quinta-feira, 30 de abril de 2009

Bolachões revisitados


Em 1994, meu três em um quebrou, então resolvi fazer uma liquidação de meus discos de vinil. Achava que iria fixar residência em Porto Alegre e os CD estavam substituindo os bolachões no mercado. Tinha jazz, mpb, new age, rock de vários tipos, bossa nova, enfim, muita coisa difícil de reencontrar, mas eu estava virando uma página.

Comecei a resgatar os bolachões no torrent. Porém, não deve ser só isso...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Honrosas exceções


Esses gols do Ronalducho ontem me deixaram meio ambivalente. Por um lado, a solidariedade de quem também está acima do peso e prefere o futebol-arte às invencionices européias que o Cláudio Coutinho importou e o Parreira sacramentou. Por outro, o fato abre um precedente para que se volte a levar jogadores fora de forma para competições importantes como a Copa do Mundo. É interessante testemunhar cada renascimento dele na mídia, uma verdadeira fênix, mas isso é apenas um testemunho de que assim como la donna, la pressa è mobile - assim mesmo, em italiano selvagem.

O George Foreman, antes de virar o tiozinho do Grill, foi um dos maiores boxeadores que o mundo já viu. Teve o azar de topar com o Muhammad Ali, o Pelé do boxe. Depois de coroa, bem pesadão, ainda deu uns cascudos em um monte de gente. Quase botou o Evander Hollyfield (o das orelhas mordidas pelo Tyson) pra dormir.

Também foi manchete recentemente uma feiosa inglesa que canta como poucos, ao despontar em um desses shows de novos talentos. Susan Boyle deixou o público e o júri de queixo caído, principalmente porque ninguém esperava nada de uma mulher de meia-idade, malvestida e com buço. Quer dizer, a produção já sábia, que os caras não são trouxas nem nada, mas tinham que fazer um mis-en-scène, uma vez que a falsa surpresa era fundamental para fazer virar notícia.

Se eu não me engano, os três já foram pobres. Conclusão: para superar o repúdio popular diante dos quatro pecados contemporâneos (gordura, velhice, feiúra e pobreza), o sujeito tem que ser gênio.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

judocas, street-fighters e políticos


O Judô é uma arte marcial desenvolvida no Japão pós-guerra, uma espécie de adaptação de jiu-jitsu para que ficasse menos letal e pudesse servir como esporte para jovens. Há muitos golpes e técnicas proibidas, juízes e sistema de pontos. Outra forma de jiu-jitsu migrou para o Brasil, gerando o jiu-jitsu brasileiro, um estilo de arte marcial muito mais eficiente do que plástico. O vale-tudo foi uma forma de a família Gracie popularizar o jiu-jitsu brasileiro, desbancando outras artes marciais de movimentos mais bonitos. Era uma forma de dizer: tudo bem, seu estilo é elegante, mas funciona na hora H? Aí desafiavam os lutadores de outras academias para uma situação muito próxima da briga de rua, com regras mínimas (era um vale quase-tudo), como não furar olhos, morder, apertar os testículos, quebrar dedos ou rasgar a boca do oponente. Com o tempo e a evolução do vale-tudo, os lutadores de jiu-jitsu começaram a aprender boxe ocidental, boxe tailandês e outras modalidades de luta que complementassem suas habilidades de grapplers. A própria evolução dos campeonatos internacionais transformou o vale-tudo em mixed martial arts (MMA), com torneios cheios de regras, restrições e juízes. A briga de rua é o verdadeiro vale-tudo - inclusive brigar de turma, usar revólveres, garrafas quebradas, porretes, mentiras e tudo o que estiver disponível.

Por que puxei esse assunto? Para falar sobre a sociedade. Tem gente que acha que a vida é um judô: todo mundo deve lutar conforme as regras, evitar golpes que ofereçam risco, confiar na justiça e no bom senso dos árbitros. Outros se comportam como se fosse jiu-jitsu: os golpes letais estão aí, mas há que se respeitar às regras e árbitros, não ultrapassando limites. Também há quem ache que o mundo é um grande vale-tudo: tirando os golpes sujos, salve-se quem puder. Finalizando, há os que acham que a vida é briga de rua: cuspe no olho e chute no saco.

Eu, criado na classe média católica e assalariada, aprendi que devia lutar judô, ou no máximo jiu-jitsu com a vida. É assim que eu venho vivendo. Porém, estou cansado de saber que muitos políticos, militares, traficantes, empresários, enfim, essa gente que lida com muito poder e dinheiro, segue a lei da briga de rua, ou pelo menos a do vale-tudo. Por isso, quando recebo via e-mail uma corrente indignada com esse pessoal, reflito sobre a ingenuidade humana: será que o cara que enviou não percebeu que judô não vence briga de rua? Posso não cuspir no olho, nem chutar o saco dos outros, mas certamente tento proteger minhas áreas vulneráveis, pois o ser humano é um bocado desumano.

Obs: o karateca da ilustração é Fred Ettish, que descobriu do pior modo possível que nem tudo na vida é como no Dojo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Livros noturnos


Costumo sonhar com livrarias e bibliotecas maravilhosas, com textos antigos, raros. Hoje fiquei babando na biblioteca do meu tio, lamentando não dispor de tempo livre no momento para devorar alguns daqueles volumes. Meu sobrinho mais velho (dois anos incompletos) acha que todos os livros do mundo são meus: aponta e diz o meu nome. Fica evidente aqui minha paixão pela leitura. Em minha opinião, depois da linguagem falada, a escrita foi um dos grandes saltos da humanidade. Chega a ser esquisito pensar que no passado alguns governantes eram analfabetos - no presente são no máximo semi-analfabetos, o que já é um avanço. A escrita e a leitura já foram coisa para poucos, o que também determinava um certo status, além de poder de fato. Contratos escritos, registros comerciais, relatos históricos, tudo isso evita (ou pelo menos dificulta) uma série de incompreensões, equívocos e mentiras deslavadas. Já mencionei no blog que a leitura e a escrita permitem a comunicação com os mortos, mas vou além: permitem que você descubra que em lugares distantes existem pessoas mais próximas de você, do ponto de vista existencial, do que seus vizinhos. Muito do que a humanidade já produziu de melhor foi registrado em livros, muitos deles queimados por ditadores dispostos a policiar ideologicamente a população letrada. A própria Igreja já desempenhou este papel com seu index (índice de livros proibidos), patrulhando suas ovelhas quanto à leitura de idéias perigosas. Por outro lado, ao entrar em uma livraria nos dias de hoje, têm-se a impressão de que pouca coisa que preste foi escrita nas últimas décadas, pois as editoras investem nas publicações com pouco risco: auto-ajuda, banalidades de famosos, best-sellers água com açúcar e livrinhos "fofuxos" de bichinhos sonolentos. As restantes são obras de gente morta, já de domínio público (nada de direitos autorais, portanto), então os novos escritores disputam prateleiras com os gênios do passado, além dos bobos do presente. Felizmente, nos meus sonhos as bibliotecas e livrarias selecionam melhor suas obras. Pena que acordo depois de ter apenas folheado um ou outro livro...

sábado, 18 de abril de 2009

Déjà vu


Adriana disse a Pedro, seu novo namorado:
- Ih, meu ex-marido está nos seguindo! Ele ainda sente ciúmes de mim e já espancou dois amigos meus!
- Deixe comigo.
Pedro desceu com um porrete e quebrou a clavícula do rival, libertando Adriana de um homem violento e sem capacidade de dialogar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Esperando Godot


Não sou um conhecedor do teatro, mas certa vez ouvi falar em uma peça de Samuel Beckett chamada "Esperando Godot", classificada por alguns como "Teatro do Absurdo". Dois caras ficam esperando por um terceiro, o tal do Godot, que não se fica sabendo ao certo quem é. E ficam nessa espera infrutífera pelo tal do Godot, que nunca chega, falando sobre banalidades e tentando se comunicar sem muito sucesso. Uns dizem que o Godot é uma metáfora de Deus, mas eu acho que era um desses caras terceirizados que instalam TV a cabo, internet rápida ou trocam carvão de filtro. Hoje perdi um tempão esperando Godot.

domingo, 12 de abril de 2009

Ilustres desconhecidos


As discussões de botequim geralmente gravitam em torno de clichês: "quem foi melhor: Pelé ou Maradona?"; "Pra mim ou grande guitarrista do rock foi o Rhandy Roads! Que nada, foi o Ritchie Blackmore!"; "Pra mim, o ato mais vendido da Academia Brasileira de Letras foi aceitar o José Sarney! Nada disso, aceitar o Paulo Coelho foi muito pior!"

Aí vai mais um chopinho, uns rollmops, um ovo em conserva daqueles que mataram o guarda, e o papo segue, inútil e divertido, pelo ventre da madrugada. No entanto, às vezes está no grupo um sujeito que você nunca sabe direito se é um connoisseur ou um blefador, que sentencia algo do tipo:

- Pelé?! Não! O melhor futebolista do mundo foi o Tibinguinha, que jogou em 1940 na Portuguesa de Desportos.
- Paco de Lucia, melhor violonista flamenco do mundo?! É porque vocês nunca ouviram Pepe Cabeza!
- Paulo Coelho, mau escritor?! É porque vocês nunca leram Hans Apffelstrudel, o carrasco das letras!

Na impossibilidade de contra-argumentar, todos se calam e é preciso partir para um novo assunto. Porém, há casos em que não se trata de blefe. Certa vez, estava em uma rodinha de violão com um músico profissional que já acompanhou o Djavan. Perguntei a ele de onde um alagoano pobre, filho de lavadeira, tinha buscado as informações para harmonias e levadas tão inusitadas no violão (referindo-me aos primeiros trabalhos de Djavan e não à fase mais pop). Ele disse que foi influência do Filó, que era ainda melhor que o Djavan. Segundo ele, o Filó só não apareceu tanto por ser feio, enquanto o Djavan é estiloso. Fiquei meio ressabiado e fui falar com outro amigo músico, que nunca tinha ouvido falar do tal de Filó, o que remeteu ao "papo Tibinguinha, Pepe Cabeza e Hans Apffelstrudel."

Ledo engano. Lá por 2006, creio, o Filó Machado apareceu aqui em Florianópolis em uma edição do Projeto Pixinguinha. Subiu no palco um afro-brasileirinho barrigudinho, de cabelo raspado e camiseta regata; parecia uma miniatura do Shrek feita de chocolate. Pensei com os meus botões: pelo menos metade da história é verdade. Aí o cara começou a cantar e tocar... Olha, foi de cair o queixo! É o tipo do cara que sempre fará mais sucesso fora do Brasil do que aqui nesse universo do jabá pras rádios, mas quem tiver oportunidade, vá conferir. Ele costuma tocar mais em São Paulo, mas tem uns vídeos espalhados pelo youtube pra matar a curiosidade de quem não puder assistir ao vivo.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Coelhinho, se eu fosse como tu...


A Páscoa é um feriado celebrado por Judeus e Cristãos. A Páscoa judaica, ou Pessach (passagem), é uma celebração pela libertação do povo judeu por Moisés, no Egito, representando o sacrifício ordenado por Deus antes da última praga lançada ao Faraó (a morte dos primogênitos), há cerca de 3.500 anos. Na ocasião, os judeus deveriam sacrificar um cordeiro por família, colocando o sangue deste no umbral da porta para que seus primogênitos fossem poupados pelo anjo da morte enviado pelo Senhor. Deveriam então jantar o cordeiro com pães ázimos (sem fermento) e ervas amargas. A “passagem” aí comemorada é a do anjo da morte. De um modo interessante, o sacrifício do cordeiro reedita aquele realizado por Abraão em lugar de seu primogênito Isaac. Felizmente para mim, que sou primogênito, este costume de sacrificar o primeiro filho, os primeiros animais de criação e os primeiros frutos da terra, de modo a dizer “primeiro para a divindade, depois para nós”, foi substituído por outras formas de sacrifício simbólico. O gancho para a Páscoa Cristã ocorre quando Deus inverte a lógica da coisa e sacrifica seu próprio filho (ou a si próprio, a se crer na Santíssima Trindade) pela humanidade, para (o) ressuscitar em seguida e afirmar sua vitória sobre a morte. Há aqui a idéia de renovação de uma aliança, de uma promessa de libertação das mazelas humanas provocadas pelo primeiro ato de desobediência (vontade própria?) da humanidade.

A idéia de celebrar a renovação que ocorre na primavera já existia em costumes germânicos antes destes povos serem cristianizados, o que provocou uma espécie de fusão dos símbolos associados às duas festividades. Ostera (Eostre), a deusa germânica da fertilidade e do renascimento, é representada com um ovo na mão e uma lebre pulando ao seu redor. Eu sempre me perguntei de onde vinha essa idéia de que o(a) coelho(a), mamífero que é, ponha ovos na páscoa. Hoje eu descobri que, na tradição germânica, Ostera transformou uma ave em lebre, deixando-a infeliz, até que o apelo das crianças fizesse que a lebre fosse transformada novamente em ave, que presenteou a deusa com seus ovos - uma forma engenhosa de unir os símbolos de renovação e fertilidade. No entanto, podemos reportar os ovos de páscoa a um costume sumério de pintar ovos e enterrá-los em homenagem a Ishtar, a deusa, na celebração ocorrida no Equinócio de primavera. Os chineses também tinham o costume de presentear com ovos coloridos durante esta época, como símbolo de renovação. Com a cristianização dos povos germânicos, o costume de presentear com ovos coloridos foi incorporado à celebração da morte e ressurreição de Cristo. No século X, o Rei Eduardo I presenteava os importantes de sua época com ovos banhados a ouro ou decorados com pedras preciosas. O czar russo Alexandre III, em 1885, imitou este costume e solicitou ao joalheiro suíço Fabergé um ovo de ouro e pedras preciosas com mais presentinhos dentro, uma espécie de “Kinder Ovo” versão milionária, para presentear sua esposa Maria. Ela gostou tanto que o marido passou a encomendar um diferente por ano. O costume atravessou as gerações, durando até 1917. Embora eu não simpatize com o comunismo, posso imaginar o motivo dos camponeses terem se revoltado.

O chocolate só entrou na festa após as grandes navegações, pois veio da América do Norte (Astecas e Maias). Foi no século XVIII que confeiteiros franceses resolveram fazer ovos de chocolate. O processo deve ser muito complexo e oneroso, afinal de contas uma barra de chocolate de 180 gramas custa em torno de R$ 4,00, enquanto um ovo de chocolate da mesma marca e peso custa em torno de R$ 20,00 (modo irônico on). Aos que se perguntavam a relação entre um coelho esconder cestinhas com ovos de chocolate, a morte e ressurreição de Jesus, ou ainda se perguntavam como Jesus poderia ter chegado a Jerusalém na Páscoa, se nem tinha morrido para que a festividade surgisse, espero que tudo agora esteja fazendo mais sentido.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Mal passado


Brasília, em um Grill Restaurant. O maitre se aproxima do elegante senhor:
- Com licença, cavalheiro. Está servido? Como estava o seu churrasco de índio?
- Era índio?! Pensei que fosse mendigo!

domingo, 5 de abril de 2009

Coisas que testemunhei


Nasci no final da década de sessenta, por isso tive oportunidade de testemunhar alguns acontecimentos dos quais a moçada só ouviu falar. Tenho boa memória, então quando vejo o pessoal tentar desmentir ou minimizar coisas que de fato aconteceram, inclusive dando um dinheirinho a jornalistas de aluguel, bate uma sensação de que o esquecimento leva a verdade embora. Não é à toa que existem certas formas de amnésia psicogênica, ou dissociativa, para proteger-nos de verdades dolorosas – é nisso que a psicanálise se baseia, em grande parte: o mecanismo do recalque. Há outras formas de amnésia (ou hipomnésia) de fundo orgânico, como nas demências, as quais hoje em dia todo mundo chama de “Alzheimer” - a forma de demência mais famosa, porém não a única e não necessariamente a mais freqüente. As estatísticas são pouco confiáveis, uma vez que a única forma de diagnóstico garantido de mal de Alzheimer é por autópsia, coisa que praticamente ninguém faz. Depois de morto o paciente, não há mais interesse nisso. Voltando à questão da verdade, quanto mais ficamos esquecidos, mais nossa biografia se perde. O que temos do que vivemos, senão as recordações? Então vou retomar o tema da postagem e mencionar coisas que testemunhei:

a) O surgimento dos Secos e Molhados, conjunto do qual Ney Matogrosso era o destaque. Imagine, em plena ditadura, um conjunto com um vocalista de visual andrógino, cantando com voz aguda e rebolando... Eu perguntei a mim mesmo, do alto dos meus três ou quatro anos, se aquele cara era homem ou mulher. Já sabia que mulheres tinham mamas e não tinham o peito cabeludo. E ele virava homem e lobisomem na letra da música, o que dava mais um toque de surrealismo a tudo.

b) O Paulo Maluf falar aquela frase infeliz “Está com desejo, estupra, mas não mata!” Vi o programa em tempo real. Ele estava argumentando que não se devia estuprar, mas que isso ainda possibilitaria que a vítima se recuperasse, já a morte seria irreversível. Ele contextualizou, mas arrematou com essa frase de péssimo gosto, como se estuprar fosse aceitável.

c) A Xuxa fazendo papel da prostituta que iniciou sexualmente um menino no filme “Amor, estranho amor”. Em primeiro lugar, ela não era ainda “Rainha dos baixinhos”; em segundo lugar, quem iniciou o menino foi a personagem, não a atriz, e fazia sentido dentro do filme; terceiro, não era ainda época do politicamente correto, então imagens como a desse filme ainda eram viáveis na arte, sem serem consideradas apologia à pedofilia. Para proteger sua imagem / marca, ela deu um jeito desse filme sumir do mapa.

d) O Pelé, em entrevista à Playboy, falar coisas extremamente deselegantes sobre seu relacionamento com a Xuxa, além de dizer que o primeiro relacionamento sexual que teve foi “... com uma bicha que todo o time comeu”. Recentemente, ao dizer que Maradona tinha sido um mau exemplo, ouviu o que não quis de Dieguito, que lembrou o evento. Romário tinha razão: Pelé, de boca fechada, era um poeta.

e) O Paulo Coelho dizer, em entrevista à TV, que conseguia fazer ventar com seus poderes de Mago. Anos mais tarde, uma reportagem de uma das revistas mais vendidas do país (com trocadilho) mencionou que a história do vento mágico era uma distorção.

Isso sem falar nos políticos, que quem entendeu mesmo foi o cacique Juruna: tem que gravar o que esses mentirosos profissionais dizem.

Por isso, garotada, anotem suas memórias, porque no futuro será dito que Mensalão nunca existiu, assim como os anões do orçamento, as vantagens nas privatizações e o mensalinho do PSDB, as mentiras sobre armas químicas no Iraque de Saddam Hussein, as torturas de Guantanamo, tudo isso será transformado em “Ditabranda”.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Os Hermanos e o chocolate


É pura maldade tirar onda com os argentinos pelo 6 a 1 que sofreram frente à portentosa equipe boliviana. Não entendo este costume de ironizar as derrotas de Maradona e seus conterrâneos, em nome de uma pretensa arrogância dos hermanos.

Tudo não passa de uma grande injustiça!

- Argentinos são generosos: deram-nos Piazzolla, Borges e Cortázar, além das duas últimas edições da Copa América e a Copa das Confederações!

- Argentinos são desprendidos: gentilmente, com o Passarela como técnico, deram-nos a alegria de evitar a convocação de jogadores cabeludos, descartando craques como o Fernando Redondo e deixando nosso caminho mais livre.

- Argentinos são solidários: em 1978, generosamente investiram no futebol peruano, fornecendo um goleiro (Quiroga) e subsídios aos jogadores.

- Argentinos são fraternos: em 1982, com Fillol, Passarela, Tarantini, Kempes, Ardiles, Maradona e Valdano, aceitaram como verdadeiros "hermanos" nosso convite para um chocolate, situação em que Dieguito gentilmente provocou sua própria expulsão a fim de evitar a tentação de uma virada nos últimos cinco minutos.

- Argentinos não são rancorosos: em 1986, passando por cima das cicatrizes das Falklands, estenderam a mão aos ingleses (a bola bateu nela e entrou, um gesto até hoje visto com incompreensão).

- Argentinos sabem dividir: em 1990, cientes da insônia de alguns jogadores como o lateral Branco, deram de sua própria água com soníferos aos brasileiros.

- Argentinos não têm preconceitos com os farmacodependentes: em 1994, trouxeram o Dieguito de volta para a seleção. Infelizmente, a FIFA é preconceituosa e não aceita a política de redução de danos, exigindo que os jogadores permaneçam em abstinência durante toda a competição.

- Argentinos sabem retribuir: em 1998, deixaram que os Holandeses os eliminassem, retribuindo o favor da vitória em 1978, tão benéfica aos generais argentinos. Em 2002, sabendo da mágoa dos Ingleses por 1986, abdicaram da classificação no Grupo da Morte, permitindo que os ingleses os vencessem por 1 X 0, ajudando também os campeões franceses a minimizarem seu próprio vexame ao deixarem a copa na primeira fase.

- Argentinos são educados: em 2006 não permitiram que os anfitriões alemães, jovens e comandados por um técnico inexperiente, passassem vergonha em sua própria casa: entregaram o jogo nos pênaltis.

Por isso, todos devemos entender que o referido placar foi apenas uma "broma" de primeiro de abril. Afinal de contas, páscoa é tempo de chocolate!

 
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