domingo, 2 de agosto de 2009

O fim do humor


O humor sempre foi agressivo e preconceituoso. Ri-se da desgraça, dos defeitos ou da vergonha, sejam alheios ou próprios. Ninguém imagina que gaúchos, japoneses, judeus, turcos, homossexuais, portugueses, alentejanos, irlandeses, políticos, loiras, negros ou papagaios gostem de ver/ouvir seu grupo sendo alvo de chacota. Porém, em nome de se fazer graça, cada um ri dos outros e ri amarelo de si mesmo quando alvo de troça. A piada tanto pode ser forma de ataque quanto de resistência, no caso do humorismo político. Da metade do século passado para a frente, os movimentos sociais anti-discriminatórios conseguiram travar lutas importantes contra o preconceito em suas formas mais diretas e opressoras, gerando como efeito colateral o "politicamente correto", com todos os eufemismos que vieram a reboque na esperança de mudar a atitude a partir da mudança de nomenclatura. Do início da abertura política até recentemente, o humorismo tinha escapado da censura. Porém, a denúncia de racismo que sofreu Danilo Gentili em função de uma tuitada sobre o King Kong quase inaugurou uma nova era. Dessa vez bateu na trave, mas pode ser que o fim do humor se aproxime. Duvido que se possa fazer humor sem que alguém ou algum grupo seja ridicularizado, restando apenas os papagaios e as pessoas que a história tornou execráveis. No futuro, as piadas serão assim:

- "Hitler, Torquemada e Átila, o huno, vinham caminhando pelo deserto, quando tropeçaram em uma lâmpada mágica..."
- "Como se colocam cinco machistas dentro de um fusca?"
- "Quantos homofóbicos são necessários para trocar uma lâmpada?"
- "Um papagaio e um pedófilo estavam em um avião, quando a aeromoça..."

Para aproveitar enquanto não se é preso por contar anedotas, vou relembrar um clássico que li em algum volume das "Anedotas do Pasquim", provavelmente compilado pelo finado Fausto Wolff.

Um sujeito entra em um bar, senta-se ao balcão e puxa assunto com um desconhecido:
- Você viu a última bobagem que o presidente disse?
É interrompido pelo dono do estabelecimento, que diz:
- Desculpe, senhor, mas não permito que se fale de política aqui no bar.
O sujeito fica meio ressabiado, mas puxa outro assunto:
- E esse novo Papa, viram que idéias mais retrógradas que ele tem sobre...
- Senhor, também não é permitido discutir religião aqui meu estabelecimento.
- E o Corinthians, o que vocês...
- Futebol também não.
- E de sexo? Posso falar de sexo aqui no bar?
- Ah, sim. De sexo pode.
- Então vá tomar no seu %#.

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