país, não havendo consenso internacional quanto à idade mínima de consentimento.

Retornando ao filme: em "Menina má.com", temos um sujeito abusador de menores (infelizmente, para ele, não era Canadense ou Coreano, mas Estadunidense) retratado erroneamente como pedófilo. Passa-se a mensagem de que era, portanto, um “lobo” comedor de carneirinhos que encontrou um lobo maior vestido de cordeiro e, desse modo, “mereceu” o seu destino. Como o pedófilo é socialmente visto como um ser execrável, muitos consideram que os direitos humanos não se aplicam a ele, que merece vingança e não justiça, pois é a “escória da humanidade”. A ele, portanto, não se aplicariam os direitos a julgamento, ampla defesa e contraditório. Esse tipo de pensamento nazista me perturba, mesmo na ficção. Substitua “pedófilo” por judeu, negro, homossexual, árabe, terrorista, americano, argentino, afegão, comunista, capitalista, latrocida, estuprador ou seja lá o que for, e temos o que a humanidade já produziu de pior como ideologia. Eu repudio as práticas sexuais não consentidas e o abuso de menores, como também repudio o retorno à barbárie. Depois de trinta minutos de filme, Hayley poderia ter entregado o fotógrafo à polícia, pois estava amarrado e as provas disponíveis. No entanto, o roteirista e o diretor sabem do mal que habita o coração dos homens (espectadores), então a adolescente parte para sessões de tortura física e psicológica dignas de “Jogos Mortais”. Psicopata por psicopata, prefiro o Hannibal Lecter, que pelo menos não é falso moralista.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O dia seguinte


Entre mortos e feridos
Passados todos tormentos
Salvaram-se meus sentidos
Mas não os meus sentimentos
Pelos dias pressentidos
Pelos erros que lamento

sábado, 3 de janeiro de 2009

Passatempo


Odair José
Rafael Ilha
Zé do Caixão
Zé Buscapé
Elke Maravilha
Jece Valadão

Nada existe,
Só brumas e pó!
De nós humanos,
O destino é triste...
Nem Didi Mocó
Aos anos
Resiste

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Títulos que valem o ingresso


Um bom título é fundamental para qualquer livro. Até aí, tudo bem, vale para todo mundo. Agora a parte pessoal: eu não resisto a folhear se o título for estrambótico ou engraçado. Daí a comprar é um pulinho. Exemplos da minha estante:

- “O dia em que comeram o ministro” (Fausto Wolff)
- “Por que os homens não cortam as unhas dos pés?” (Stella Florence)
- “Mulher solteira procura homem impotente para relacionamento sério” (Gaby Hauptmann)
- “O restaurante no fim do universo” (Douglas Adams)
- “O filho chinês de Deus” (Jonathan D. Spence)
- “Buscando o seu Mindinho” (Mário Prata)
- “Memórias de um anão gnóstico” (David Madsen)
- “Histórias de Cronópios e Famas” (Julio Cortázar)

Estava atrás de “Os apotegmas dos abades do deserto”, mas quando soube que a nova edição se intitula “Os padres do deserto”, perdeu a metade do encanto. Porém, o abade Arsênio não perde por esperar.

 
design by suckmylolly.com