quinta-feira, 30 de julho de 2009

Entre o céu e a terra


Quem mira o céu
Não foge ao tombo
Porém evita
Cocô de pombo

terça-feira, 28 de julho de 2009

Prisioneiro da bobagem reloaded


Estava vendo TV uma manhã dessas, acho que no domingo, e no Profissão reporter teve uma matéria com três concursos: um de miss infantil, outro de Prenda do Rio Grande do Sul e outro nos subúrbios do Rio de Janeiro. O programa reforçou em mim a convicção de que o ser humano, como se não bastassem as agruras da luta pela sobrevivência, ainda inventa coisas para tornar muita gente infeliz em troca da felicidade de um só. Porém, como a própria miséria humana traz consigo a possibilidade do humor, veio-me o trocadilho: "Garota da laje" - mocinhas do subúrbio lutando por um lugar ao Sol.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Essência, aparência e amor incondicional


Responda depressa: você dirigiria uma Ferrari por aí se ela fosse obrigatoriamente cor-de-abóbora, com uma estampa do Wando na porta direita, uma do Latino na porta esquerda, um estofamento de zebra e o dito "A inveja é uma merda" no pára-choque traseiro?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Santos ou picaretas?


Em algum momento da trajetória da humanidade, a espécie aprendeu a falar. Em outro, aprendeu a pensar, embora provavelmente tenham sido muito próximos e haja divergências teóricas a respeito de qual deles é o ovo e qual a galinha. Uma vez pensante-falante (ou falante-pensante), ficou mais fácil sobreviver com conforto e segurança, embora isso tenha gerado uma possibilidade para a qual não devíamos estar preparados na ocasião: o questionamento. Há perguntas e perguntas, como: "o que faz as mulheres engravidarem?", "como matar uma onça sem ter que chegar perto dela?", "o que é a morte?", "qual o sentido da vida?", "por que o Leoberto nasceu com lábio leporino?" e por aí seguimos rumo ao infinito. Um dos livros mais interessantes do Tesouro da Juventude, na minha opinião, é o Livro dos Porquês. Ao longo dos tempos, várias formas de chegar às respostas foram inventadas, trazendo consigo métodos para tentar modificar a realidade. Magia, Religião, Filosofia, Ciência, cada um desses caminhos teve (e tem) suas singularidades e responde com maior ou menor competência a perguntas específicas. Para "o que leva as mulheres a engravidarem", por exemplo, eu prefiro uma resposta científica. Já para "qual o sentido da vida", fico entre a resposta filosófica e a religiosa. Embora atravesse um período meio cético, sempre tive interesse por religiões. Considero a religiosidade e a espiritualidade elementos fundamentais da vida humana, porém tenho um pé atrás com os movimentos religiosos. Ainda acho que são duas coisas distintas, ao contrário do que aconteceu com meu amigo Sandro Sell em relação ao Partido dos Trabalhadores: sempre teve simpatia pelo PT, mas achava os petistas insuportáveis, até o dia em que a ficha caiu e descobriu que "o PT são os petistas!"

Desde que a religião se institucionalizou, os líderes religiosos passaram a viver no bem-bom às custas de seus fiéis. Dos sacerdotes egípcios aos levitas, dos Templários ao Edir Macedo, nuca vi líder religioso pobre. Claro que a linha de frente, os soldadinhos da instituição, são geralmente uns pés-rapados, já que a estrutura é invariavelmente piramidal. O produto mais vendável do mundo é a "perspectiva de felicidade" e todo o comércio se baseia nisso. Se juntarmos uma boa dose de medo, seja da danação eterna ou de más reencarnações, temos a garantia de sucesso do empreendimento. Embora por cerca de trezentos anos o maior inimigo da Religião tenha sido a Ciência, no restante do tempo as grandes inimigas eram as religiões rivais. Os evangélicos neopentecostais preocupam-se muito mais com os umbandistas e com os católicos do que com os ateus, e com razão. É mais difícil um crente virar ateu do que virar casaca para outra confissão. Neste cenário das disputas religiosas surge o conceito de Culto, usado em várias acepções diferentes. A que vou empregar aqui se refere a uma arapuca pseudoreligiosa que, mediante lavagem cerebral, procura distanciar seus membros das pessoas que se preocupam com eles e explorá-las até a última gota. As seitas Aum Shinrikyo, a família Manson e o People´s Temple de Jim Jones são exemplos inquestionáveis de cultos prejudiciais. Porém, há os que vagam em uma área nebulosa, lutando pelo status de religião, como a Cientologia, por exemplo. Fora do escopo da religião, há na internet depoimentos assustadores de ex-adeptos da Ontopsicologia, da Nova Acrópole, do Yôga do DeRose, entre outros, sendo que os adeptos atuais contestam estes depoimentos veementemente, resultando inclusive em processos judiciais de ambas as partes. Por outro lado, dentro da religião Católica há espaço e reconhecimento para a Opus Dei, que também tem ex-adeptos contando histórias assustadoras de lavagem cerebral e prejuízos psicológicos decorrentes do envolvimento com o grupo. Recomendo a obra "Stripping the Gurus: sex, violence, abuse and enlightenment", de Geoffrey D. Falk, para quem quer se aprofundar sobre o tema.

Há quem pense que o DeRose é o novo Patanjali, que INRI Cristo é Jesus em sua segunda vinda ou que Edir Macedo é um novo São Paulo, e é direito de cada um. Já eu me pergunto: e se o Patanjali foi o antigo DeRose, Jesus foi a primeira vinda de INRI Cristo e São Paulo o antigo Edir Macedo?

sábado, 18 de julho de 2009

Histórias dentro de histórias


Antes de termos a possibilidade de ler material organizado na forma de hipertexto (como este que você está lendo agora, que permite navegar em outras janelinhas e voltar), a idéia de transitar em histórias dentro de histórias já havia sido explorada na literatura. Evidentemente, pessoas prolixas têm o hábito de falar em hipertexto: "Antônio, você não sabe o que aconteceu! Eu estava andando na rua e encontrei a Mariquinha, sabe, a filha do Seu Arnulfo da padaria? Aquela padaria que pegou fogo no ano passado e que morreu um bombeiro tentando apagar, até apareceu na televisão naquele programa sensacionalista que passa à tarde, aquele que um gordo apresenta... Qual é mesmo o nome dele?" As janelas vão se abrindo e em cinco minutos o ouvinte já não sabe mais do que se está falando. Às vezes o falante também.

Um livro genial dimensionado como hipertexto é "As mil e uma noites", do qual já falei aqui. Outro deles é "O jogo da amarelinha" (Rayuela), de Julio Cortazar, que pode ser lido de duas formas: seqüencialmente, indo do capítulo 1 ao capítulo 56; aos saltos, iniciando pelo capítulo 73 e indo para o capítulo seguinte em uma ordem estranha, sugerida pelo autor. Na verdade, os textos adicionais servem como janelas e nem sempre guardam relação explícita com a trama. São como suplementos e a graça está justamente em brincar com o autor de pular amarelinha, mergulhando por reflexões adicionais, lampejos poéticos e outras maluquices no melhor sentido do termo. Porém, meu livro favorito de histórias dentro de histórias é "O dicionário kazar", de Milorad Pávitch. Começa que o livro tem duas edições, a masculina e a feminina, com apenas um parágrafo de diferença na página 258. Ao final do livro, o autor sugere de forma poética que o leitor e a leitora que gastaram tanto tempo lendo solitariamente o livro se encontrem, comparando as diferenças e completando o sentido da obra. Além disso, o livro tem como moldura a polêmica sobre a conversão do povo kazar, apresentada na forma léxico em três versões, conforme as fontes sejam cristãs, islâmicas ou judaicas. Cada verbete tem certa autonomia, porém remete a outros, como os textos com links. História e ficção são misturados de forma envolvente, com muita perspicácia e criatividade. A diferença entre as edições feminina e masculina? Melhor descobri-la como o autor sugere.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Os mistérios do sucesso


É estranho pensar nas coisas que fazem sucesso mundo afora. Existem tenistas milionários, mas os jogadores de badmington, que é muito parecido, devem ganhar uma merreca. Há jogadores de poker milionários, mas no truco você ganha no máximo umas cervejinhas. Há torneios de sinuca com grandes prêmios, mas um exímio jogador de pebolim ganha no máximo uns tapinhas nas costas. Hoje, após ter inventado uns cinco jogos diferentes com apenas duas moedinhas de vinte e cinco centavos e uma mesa com cobertura de fórmica, pensei com os meus botões que nenhum deles era menos nobre como esporte do que a pelota basca, a bocha ou o voleibol. A rigor, nenhum deles tem outra utilidade prática que não o entretenimento. Porém, mesmo meu argumento sendo irrefutável do ponto de vista da lógica, seja ela aristotélica ou hegeliana, duvido que vá me tornar milionário com minha capacidade de dar petelecos em moedinhas com habilidade e precisão.

sábado, 11 de julho de 2009

Das pessoas e dos livros


A escrita é uma das grandes invenções da humanidade, junto com as máquinas simples, a matemática, o desodorante e outras criações que nos afastaram das onças e pernilongos. Os místicos entendem que as letras foram uma revelação divina e que as palavras guardam poderes mágicos; os pragmáticos entendem que a memória é traiçoeira e que somos uma espécie mentirosa, portanto convém registrar acontecimentos e acordos. Além dos contratos e registros contábeis, a escrita permitiu a invenção de um objeto muito singular, capaz de vencer o tempo e a distância: o livro. Já escrevi outro texto sobre a possibilidade que ele nos dá de "ouvir" os mortos, mas vou além: ele pode ajudar a ocupar o tempo ocioso, diminuir (ou aumentar) a ignorância, reduzir o sentimento de solidão e até servir de calço de mesa, como no filme Leolo, no qual o protagonista o tira dessa nobre função para usá-lo como um escudo (metafórico) contra sua realidade familiar patogênica.

Há quem nunca tenha aberto um livro na vida, seja por desinteresse ou falta de oportunidade, como também há quem prefira a companhia dos livros à das pessoas. Eu vivo uma dualidade: gosto de ambos e não consigo me manter fiel a nenhum. Já deixei de ir a festas para terminar bons livros, como também interrompi leituras para ir a churrascos com muito truco, piadas, cerveja e conversa fiada. Há momentos em que, no meio da leitura, sinto uma vontade súbita de conversar com alguém - geralmente às três da madrugada. Outras vezes, em meio a muita gente, pego sorrateiramente um livro e saio de fininho. Não dá pra "abrir" ou "fechar" as pessoas quando se tem vontade (sem trocadilhos sobre cirurgiões), nem como fazer um livro lhe escutar. Pensando melhor, tem gente que também não escuta. A Stella Florence, uma simpática e talentosa escritora com quem faz muito tempo que não troco e-mails, rompeu essa barreira: pode-se ler Stella metonimicamente ou ao pé da letra. A foto não me deixa mentir...

terça-feira, 7 de julho de 2009

De bico


Antes arde do que nunca
Antes nuca do que tarde
Nunca se acovarde
Ante uma sinuca

sábado, 4 de julho de 2009

Vencimentos elevados


Li num semanário desses, já não lembro mais qual, que tem um ascensorista do Senado que ganha em torno de uns R$ 12.000,00 por mês (ou algo assim, a semana foi corrida e a precisão não será o forte desta postagem). Que lá corram mamatas desse tipo não foi nenhuma surpresa. O que achei estranho foi a profissão de ascensorista ainda existir, ainda mais lá, onde todo mundo sabe muito bem apertar botões (inclusive os dos colegas faltantes). O único elevador que precisa de ascensorista, na minha opinião, é o do Willie Wonka.

 
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