sábado, 23 de maio de 2009

Bugigangas


Houve um tempo em que os fabricantes tentavam garantir suas vendas com base na qualidade e na durabilidade dos produtos. O problema é que, por serem bons e duráveis, uma vez comprados, permaneciam com seus donos por muito tempo e os fabricantes precisavam encontrar outros compradores. Isso até um espertalhão, entre a década de 30 e a de 40, inventar a chamada "obsolescência programada", que é um jeito do produto ser feito pra estragar depois de um tempo determinado, obrigando o dono a comprar outro. Depois disso, outro espertalhão inventou a "obsolescência forçada". Utilizando o exemplo da informática: pela rápida evolução tecnológica, você é obrigado a trocar de computador para que os programas mais modernos funcionem, até o ponto em que você não tem mais como conservar sua máquina, uma vez que muitos dos arquivos gerados pelos programas novos são incompatíveis com os mais antigos.

Pois bem, não sei que nome recebe na economia o processo recente de encher os produtos de bugigangas, então chamarei de "bugiganguismo", na falta de palavra melhor. Se algum economista ou administrador souber o nome certo, peço que o diga nos comentários. Hoje em dia, se você quiser um telefone celular que funcione apenas como telefone, ou mande torpedinhos, não encontrará nenhum modelo novo. Aliás, todos terão rádio, mp3 player, máquina fotográfica, joguinhos, gps, televisão, desentortador de bananas, medidor glicêmico, aconselhador astrológico, bússola, abridor de latas laser e outras "utilidades", quer você queira, quer não. Você vai comprar um automóvel e descobre que lobbies "seduziram" os parlamentares para que um kit de primeiros socorros, air-bags ou um kit de manicure virassem itens de segurança obrigatórios. Além disso, se você quiser direção hidráulica e ar-condicionado, tem que comprar na marra as bugigangas que acompanham o modelo "extra vip", como o cinzeiro automático ajustável, o massageador de costas e o dvd player no banco de trás, porque o modelo "mão-de-vaca" não aceita ar-condicionado e direção hidráulica, embora seja o mesmo veículo. Ou você compra o pacote "fru-fu" e deixa uns seis mil reais a mais na concessionária, ou nada feito. Tem gente que curte bugigangas e acha o máximo que seu telefone seja um canivete suíço, mas eu acho um saco ter que levar um mp3 player a cada eletrodoméstico que compro. Daqui a pouco até os liquidificadores e os fornos de microondas virão com TV e mp3 player, só pra gente ter que pagar mais por uma bobagem que nem usará. Sem falar no gasto de bateria... Bugiganguismo me deixa de mau-humor.


4 comentários:

marlise disse...

Olá Paulo! Realmente, estes eletrônicos vêm com coisas bem desnecessárias! Um abração.

Victor disse...

Rapaz, o que posso acrescentar é que existe um nome técnico para esses bagulhos tecnológicos... “gadgets”, que são equipamentos eletrônicos (em geral pequenos e tido como modernos)...
Existem gráficos que demonstram que o ciclo do produtos está cada vez mais curto... fazendo com que os aparelhos fiquem defasados cada vez mais rápido... e aí, a indústria dita as regras da moda e batiza os produtos “must have”, lançamentos caros, com valor agregado e tecnologicamente mais atualizados.
Tem a turma que é mais esperta, espera o bagulho deixar de ser lançamento para baixar o preço e comprar mais tarde... a preços mais camaradas... esses são os “Late adopters”, mais conservadores e que em geral prezam mais por seu dinheirinho...
E tem ainda a turma do “lowtech”, que prefere ficar com a máquina de escrever, telefone de disco e coisas do tempo do paleolítico.
Aliás, falando em tecnologia, hoje é o Dia do Orgulho Geek... ou ainda, dia mundial dos Nerds... vc tem algum amigo Nerd? Dê os parabéns a ele, hoje é seu dia...

Victor disse...

Vc e o cumpadre Iuri são duros na queda, hein?
Aquelas torres gêmeas que ajudei a derrubar ficaram zunindo no meu já carcomido cérebro no domingo inteiro... um verdeiro soco no meu figo! Mesmo assim, valeu pela noite!
Vamos combinar outra (mais comedida) qquer hora dessas... lembrando de reservar um daqueles teus livros de sacanagens...

Abs.

Paulo César Nascimento disse...

Marlise: a tendência é piorar, eu suspeito. Abç.

Victor: "lowtech" já acho exagero, mas "hi-tech" demais é geek demais pra mim. Li uma matéria diferenciando os geeks dos nerds. Aparentemente, a vida sexual dos geeks é mais movimentada. Pensando bem, do jeito que são fanáticos por gadgets, o provável é que transem com bonecas vibratórias. Abs.

P.S.: eu comentei com você e o Iúri que a última torre seria perfeitamente dispensável.

 
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