terça-feira, 31 de março de 2009

Estranhamentos


Quando passo por casas em que eu ou meus parentes já moramos e agora se transformaram em lojas ou restaurantes, quando reencontro amigos de outras épocas ou alguma ex, bate um tipo de estranhamento. Se eu reivindicar uma sala, uma confidência ou intimidade, respectivamente, serei olhado com espanto ou mesmo indignação. As coisas e as pessoas se vão e, o mesmo gesto, em novos contextos, ganha um sentido totalmente diferente.

Eu às vezes paro pra pensar nessas coisas, enquanto as cores do semáforo mudam ou a pasta de dentes acaba. Mas não há de ser nada, Abril está chegando, e com ele a primavera! (O meu eu lírico vive no hemisfério norte, como as pessoas que acreditam em astrologia).

P.S.: o "como" na última frase é uma conjunção e não um verbo... ih, piorou! Uma conjunção conformativa e não uma conjunção carnal.

domingo, 29 de março de 2009

Pedidos subentendidos


Considerando que perguntaram se a velhinha era desenho meu, resolvi postar um que de fato é, lá dos idos de 1986, feito em meio a uma aula chata no curso de engenharia.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Homens de fé e o pensamento medieval


Maimônides foi um rabino nascido em Córdoba no século XII. Médico, Filósofo, Juiz, líder político e religioso, estudou a filosofia dos gregos e o pensamento religioso dos árabes, defendeu a união da fé com a razão, pregou a tolerância religiosa – segundo ele, pessoas de vida justa poderiam encontrar a Deus através do estudo sério de suas próprias religiões -, tratou de figuras como Saladino e Ricardo Coração de Leão, foi uma das grandes influências do pensamento judaico medieval, deixando um legado de livros jurídicos, filosóficos e médicos. Isso tudo vivendo em uma época de analfabetismo, superstição e dificuldades enormes para o estudo.

O Papa Bento XVI, além do grego antigo e do hebraico, sabe pelo menos mais seis idiomas, tem oito doutorados honoríficos e é pianista. Foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (o novo nome do Santo Ofício), defende a superioridade do credo Católico sobre as demais religiões do mundo, foi acusado pela BBC de acobertar os casos de pedofilia na igreja e é contrário ao uso de preservativos para a prevenção da AIDS. Tudo isso vivendo em uma época de fácil acesso à informação e tendo uma das mais representativas bibliotecas do mundo à sua disposição.

Se eu tivesse uma máquina do tempo, proporia uma troca.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Confidências


Sentada no banco da praça, a velhinha solitária acenou, pedindo que me aproximasse. Ao me inclinar em sua direção, ouvi suas últimas palavras nesta terra:
- O segredo é usar uma colher de açúcar de baunilha e uma pitada de sal.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Em frente à TV


Ainda que ninguém tenha perguntado, gosto de assistir televisão. No entanto, quando estou em casa, prefiro passar a parcela de tempo livre na frente do computador, que me permite manter algumas amizades vivas mediante o uso do Messenger e do Orkut, além de exercitar a escrita. Quando o cansaço ou alguma virose me derrubam, dificultando a leitura e a escrita, vou para frente da TV, que é uma distração que não exige esforço. Não compreendo a televisão como a fonte dos males da humanidade, que já era bem ruinzinha antes do seu advento. É claro que ela vive de anúncios e precisa, portanto, bombardear os telespectadores com propaganda, estimulando o consumismo. Também é evidente que os donos de redes de TV se curvam a interesses econômicos de classes, dando um viés ideológico ao telejornalismo. Parece-me óbvio que a busca de audiência leva a uma programação predominantemente rasteira - sim, podem me apedrejar os professores e estudantes de comunicação que acham que tudo é cultura. Porém, TV é basicamente entretenimento com algumas pitadas de informação; em nenhum momento foi fixado que seu objetivo seria o de uma segunda escola. Nesse sentido, embora também forme valores e crenças, ela principalmente reflete as crenças e valores vigentes. Além disso, este aparelhinho virou uma espécie de acompanhante eletrônico para os que vivem sós ou precisando de distração, como crianças e idosos.

Quanto à programação, gosto é gosto e nem adianta puxar uma briga. Eu gosto de filmes, seriados, documentários, entrevistas, esportes, música e culinária. Não tenho nenhum argumento decente para dizer por que gosto de comédias situacionais (A Grande Família, Os Normais) e não de novelas. O argumento indecente é que, na comédia de situação, tanto quem acompanha a série quanto os que chegaram agora podem apreciar o episódio, já que ele normalmente tem uma estrutura dramática completa, com início, peripécia, tensão e resolução. Traduzindo: tem uma historinha compreensível em si mesma, ainda que esta se enquadre em outra história maior. Uma coisa que não gosto, porém, é desse esquema recente de programação voltada para a ridicularização dos participantes: gente de mau gosto que aprende a se vestir; gordos que são humilhados em competições de perda de peso; belos e burros que expõem sua ignorância junto com seus corpinhos (por que não só os corpinhos?); gente despreparada que dá dicas sobre sexualidade humana ou relacionamentos, só por ter uma imagem que provoca identificação nos espectadores; pobres e deficientes que participam de pequenos circos de horrores, apenas para pleitear recursos para exames ou tratamentos caros; programas que esmiúçam a intimidade podre de celebridades adictas, promíscuas, agressivas ou fora da casinha. Contra isso, felizmente, a TV vem com dois recursos importantes, desde que foi inventada: o seletor de canais e o botão liga/desliga.

sábado, 21 de março de 2009

De olho


Entre medo e desejo
Tu não me vês
Eu te vejo

quinta-feira, 19 de março de 2009

O melhor de dois mundos


As realidades da vida a gente aprende conforme as fantasias vão se desmilingüindo (antes de 2012 eu aprendo as novas regras ortográficas, até lá valem as antigas). Não há idade certa para aprendê-las, mas há que se ter cuidado em absorver seu valor prático sem exagerar na amargura que trazem. Lá em Porto Alegre eu vi em tempo real um dono de restaurante forçar o concorrente a fechar ao diminuir o preço das refeições. Não sei se chegou a ser dumping, mas se não foi, chegou perto. Vi gente morar em muquifos e sobreviver na base da malandragem, vi diversas puxadas de tapete em local de trabalho, gente de duas ou mais caras, enfim, nada que seja novidade para os de mais de trinta anos. Na ocasião eu tinha vinte e pouquinhos, recém saindo do sub-20 e indo jogar no time principal, no qual as caneladas são mais certeiras e os carrinhos mais devastadores. Certa noite, comendo pizza em um rodízio, bati um papo com o garçom, que me contou que o dono estava pensando em fechar o estabelecimento ou em cobrar um adicional por desperdício. Acontece que a molecada ia pra lá fazer competições de quem comia mais pedaços, aí avançavam na cobertura - quem tem recheio é calzone - e deixavam a massa quase inteira. Tá certo que tem certas pizzas feitas em forno a lenha que deixam a borda queimada e intragável, mas não era o caso. O caro na pizza é a cobertura: queijo, carnes, embutidos, champignons, tomates secos... Massa é farinha, água e sal. Isso me fez pensar em uma das realidades da vida: se você der chance, as pessoas só querem o filé das coisas, deixando o osso pra você roer. Daí pensei naquelas situações em que a pessoa quer o melhor de dois mundos:
- cert@s adolescentes, que querem direitos de adulto e responsabilidades de criança;
- certos homens, que querem direito a sexo sem dever de compromisso (lealdade, fidelidade, dedicação, etc.);
- certas mulheres, que querem a igualdade no que interessa e a desigualdade no resto (paparicação, contas pagas, preferência no salvamento em desastres, não ser obrigada a servir o exército ou ir à guerra, etc.);
- cert@s comprometid@s que querem a segurança do cônjuge e a intensidade d@ amante.

A perspectiva é tentadora, mas não dura. Cedo ou tarde os mundos vão se afastando: se você ficar com um pé em cada um, será rasgad@ ao meio.

terça-feira, 17 de março de 2009

Êxtase


Entre estática
e extática
há estética
e tática

domingo, 15 de março de 2009

Comunicação com os mortos


Eu me comunico com gente viva, mas também com gente que já morreu e pretendo me comunicar com os que ainda não nasceram. Faço isso através da leitura e da escrita, que já me permitiram superar limitações de tempo e de espaço. Fausto Wolff, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Jorge Luis Borges, Caio Fernando Abreu, todos falam comigo, mas não me escutam. Por outro lado, graças ao Google Analytics, sei que sou lido com alguma regularidade em Barbacena, Weston, Hinesburg, Cascavel, Umuarama, Osasco, lugares onde nunca estive. Isso é muito bom, mas essa semana me deu vontade de falar com os mortos que conheci. Não tenho nenhuma inclinação pelo espiritismo ou pelo espiritualismo, embora já tenham tentado me doutrinar. Por isso mesmo, quando entrou em minha sala um senhor que tinha todo o jeitão de um tio meu já falecido, aproveitei os poucos minutos de conversa para matar as saudades. Infelizmente para mim, acredito que, além dos sonhos, esta é a única maneira de reencontrar pessoas queridas que já se foram. Se você pensa diferente, tem mais sorte do que eu.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Entrando em forma


Alô? Aqui é o Roberto. Quem fala? Oi, Martinha. Tudo bem? Como vai o Alfredo? Ah, que bom. E as crianças, estão bem? Sim, conosco também está tudo bem, graças a Deus. No sábado? Não temos nada marcado. Salada de alface com rúcula e palmito? Ih, como eu queria, mas não vou poder. Nada, eu tenho abusado da salada e andei perdendo um quilo só nesse fim de semana. É, vou ter que engolir umas lasanhas na marra. Amanhã eu vou me obrigar a comer um churrasco. Tá uma dificuldade, semana passada os Almeida fizeram uns legumes no vapor, deliciosos. Assim fica difícil engordar! É convite pra salada aqui, pra sopa de legumes acolá e o corpinho velho vai sumindo. Minhas roupas já não me servem mais, tá tudo folgado. Desse jeito eu vou ter que fazer cirurgia de expansão do estômago. É, já tentei musculação com hipercalórico, mas me falta disciplina. É genético, na minha família todo mundo é magro. Eu compro chocolates, sorvete, mas não adianta: se tem cenoura ou aipo na geladeira eu acabo comendo, melhor nem ter em casa. Essa noite eu cheguei a sonhar com brócolis, espinafre! Mas é um inferno, fica esse padrão de beleza absurdo, artistas gorduchos, modelos obesos, lutadores de sumô... Não, Martinha, essa história de que é só no fim de semana não dá certo pra mim. Tá bom, nós vamos, mas eu vou levar uma marmita com feijoada e umas trufas de chocolate de sobremesa. Não vou fugir da dieta dessa vez. Mande um abraço pro Alberto. Até sábado, então. Beijo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Chegando aos cem


Esta é a centésima postagem no blog, em um período de pouco mais de duzentos dias, o que prova que sou disciplinado ou, na pior das hipóteses, teimoso. Cedendo à tendência quase universal de comemorar números redondos, farei uma postagem comemorativa.
Além de ser uma vitrine para meus trabalhos literários (um já publicado, outro aguardando resposta da editora), uma porta para novas amizades e um espaço de troca com os(as) habituais comentaristas, o Soco no Figo foi um desafio que me lancei de escrever regularmente. O interessante é justamente isso, ir além da inspiração para desenvolver outros recursos. Embora não seja um espaço muito propício aos textos longos, isto não significa que facilite a escrita. Em um romance podem sobrar palavras, até capítulos, mas em um miniconto, haicai ou poema liliputiano (invenção minha) é preciso ser conciso: tudo é feito sob medida e uma palavra a mais ou a menos faz muita diferença. É um trabalho de miniaturista, de relojoeiro, de ourives que trabalha um damasquinado. Claro que nem sempre se acerta a mão e às vezes sai alguma postagem menos consistente, mas é parte do exercício.
Há quem diga que escreve para si próprio, mas eu acho isso uma bobagem. A escrita só é para nós mesmos na primeira leitura. Até os diários foram feitos para serem descobertos e lidos, mesmo que seja por você mesmo anos mais tarde, quando já será outra pessoa. Nesse sentido, toda obra é conjunta: metade é feita por quem escreve, metade por quem lê. É o leitor que significa o texto lido a partir de suas próprias referências. Seu olhar é uma rede que pesca apenas o que não escapa por entre as malhas. Há leitores de malhas amplas, outros de malhas finas, como há escritores sem peixe algum para oferecer e outros cheios de cardumes. Nesse sentido, agradeço aos meus leitores fiéis (e aos infiéis também) por participarem desta pescaria.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Escutas conjugais


Sentados no boteco, Teixeira, Aníbal, Zeca e Valtão bebem seus chopes e comem petiscos. Teixeira reclama da namorada:
- Pois não é que a Priscila resolveu inventar que fui eu que comecei a briga com a mãe dela? Inverteu tudo! Parece que não tem memória... Agora eu que passo por maluco! O vilão da história!
- Ih, Teixeira, mulher é tudo igual, a minha esposa faz o mesmo - fala o Valtão.
- A Marisa nunca faz dessas. Entre a gente existe diálogo - diz o Zeca.
- A Marisa nunca faz dessas. Entre a gente existe diálogo - imita o Valtão com língua de fora e pose de cãozinho obediente. Todos riem, menos o Zeca.
- Tô falando sério, porra!
- Zeca, então ela é uma exceção e você é um abençoado - conclui o Teixeira.
- Eu gravo - fala o Aníbal, que até o momento mastigava uma calabresa.
- Como é que é?
- Lembram do Cacique Juruna, que gravava as promessas dos políticos pra eles não desdizerem o que prometeram? Pois eu cansei da Léa inverter as histórias quando a gente discute, aí comprei um aparelhinho pra gravar as conversas. Sempre que acontece alguma coisa que eu percebo que depois ela pode se fingir de louca, eu gravo. Depois faço cópia em CD e catalogo.
- Credo, Aníbal! Eu sabia que você não era bem certo da cabeça, mas essa aí extrapolou...
- Valtão, de tanto que ela invertia as coisas, eu mesmo cheguei a achar que estava ficando maluco. Parei de confiar na minha memória. Cheguei a ir no psiquiatra...
- E a Léa?
- Olha, foi um santo remédio. A primeira história que ela inverteu eu saquei o aparelhinho e toquei a gravação pra ela ouvir. Ela ficou de queixo caído, depois não se deu por vencida. Fez uma cena, só faltou chorar.
- Mas depois ela aceitou? perguntou o Zeca.
- Aceitou nada, disse que o que eu fiz foi um absurdo. Ameaçou ir embora pra casa da mãe dela. Sabe como essas coisas são. Ficou dois dias sem falar comigo.
- E o que você fez a respeito? perguntou o Teixeira.
- Continuo gravando tudo. Ela tem direito de querer o que der na telha, de mudar de idéia, de ser volúvel, de não ser coerente, tudo isso eu aceito, mas tem um limite. O que aconteceu, aconteceu, pô! Se a gente não pode mais confiar na realidade dos acontecimentos, vai confiar no quê?

sábado, 7 de março de 2009

Novas manifestações do Universo Paralelo



Já mencionei em uma postagem anterior que há muito tempo eu carregava comigo a maldição do Universo Paralelo, que atrai acontecimentos bizarros para a vida do seu portador. Eu achei que tinha passado a maldição para uma ex-ficante e atual amiga, a Maria Carolina lá de Sampa, que volta e meia me conta uns acontecimentos bizarros da vida dela. Porém, de uns tempos pra cá a vida da Maria Carolina começou a normalizar. Aconteceu aquele episódio bizarro do desconhecido que me parou no restaurante pra explicar o que eu deveria fazer pra perder peso. Pensei: Não, isso deve ser apenas uma coincidência...

Porém, estava eu ao telefone com a Maria Carolina, falando bobagens e rindo, quando no bloco em frente um vizinho gordinho aparece na sacada inteiramente nu, falando ao celular, depois volta ao interior do apartamento dele. Eu falei pra ela: Carol, você conseguiu me passar a maldição de volta! Contei o ocorrido e ela está rindo até agora. Eu olhei pro Céu, procurando Deus, e comentei:

- Isso foi totalmente desnecessário!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Estelionatos afetivos


Após ler a divertida postagem da Patsy sobre os "amigos-cerca" no blog Corporativismo Feminino, resolvi falar um pouco sobre estelionatos afetivos. Estelionato, segundo o Código Penal, art. 171, consiste em "Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento." No entanto, dos golpes que mencionarei, apenas uma pequena parcela seria considerada estelionato do ponto de vista legal. Vou empregar o termo, portanto, em um sentido mais amplo, de tirar vantagem de outra pessoa mediante logro e/ou fingimento de inocência.

Golpe do empréstimo: este se trata de estelionato propriamente dito. Um estelionatário afetivo (EA), aproveitando-se da fragilidade de uma pobre senhorita desesperada por afeto (PSDA), transveste-se de príncipe encantado, promete mundos e fundos, fazendo-a crer que a felicidade bateu em sua porta. Em seguida, conta uma historinha triste à PSDA, dizendo precisar de uma quantia para investir, saldar uma dívida ou algo do gênero, após o que poderão se casar e prosseguir com o conto de fadas. Após pegar o dinheiro, o EA some do mapa, procurando uma nova PSDA em outras paragens.

Golpe do baú: aplicado por homens e mulheres, é um clássico que dispensa apresentações. Um(a) EA, aproveitando-se da feiúra, burrice, senilidade ou ingenuidade de um(a) ricaço(a), simula enamoramento até conseguir firmar compromisso legal, obtendo então sucesso em sua carreira de alpinista social. Pode ou não ser seguido de divórcio, dependendo das conseqüências do mesmo nos bolsos envolvidos. Muitas vezes é aplicado em conjunto com o golpe da barriga.

Golpe da barriga: uma EA, ao perceber que um relacionamento está ameaçado ou ao pretender obter alimentos na justiça, deixa de tomar precauções contraceptivas sem avisar ao parceiro. O verdadeiro golpe da barriga é premeditado, não se confundindo com acidentes e auto-sabotagens. O problema é que uma EA que se preze SEMPRE alegará acidente.

Golpe de enrolar amante: mais comum em homens. Um EA casado conserva o vínculo com sua amante e mantém a lealdade dela em virtude de alimentar sua paixão, alegando que seu relacionamento está deteriorado, mas não pode se separar ainda de sua esposa por algum motivo particular, mas que isso logo ocorrerá. Esta situação, via de regra, é um fracasso anunciado. Se for mentira, ele é um EA e a mulher está sendo feita de boba. Se for verdade, ele é covarde e a mulher está perdendo seu tempo. Para as que gostam de homens casados: procure um honesto, que deixe claro que o casamento vai bem, obrigado. Só as grandes golpistas conseguem roubar o homem casado de sua esposa com o golpe de roubar marido. Ah, você está mesmo apaixonada pelo marido da outra? Más notícias: você não tem o perfil de uma boa golpista.

Golpe de roubar marido: coloquei este nome em lugar de "golpe de roubar cônjuge" porque geralmente é praticado por mulheres. Para funcionar, o alvo precisa ter uma ou mais das seguintes características: ingenuidade; pouca experiência com o sexo oposto; pouca atratividade sexual; crise de meia-idade. Uma senhorita, geralmente bem mais jovem que o senhor, cria situações para que se desenvolva um flerte e surja um caso de amor/sexo de proporções jamais encontradas anteriormente na biografia do alvo. Pelo fato disto nunca ter sido vivenciado antes nesta intensidade, a senhorita consegue virar a cabeça do sujeito, que larga mulher, filhos e até algumas amizades para contrair novas núpcias. Caso falhe, a EA poderá recorrer ao golpe da barriga. Em tempo: se a senhorita de fato se apaixonou pelo alvo, então não é um EA, uma vez que ninguém foi logrado.

Golpe do malabarista: mais típico de homens. O EA se relaciona com várias mulheres ao mesmo tempo, sem que uma saiba da outra, na maioria dos casos. Os malabaristas mais hábeis conseguem fazer o mesmo truque com todas as mulheres sabendo umas das outras, fazendo porém com que fiquem com raiva das rivais e não do "galante sedutor", uma vez que ele convence cada uma delas de ser a que de fato é especial.

Golpe do amigo café-com-leite: mais tipicamente praticado por mulheres. Em momentos em que não estão muito seguras de seu próprio valor, certas mulheres se deixam paparicar por sujeitos que, sem pegada suficiente para cortejá-las direito, ficam rodeando e adulando, crentes de que estão comendo o mingau pelas beiradas. Sem interesse afetivo/sexual no sujeito, apesar de perceberem que o clima é mais de “Eu preciso dizer que te amo” - aquela canção do Cazuza - do que de outra coisa, elas trocam a atenção e a bajulação por uma falsa esperança que vem de umas migalhas de atenção jogadas estrategicamente. Por que é um EA? Porque em uma transação legítima, ambas as partes recebem o que querem. Esta situação perdura até que o sujeito faça - ou pareça estar prestes a fazer - uma besteira, como escrever um poema de mil versos em um rolo de papel higiênico e aparecer declamando em frente ao prédio dela, com a TV filmando, claro.

E você, conhece mais alguma forma de Estelionato Afetivo?

terça-feira, 3 de março de 2009

Só faltava essa...

Ontem eu ia postar de manhã, mas faltou-me tempo. À tarde, depois de concluídas as tarefas do trabalho, faltou-me inspiração. Faltou tempo ao Juiz para me receber e conversar sobre os recursos que ainda faltam para subsidiar meu trabalho. Em casa, recuperando as energias no sofá, decidi faltar ao grupo de canto. Via um filme para relaxar um pouco, mas faltou luz até meia-noite. Fui dormir, mas com o calor e a falta de sono, faltava-me o que fazer, depois de ter tocado violão até me faltar vontade de continuar. Aí a luz voltou, liguei o ar condicionado e tudo ficou muito melhor, até que faltou luz novamente. Aí pensei: só faltava essa... Depois pensei melhor: não senhor, tá faltando muita coisa.

P.S.: Hoje vai faltar ilustração para a postagem.

 
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