quarta-feira, 17 de junho de 2009

Até que a morte nos envergonhe


Muita gente - ou quase todo mundo - faz algo em sua intimidade que preferiria que as outras pessoas não soubessem, sejam atos de infidelidade conjugal, de higiene duvidosa, de infantilidade ou mau gosto. Se na segurança do seu lar você rói as unhas do pé, ouve discos do Latino, transa com a namorada do seu chefe, veste as roupas da esposa ou brinca com uma coleção de carrinhos de ferro aos vinte e cinco anos, nem sempre estará transgredindo alguma lei, mas garanto que seus desafetos adorariam descobrir. Expor os podres de celebridades costuma dar muito dinheiro, tanto aos paparazzi quanto aos tablóides. Irmãos ressentidos, funcionários oportunistas, ex-maridos, todos são ameaças potenciais à preservação da intimidade. Os vexames alheios são uma espécie de paixão universal: dos travecos do Ronaldo à prisão de Dantas, do Príncipe Charles querer ser o absorvente íntimo da amante aos dólares na cueca do bispo, vai tudo para o mesmo saco. Uns gatos pingados se preocupam com questões políticas e econômicas, mas a maioria quer mesmo é ver a intimidade dos outros exposta para poder tripudiar. É uma coisa bem humana, como reduzir a velocidade para olhar acidentes ou estudar apenas na véspera da prova.

Além dos ridículos em vida, há quem os passe pós-morte, devido a circustâncias embaraçosas que a cercaram. A página "Darwin Awards" fornece inúmeros exemplos de pessoas que por conduta estúpida acabaram mortas ou incapazes de se reproduzir, como o senhor que tentou manter relações sexuais com seu aspirador de pó e perdeu a cabeça (com trocadilho). A bola da vez foi o ator David Carradine, cuja falta de expressão facial ajudou a interpretar um monge Shaolin na série "Kung Fu", papel negado a Bruce Lee, que ainda não era uma celebridade. Depois de participar em dezenas de filmes B, Carradine voltou a experimentar o sucesso ao atuar como o vilão de "Kill Bill". Recentemente, o ator foi encontrado morto por asfixia em seu quarto de hotel. A discussão sobre as circunstâncias da morte (suicídio, homicídio ou acidente) interessariam apenas à polícia e aos familiares, caso o defunto não fosse famoso, mas a fama tem um preço. Logo surgiu a versão de que sua morte resultou de um mal-sucedido episódio de asfixia erótica acompanhada de masturbação. A família protestou, mas aí já era tarde: o que cai na internet, ninguém mais segura. Cá pra nós, em minha imaginação eu acho que a acompanhante deu no pé ao ver o velhinho arroxear, mas isso é só uma especulação entre tantas outras. Moral da história: é perigoso praticar artes marciais chinesas e ser ao mesmo tempo artista de cinema. Morre-se de forma misteriosa.

5 comentários:

Drama Queen disse...

Pronto, já vi tudo: vou gastar horas no tal site.

Paulo César Nascimento disse...

Drama Queen: eu não perco esse mau hábito de te "obrigar" a fazer coisas... :P
Bjs

Victor disse...

Pobre gafanhoto... no final da vida, aplicaram-lhe este baita golpe baixo!

Victor disse...

Ei... olhando de relance, aquele ali atrás do gafonhoto parece vc de olhos semi-cerrados e cavanhaque!

Silvia Masc disse...

Excelente o teu texto... ainda ontem falamos sobre isso em casa, filho pego em flagrante bebendo água na garrafa que deveria servir á todos, e acabamos confessando alguns dos nossos "delitos" quando estamos sós... ou coisas que fazemos apenas na intimidade da família, foi bem divertido... mas... não contarei mais nenhum...rs
abraços

 
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