sábado, 9 de maio de 2009

A mulher do próximo


Normalmente eu fujo de shopping-centers nas vésperas de datas especiais (eufemismo para datas consumistas) como Natal, Páscoa, Dia dos Pais, Dia dos Namorados e Dia das Mães. Não que Jesus, Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, nossos pais, mães e namoradas não mereçam homenagens, mas o comércio bate palmas e depende de nosso costume de fazer (e exigir) demonstrações de amor na forma de presentes. Como o brasileiro normal estuda na véspera da prova, fura fila de cinema, fila cigarro e deixa tudo para a última hora, estes estabelecimentos costumam transbordar de gente nestas datas. Hoje em dia eu não tenho muito prazer em fazer compras, mesmo de livros e CD, então geralmente eu chego às lojas com uma noção bem clara do que quero e louco para ir embora. Isso significa que não costumo levar comigo mulher alguma, porque a esmagadora maioria delas adora mandar descer tudo das prateleiras, experimentar, imaginar, fazer combinações mentalmente - um momento de prazer e diversão no consumo e suas preliminares. Até as revistas femininas, patrocinadas pelos promotores de orgias de consumo, sabem que casal em shopping é briga na certa e recomendam que você, leitora, leve uma amiga ou um amigo gay a estas situações, em lugar do marido ou namorado. Tive uma semana bem corrida, então fui comprar presentes para minha mãe e para o meu cunhado (de aniversário esta semana) na última hora. Estava em uma loja, quase cobiçando a mulher do próximo, quando percebi a situação: o pobre diabo estava tão cansado que a voz nem saía, ela mandou descer tudo das prateleiras depois do presente já ter sido escolhido, ele louco para ir embora. O sujeito estava quase pagando, quando ela perguntou se ele pegou o cupom em uma loja em que haviam comprado outras coisas e ele disse que não, pois a fila estava enorme. Ela começou a chateá-lo para irem lá, pois a soma de pontos em compras assegurava de brinde uma bolsa vagabunda com estampas de algum estilista ou artista famoso (com outra fila enorme para pegar). Ele suspirou e aceitou, resignado. Aí estava virando as costas, quando ela pediu duas sacolas pequenas em vez de uma grande para levar os presentes (provavelmente da mãe e da sogra). Não tinha. Antes que ela abrisse a boca, ele pegou outra sacola grande e saiu da loja, sem dar tempo para maiores debates estéticos sobre presentes pequenos ficarem bem ou mal em sacolas grandes. Após saírem, comentei a situação com as vendedoras, que tudo testemunharam, e elas mesmas se apiedaram dele (antes que me chamem de misógino). É por essas e outras que não se deve cobiçar a mulher do próximo.

15 comentários:

milu leite disse...

querido, há mulheres e mulheres do próximo e do distante também.
imagine que esse cara pode ser um chatonildo que arrasta a mulher pra comprar presente pra mãe dele! e isto porque ele não compra sozinho, porque não tem saco, porque tem que escolher, enfrentar vendedoras insistentes. imagine que essa mulher aí seja uma pentelha, mas resolva tudo pra ele.
casais, paulinho. eles se merecem.
beijos

FlaM disse...

Mulher do próximo, do anterior do seguinte... maridos babacas...
como disse a Anna, minha amiga, numa frase imortalizada como frase do dia lá em casa:
"Odeio gente casada"
bj!

magda disse...

1.Flam, protesto!!Assim como existem mulheres e mulheres do próximo existe gente e gente casada...
2.Paulinho! não querendo desmerecer teus posts , que eu gosto, quando disse que estava com saudade disso no anterior, me referia aos comentários impagáveis da Milu(com tua resposta idem) que estava sumida e agora da Flam também.

Alline disse...

Shoppings, para mim, são feitos para as raras ocasiões em que não consigo achar o que preciso em outro lugar.
Beijo!

Victor disse...

Paulinho, seu cabra safado!
Finalmente te achei... escrevendo barbaridades e sacrilégios... sem comiseração alguma...
Afinal... qdo é q sai aquele nosso Chopp?

Abs,

Victor Gómez

Victor disse...

Rapaz... qdo li essa aí lembrei do meu último casamento e me deu até um arrepio...
Vc deveria ter me avisado q era assim antes... teria me poupado anos de aborrecimento, tufos de cabelos perdidos e vários mil-réis dilapidados...

Victor disse...

"Misógino" ou Andrógino?
Será q elas ficaram na dúvida?

Paulo César Nascimento disse...

Milu: você está certa, quem não os merece são os filhos. Bjs

Flávia: acho que pra odiar mesmo, precisa estar casada com a gente, não? Bjs

Alline: pois eu encontrei velhos amigos por lá, que há tempos eu procurava em outros lugares. Não adianta, o shopping é um novo templo do velho deus Grana. O pessoal vai lá prestar culto. Bjs

Victor Gómez, seu cabra ordinário! O chopp era pra reunir os velhos amigos da Psico, mas esse povo está cheio de compromissos, então ligue e marcamos com os que estiverem por aqui. Quanto ao casamento, se eu soubesse antes, teria avisado. Nem misógino, nem andrógino, misantropo ou coisa que o valha. Abs!

Paulo César Nascimento disse...

Magda: eu entendi. É que elas comentarem não depende de mim... :-)
Eu também adoro essas provocações da Milu e da Flávia. Responder é tão divertido quanto postar. Bjs!

Rafael disse...

"[...]
E livrai-nos do matrimônio.
Amém!"

=O

Victor disse...

Esta aqui te entrego de brinde, com créditos para o roqueiro Stephen Stills:

“Há três coisas que os homens podem fazer com mulheres: amá-las, sofrer por elas, ou transformá-las em literatura.”

Abração!

Victor disse...

Vamos marcar assim mesmo!
Estabelecemos uma local e data, avisamos os dino-amigos e pronto! Quer quiser e puder que vá!
É mais fácil reunir os congressistas em Brasília do que conseguir juntar TODA a tropa numa mesa de bar!

Abração

Alessandra Brandão Nascimento disse...

Faltou comentar que estavas muito bem acompanhado, ou seja, estavas com tua irmã mais nova, cunhado e sobrinho de 5 meses! Bjs

Victor disse...

Matei a charada!
O cunhado é o protagonista da sua verve!

Paulo César Nascimento disse...

Alessandra: acho que até o Serginho se solidarizou com o tal marido. Bjs

Victor: não matou a charada, o cunhado era apenas uma testemunha a mais. E eu lá sou homem de cobiçar a própria irmã?! E o tabu do incesto, como é que fica? Irmã, só a dos outros. Abs.

 
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