segunda-feira, 27 de abril de 2009

Honrosas exceções


Esses gols do Ronalducho ontem me deixaram meio ambivalente. Por um lado, a solidariedade de quem também está acima do peso e prefere o futebol-arte às invencionices européias que o Cláudio Coutinho importou e o Parreira sacramentou. Por outro, o fato abre um precedente para que se volte a levar jogadores fora de forma para competições importantes como a Copa do Mundo. É interessante testemunhar cada renascimento dele na mídia, uma verdadeira fênix, mas isso é apenas um testemunho de que assim como la donna, la pressa è mobile - assim mesmo, em italiano selvagem.

O George Foreman, antes de virar o tiozinho do Grill, foi um dos maiores boxeadores que o mundo já viu. Teve o azar de topar com o Muhammad Ali, o Pelé do boxe. Depois de coroa, bem pesadão, ainda deu uns cascudos em um monte de gente. Quase botou o Evander Hollyfield (o das orelhas mordidas pelo Tyson) pra dormir.

Também foi manchete recentemente uma feiosa inglesa que canta como poucos, ao despontar em um desses shows de novos talentos. Susan Boyle deixou o público e o júri de queixo caído, principalmente porque ninguém esperava nada de uma mulher de meia-idade, malvestida e com buço. Quer dizer, a produção já sábia, que os caras não são trouxas nem nada, mas tinham que fazer um mis-en-scène, uma vez que a falsa surpresa era fundamental para fazer virar notícia.

Se eu não me engano, os três já foram pobres. Conclusão: para superar o repúdio popular diante dos quatro pecados contemporâneos (gordura, velhice, feiúra e pobreza), o sujeito tem que ser gênio.

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