sábado, 28 de fevereiro de 2009

Caronas, motoristas e dançarinos de salão


Todos os dias, ao ir para o trabalho, passo por diversas paisagens muito belas que acabo não vendo direito para não causar acidentes. São muitos os cruzamentos, motoristas apressados demais ou de menos, espectadores de acidentes alheios, semáforos e pontos de referência pelo caminho. Quando vou rumo a um lugar pouco ou nada conhecido, piora: vou devagarzinho, olhando placas, parando pra perguntar – o meu cromossomo Y veio sem o GPS – e me perdendo, apesar de todos os esforços em contrário, depois me achando, graças à sorte, ao imponderável ou a alguma boa alma encontrada pelo caminho. Tenho respeitado fielmente a lei seca, apesar de não ter passado por nenhuma blitz, nem concordar com políticas do tipo “tolerância zero”.

Hoje à noite eu irei de carona a uma formatura. Gosto de pegar carona de vez em quando. Dá pra curtir a paisagem, relaxar e bater papo. Não é preciso prestar atenção aos caminhos, por isso nunca os aprendo quando vou de carona. Pode-se beber no trajeto ou entre trajetos, mudar a estação do rádio ou trocar o CD em segurança. E, voilá, chega-se ao destino como que por mágica! Tirando navegadores em rally, os caronas não se estressam, salvo quando conduzidos por um motorista imprudente ou barbeiro.

Na dança de salão, o cavalheiro conduz e a dama é conduzida, diferentemente da vida, em que a mulher conduz fingindo ser conduzida e o homem é conduzido fingindo conduzir. Por falar na vida, que é onde eu queria chegar com essas metáforas, em processos que envolvem duplas ou grupos, não dá pra faltar motorista ou ter dois tentando ficar na boléia ao mesmo tempo. Quem acha que as coisas se resolvem naturalmente, é porque está de carona e não percebeu: alguém está planejando, organizando e resolvendo em seu lugar. Quando está todo mundo sentado de braços cruzados, a tendência é as coisas irem pro brejo. Por outro lado, muita gente tentando dirigir ao mesmo tempo é um pepino. Mas o pior de tudo é quem senta de carona e , sem ser solicitado, fica dando palpite em como você deve dirigir. Eu encosto o carro e ofereço o volante.

5 comentários:

marlise disse...

Concordo plenamente.

Carlos Michel. disse...

Paulo Cesar! Tenho acompanhado seu BLOG, está de parabéns. Te indiquei para receber o Selo de "Blog nota 10". No meu blog encontram-se as orientações segue url:
http://hotelariamaritima.blogspot.com/
Abraços.

Raphael Rocha Lopes disse...

Paulo, uma coisa é absolutamente verdade: no banco do caroneiro a gente vê coisas que normalmente não enxerga quando está no banco do motorista. Mesmo passando todos os dias pelo mesmo caminho. Por essas e outras, volta e meia bate uma nostalgia dos meus tempos de faculdade e ônibus aí em floripa.

Alline disse...

OK, vou pensar no assunto com carinho. O último parágrafo merece.
Beeeeijo
Ass.: aquela que ainda espera a resposta de um velho e-mail esquecido na caixa de entrada. *=P

Paulo César Nascimento disse...

Marlise: fico satisfeito. :-)

Carlos Michel: agradeço! Depois trocamos uma idéia a respeito, ainda desconheço esse mundo dos selos para blog e a extensão de suas implicações. Abraços

Raphael: realmente, as paisagens são belas e as lembranças as embelezam mais. Enviei meu endereço para você, mas não recebi o seu (pro intercâmbio de livros). O seu já está reservado aqui. Abraços

Alline: o velho e-mail deve estar em um asilo de e-mails a essas alturas... mas vou resgatá-lo, ou então enviar um novinho em folha. Bjs!

 
design by suckmylolly.com