segunda-feira, 23 de março de 2009

Em frente à TV


Ainda que ninguém tenha perguntado, gosto de assistir televisão. No entanto, quando estou em casa, prefiro passar a parcela de tempo livre na frente do computador, que me permite manter algumas amizades vivas mediante o uso do Messenger e do Orkut, além de exercitar a escrita. Quando o cansaço ou alguma virose me derrubam, dificultando a leitura e a escrita, vou para frente da TV, que é uma distração que não exige esforço. Não compreendo a televisão como a fonte dos males da humanidade, que já era bem ruinzinha antes do seu advento. É claro que ela vive de anúncios e precisa, portanto, bombardear os telespectadores com propaganda, estimulando o consumismo. Também é evidente que os donos de redes de TV se curvam a interesses econômicos de classes, dando um viés ideológico ao telejornalismo. Parece-me óbvio que a busca de audiência leva a uma programação predominantemente rasteira - sim, podem me apedrejar os professores e estudantes de comunicação que acham que tudo é cultura. Porém, TV é basicamente entretenimento com algumas pitadas de informação; em nenhum momento foi fixado que seu objetivo seria o de uma segunda escola. Nesse sentido, embora também forme valores e crenças, ela principalmente reflete as crenças e valores vigentes. Além disso, este aparelhinho virou uma espécie de acompanhante eletrônico para os que vivem sós ou precisando de distração, como crianças e idosos.

Quanto à programação, gosto é gosto e nem adianta puxar uma briga. Eu gosto de filmes, seriados, documentários, entrevistas, esportes, música e culinária. Não tenho nenhum argumento decente para dizer por que gosto de comédias situacionais (A Grande Família, Os Normais) e não de novelas. O argumento indecente é que, na comédia de situação, tanto quem acompanha a série quanto os que chegaram agora podem apreciar o episódio, já que ele normalmente tem uma estrutura dramática completa, com início, peripécia, tensão e resolução. Traduzindo: tem uma historinha compreensível em si mesma, ainda que esta se enquadre em outra história maior. Uma coisa que não gosto, porém, é desse esquema recente de programação voltada para a ridicularização dos participantes: gente de mau gosto que aprende a se vestir; gordos que são humilhados em competições de perda de peso; belos e burros que expõem sua ignorância junto com seus corpinhos (por que não só os corpinhos?); gente despreparada que dá dicas sobre sexualidade humana ou relacionamentos, só por ter uma imagem que provoca identificação nos espectadores; pobres e deficientes que participam de pequenos circos de horrores, apenas para pleitear recursos para exames ou tratamentos caros; programas que esmiúçam a intimidade podre de celebridades adictas, promíscuas, agressivas ou fora da casinha. Contra isso, felizmente, a TV vem com dois recursos importantes, desde que foi inventada: o seletor de canais e o botão liga/desliga.

3 comentários:

marlise disse...

Ultimamente não tenho mais assistido TV. Fico no computador. Mas, gosto de alguns programas. Odeio propragandas. Salvo algumas. Mas, a maioria das vezes acho um tédio. E quanta coisa ridícula? Você mesmo as citou. E quando não podemos nem conversar? É dose...

Alline disse...

Adoro televisão, vejo muito, até coisas que você consideraria de mau gosto. Tudo bem, o que importa é que a TV é democrática. E fica cada um no seu quadrado. *=P
Beijinho

Paulo César Nascimento disse...

Marlise: quando morava com meus familiares, também achava um saco quando o pessoal ocupava todo o tempo com TV e não sobrava uma brecha pra conversar. Bjs!

Alline: tem coisas que eu acho graça, mas no geral me dá um desânimo... Bjs

 
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