sábado, 13 de junho de 2009

Culinária Televisiva


A paixão por comer bem (no sentido menos saudável do termo), somada à necessidade de sobrevivência, levou-me a uma jornada pelo mundo da culinária. Aprendi o que chamo de "culinária estudantil de sobrevivência": a arte de enganar o estômago e as papilas gustativas sem passar muito trabalho, nem ter habilidades ninja na cozinha. Porém, com o passar do tempo, fui melhorando e virei um cozinheiro bastante razoável, com raros "praticídios" (assassinatos de pratos). Fiquei sem TV durante o período do mestrado, mas logo em seguida, com os canais por assinatura, descobri uma nova fonte de prazer: os programas culinários. Mais do que aprender pratos diferentes, desenvolvi uma espécie de "voyeurismo gastronômico", obtendo prazer em ver a comida sendo preparada. Além disso, o próprio carisma dos apresentadores faz muita diferença nesta prática. Mesmo se percebendo que o sujeito estragou o prato com excesso de pimenta ou de coentro, que colocou o alho muito cedo e ele queimou, ou ainda que cortou o dedo ao vivo, se o cara for bom de conversa, salva o programa.

O primeiro que me encantou foi o "Frugal Gourmet", que juntava culinária com viagens e informações culturais associadas aos pratos. Era apresentado por um velhinho muito carismático (Jeff Smith), auxiliado por um chef de cozinha e eventualmente pelo Elmo, da Vila Sésamo, ou por crianças pequenas. O Jeff Smith sumiu do mapa depois de denúncias de assédio sexual sobre seus ajudantes. O programa era ótimo, pena que as fraquezas e maluquices humanas estão sempre por perto pra atrapalhar. Em seguida, descobri um cozinheiro basco, Karlos Arguiñano, que também era uma figura muito simpática. Pena que as receitas eram em espanhol e às vezes um ingrediente ou outro passava batido. Entre "ajo" e "alho" a gente não se perde, mas saber que "salsa" é "molho" e "perejil" é "salsa" já fica mais complicado. Menos mal que serviu pra melhorar o meu espanhol, aí não passei aperto na hora de pedir comida por lá. Depois disso, veio o "Diário do Olivier", do Olivier Anquier, que me dava uma inveja dupla: além de cozinhar bem melhor do que eu, o cara é daqueles que a mulherada baba sem ele precisar fazer absolutamente nada. Um tempo depois, comecei a assistir a "Dicas de Oliver" (Jamie Oliver), achando interessante o jeito "sem cerimônia" dele lidar com a comida. Mesmo sendo meio convencido e exagerando nos ingredientes, a presença de palco compensa e torna o programa divertido. Porém, quando descobri que chef de cozinha não é apenas um cozinheiro melhor do que os outros, mas um feitor a infernizar os cozinheiros com mão de ferro, fiquei decepcionado com a cozinha profissional. Já desiludido, conheci o programa do Gordon Ramsey, que é um chef tirano, mas entende do riscado. Dos programas dele, meu favorito é o que ele salva restaurantes quebrados da incompetência dos donos, reformulando cardápios e dando dicas de profissionalismo. Gosto dos programas do Alex Atala e do Claude Troisgros, mas acho muito voltados a restaurantes. Minha última descoberta foi o Heston Blumenthal, com o programa "Em busca da perfeição", em que ele procura fazer coisas como "o cachorro-quente perfeito" ou o "pavê perfeito" - que é o que vem sem trocadilho, se é "pa vê "ou "pa comê". O cara reamente produz pratos perfeitos, mas na hora que ele busca alternativas pra que o telespectador possa prepará-los em casa, a coisa se perde. Cada prato desses requer horas de preparação, mesmo na versão doméstica, então fica apenas como curiosidade mesmo.

Teria também o "Iron Chef" pra comentar, mas a TV japonesa pop é um universo à parte e merece uma postagem inteira. Na imagem, o primeiro chef televisivo que conheci: o cozinheiro sueco do Muppet Show.

7 comentários:

Mulher de Fases disse...

Paulo,
Vc não emncionou a Niggela.
O programa é leve, divertido e ela faz com que as receitas pareçam tão fáceis quanto cozinhar ovos.
Abçs

Paulo César Nascimento disse...

Mulher de fases: eu ia mencionar, principalmente pelo fato das receitas serem todas viáveis, por ela comer com gosto tudo o que prepara e por lamber os dedos e colheres enquanto cozinha. Mas a postagem estava longa, o frio estava aumentando e um papo muito agradável se iniciou no msn... aí pulei a Nigella, os reality shows de cozinheiros e o Iron Chef. Abç

Victor disse...

Faltou o Remy do Ratatouille tbém :)

Victor disse...

Paulo César!
Não sabia q vc havia se transformado em um verdadeiro "chef gourmand"!!!
Lendo teu relato, fique com tanta água na boca q me permitirei sugerir o seguinte:
que tal vc oferecer uma soirée gourmande para teus fiéis seguidores do Soco no Figo (do qual eu me incluo)? Será uma oportunidade única de deliciar-nos com tua cumidinha feita no teu próprio cuktópi e de quebra ouvir mais uma das tuas inesquecíveis parábolas.
Rachamos as despesas, eu levo o vinho e as moças a sobremesa... q tal?

Paulo César Nascimento disse...

Victor: deixe passar a correria de final de semestre, que combinamos algo. Porém, eu tenho é fogão... Vc, que é rico, é que deve ter um cuquitópi em casa, não? Abraço

Victor disse...

Paulo "Shaolin" César...

Ok, ficarei no aguardo... podemos tbém aproveitar o inverno e matar uma tainha grelhada aqui no apto... tem churrasqueira na sacada...
Qto ao cuquitopi, tenho apenas um básico, mas q NUNCA entope... e tbém, é de uso EXCLUSIVO do dono...

Abs,

V.

Paulo disse...

Paulo, comecei a gostar dos programas de culinária também com os programas do Jeff Smith. Ele era muito interessante, pois falava o tempo inteiro, inclusive trazendos fatos históricos sobre os alimentos. Era, pois decobri que ele morreu em 2004, em razão de uma doença do coração.
Paulo Cezar Almeida

 
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