quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Medo


Todos nós, dos miúdos aos graúdos, em algum momento da vida experimentamos o medo. Existem algumas diferenças técnicas entre os diferentes tipos de estados ansiosos, que aqui simplificarei: a) o medo é uma reação de apreensão diante de um perigo real e identificável, sendo proporcional a ele; b) a fobia é uma reação de apreensão diante de um perigo imaginário ou uma reação desproporcional diante de um perigo real; c) o pânico é uma reação de ansiedade aguda e extremamente intensa, envolvendo tremores, palpitações e receio de perder o controle, enlouquecer ou morrer; d) os estados ansiosos flutuantes são como "medos" difusos e generalizados, ou seja, você está com medo de tudo, preocupadíssimo com riscos reais ou imaginários. Para os que quiserem se aprofundar nestas distinções, sugiro que cliquem aqui.

O medo propriamente dito é uma reação saudável, pois nos faz evitar perigos reais ou enfrentá-los com a cautela necessária. Os demais estados ansiosos causam um sofrimento desnecessário, mas o sujeito se sente incapaz de evitá-lo. Há diversas explicações teóricas para estes estados, as quais podem ser encontradas na obra "Psicologia dos Transtornos Mentais", de David S. Holmes.

Porém, geralmente os que não utilizam a terminologia psicopatológica, chamam estes estados de apreensão de medo. Para facilitar a leitura, mesmo sendo incorreto do ponto de vista técnico, chamarei de medo aos diversos estados ansiosos anteriormente mencionados. Há medos mais pragmáticos, como o de voar de avião, dirigir automóveis, ser demitido, ser abandonado. Outros medos são mais fantasiosos, como os de feitiço, vampiro, fantasma, bicho-papão e outros monstros. Porém, ao fim e ao cabo, salvo experiências traumáticas com ataques de animais ou outras situações equivalentes, a raiz da maioria destes medos está na sensação de desamparo, vulnerabilidade e fragilidade do ser humano perante a possibilidade de enfrentar sozinho o desconhecido. Aí restam duas soluções: o desconhecido se tornar conhecido ou perceber que não se está sozinho. Como sempre haverá algo desconhecido e nem sempre se estará acompanhado de fato, alguns resolvem a questão internalizando a idéia de um "outro" protetor (pai, mãe, Estado, Deus, anjo da guarda, etc.), outros desenvolvem uma grande confiança neles próprios, muitas vezes exagerada, criando ilusões de onipotência e auto-suficiência. Pelo sim, pelo não, quando o Monstro do Pântano bater à sua porta, o melhor é pedir ajuda.

3 comentários:

João Marques Brandão Néto disse...

Gostei. Mas não entendi se o medo de fantasma, de monstros, de camão, o "me", enfim, é "a", "b", "c" ou "d".

Paulo César Nascimento disse...

Brandão: o de fantasmas e monstros é "b", salvo prova que existam mesmo; o de "camão" pode ser "a" ou "b", dependendo de se dirigir na BR ou não. O "me" do autor da expressão está mais pra "b" e tenho me empenhado para que se crie uma base pra não virar "c" ou "d", nem persistir como "b". Abs

Alline disse...

O Monstro do Pântano pode não vir, mas espero pelo vampiro Eric. Nada de Hannibal Lecter, Leatherface, Chucky, Pinhead, Jigsaw, Fred Krueger, Jason e afins, OK?

Beeeeeeeijo da amiga mais cagona do planeta *=P

 
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