terça-feira, 21 de julho de 2009

Santos ou picaretas?


Em algum momento da trajetória da humanidade, a espécie aprendeu a falar. Em outro, aprendeu a pensar, embora provavelmente tenham sido muito próximos e haja divergências teóricas a respeito de qual deles é o ovo e qual a galinha. Uma vez pensante-falante (ou falante-pensante), ficou mais fácil sobreviver com conforto e segurança, embora isso tenha gerado uma possibilidade para a qual não devíamos estar preparados na ocasião: o questionamento. Há perguntas e perguntas, como: "o que faz as mulheres engravidarem?", "como matar uma onça sem ter que chegar perto dela?", "o que é a morte?", "qual o sentido da vida?", "por que o Leoberto nasceu com lábio leporino?" e por aí seguimos rumo ao infinito. Um dos livros mais interessantes do Tesouro da Juventude, na minha opinião, é o Livro dos Porquês. Ao longo dos tempos, várias formas de chegar às respostas foram inventadas, trazendo consigo métodos para tentar modificar a realidade. Magia, Religião, Filosofia, Ciência, cada um desses caminhos teve (e tem) suas singularidades e responde com maior ou menor competência a perguntas específicas. Para "o que leva as mulheres a engravidarem", por exemplo, eu prefiro uma resposta científica. Já para "qual o sentido da vida", fico entre a resposta filosófica e a religiosa. Embora atravesse um período meio cético, sempre tive interesse por religiões. Considero a religiosidade e a espiritualidade elementos fundamentais da vida humana, porém tenho um pé atrás com os movimentos religiosos. Ainda acho que são duas coisas distintas, ao contrário do que aconteceu com meu amigo Sandro Sell em relação ao Partido dos Trabalhadores: sempre teve simpatia pelo PT, mas achava os petistas insuportáveis, até o dia em que a ficha caiu e descobriu que "o PT são os petistas!"

Desde que a religião se institucionalizou, os líderes religiosos passaram a viver no bem-bom às custas de seus fiéis. Dos sacerdotes egípcios aos levitas, dos Templários ao Edir Macedo, nuca vi líder religioso pobre. Claro que a linha de frente, os soldadinhos da instituição, são geralmente uns pés-rapados, já que a estrutura é invariavelmente piramidal. O produto mais vendável do mundo é a "perspectiva de felicidade" e todo o comércio se baseia nisso. Se juntarmos uma boa dose de medo, seja da danação eterna ou de más reencarnações, temos a garantia de sucesso do empreendimento. Embora por cerca de trezentos anos o maior inimigo da Religião tenha sido a Ciência, no restante do tempo as grandes inimigas eram as religiões rivais. Os evangélicos neopentecostais preocupam-se muito mais com os umbandistas e com os católicos do que com os ateus, e com razão. É mais difícil um crente virar ateu do que virar casaca para outra confissão. Neste cenário das disputas religiosas surge o conceito de Culto, usado em várias acepções diferentes. A que vou empregar aqui se refere a uma arapuca pseudoreligiosa que, mediante lavagem cerebral, procura distanciar seus membros das pessoas que se preocupam com eles e explorá-las até a última gota. As seitas Aum Shinrikyo, a família Manson e o People´s Temple de Jim Jones são exemplos inquestionáveis de cultos prejudiciais. Porém, há os que vagam em uma área nebulosa, lutando pelo status de religião, como a Cientologia, por exemplo. Fora do escopo da religião, há na internet depoimentos assustadores de ex-adeptos da Ontopsicologia, da Nova Acrópole, do Yôga do DeRose, entre outros, sendo que os adeptos atuais contestam estes depoimentos veementemente, resultando inclusive em processos judiciais de ambas as partes. Por outro lado, dentro da religião Católica há espaço e reconhecimento para a Opus Dei, que também tem ex-adeptos contando histórias assustadoras de lavagem cerebral e prejuízos psicológicos decorrentes do envolvimento com o grupo. Recomendo a obra "Stripping the Gurus: sex, violence, abuse and enlightenment", de Geoffrey D. Falk, para quem quer se aprofundar sobre o tema.

Há quem pense que o DeRose é o novo Patanjali, que INRI Cristo é Jesus em sua segunda vinda ou que Edir Macedo é um novo São Paulo, e é direito de cada um. Já eu me pergunto: e se o Patanjali foi o antigo DeRose, Jesus foi a primeira vinda de INRI Cristo e São Paulo o antigo Edir Macedo?

1 comentários:

Alline disse...

E eu pergunto: o que seria do esperto se não fossem os tolos?

Beeeeeeijo

 
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