segunda-feira, 9 de março de 2009

Escutas conjugais


Sentados no boteco, Teixeira, Aníbal, Zeca e Valtão bebem seus chopes e comem petiscos. Teixeira reclama da namorada:
- Pois não é que a Priscila resolveu inventar que fui eu que comecei a briga com a mãe dela? Inverteu tudo! Parece que não tem memória... Agora eu que passo por maluco! O vilão da história!
- Ih, Teixeira, mulher é tudo igual, a minha esposa faz o mesmo - fala o Valtão.
- A Marisa nunca faz dessas. Entre a gente existe diálogo - diz o Zeca.
- A Marisa nunca faz dessas. Entre a gente existe diálogo - imita o Valtão com língua de fora e pose de cãozinho obediente. Todos riem, menos o Zeca.
- Tô falando sério, porra!
- Zeca, então ela é uma exceção e você é um abençoado - conclui o Teixeira.
- Eu gravo - fala o Aníbal, que até o momento mastigava uma calabresa.
- Como é que é?
- Lembram do Cacique Juruna, que gravava as promessas dos políticos pra eles não desdizerem o que prometeram? Pois eu cansei da Léa inverter as histórias quando a gente discute, aí comprei um aparelhinho pra gravar as conversas. Sempre que acontece alguma coisa que eu percebo que depois ela pode se fingir de louca, eu gravo. Depois faço cópia em CD e catalogo.
- Credo, Aníbal! Eu sabia que você não era bem certo da cabeça, mas essa aí extrapolou...
- Valtão, de tanto que ela invertia as coisas, eu mesmo cheguei a achar que estava ficando maluco. Parei de confiar na minha memória. Cheguei a ir no psiquiatra...
- E a Léa?
- Olha, foi um santo remédio. A primeira história que ela inverteu eu saquei o aparelhinho e toquei a gravação pra ela ouvir. Ela ficou de queixo caído, depois não se deu por vencida. Fez uma cena, só faltou chorar.
- Mas depois ela aceitou? perguntou o Zeca.
- Aceitou nada, disse que o que eu fiz foi um absurdo. Ameaçou ir embora pra casa da mãe dela. Sabe como essas coisas são. Ficou dois dias sem falar comigo.
- E o que você fez a respeito? perguntou o Teixeira.
- Continuo gravando tudo. Ela tem direito de querer o que der na telha, de mudar de idéia, de ser volúvel, de não ser coerente, tudo isso eu aceito, mas tem um limite. O que aconteceu, aconteceu, pô! Se a gente não pode mais confiar na realidade dos acontecimentos, vai confiar no quê?

6 comentários:

Zingara disse...

HAHAHAHAHA

MUITO BOM! Não vou defender a mulher neste momento, desculpem, minhas amigas: MAS FALAMOS TANTO que muitas vezes NEM SABEMOS O QUÊ! Se um dia um namorado se meter a gravar MINHAS FALAS estarei TOTALMENTE PERDIDA.

marlise disse...

Sinceramente não sei o que comentar. Só sei que um dos dois estava bem mal...

milu leite disse...

olha só os tipos que vc me inventa!
hahaha
ou se inspirou em alguém?
bjo

Paulo César Nascimento disse...

Zin: pode deixar, que eu não conto isso pra ninguém. ;-) Bjs

Marlise: quando um está mal, leva o outro por tabela. Bjs

Milu: mesmo quando me inspiro em alguém, eu invento. É mais divertido. Bjs

Drama Queen disse...

Confessa vai, você criou esse texto enquanto lia minha mente!

Paulo César Nascimento disse...

Drama Queen: é difícil ler sua mente, ela fala tantos idiomas... Bjs

 
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