sábado, 19 de setembro de 2009

Vai trabalhar, vagabundo!


A palavra trabalho vem do latim "tripalium", que quer dizer "três paus", referindo-se a um instrumento romano de tortura. Os cidadãos romanos consideravam indigno trabalhar, que seria atribuição de escravos e não de homens livres. Não que eles ficassem sem fazer nada, na verdade passavam os dias a receber seus clientes (arrendatários que tinham a obrigação de lhes puxar o saco) e a traficar influência. Os cidadãos mais velhos compunham o "Senatus" (Senado), que quer dizer "velharada" (senex = velho). Porém, não gostar de trabalhar e associar o trabalho a um castigo é uma noção que vem de antes dos romanos. Os hebreus, por exemplo, consideram que "ganhar o pão com o suor do rosto" foi um castigo divino pela desobediência de Adão. Para os gregos - ou pelo menos para Hesíodo, em "Os trabalhos e os dias" -, o mito de Prometeu e Pandora coloca que o trabalho é um castigo de Zeus para se vingar do roubo do fogo sagrado, passado por Prometeu aos homens.

Em oposição ao trabalho está o jogo (brincadeira, lazer, etc.). A diferença fundamental no que constitui o jogo e no que é trabalho está no sentido de obrigação. Você pára de brincar na hora que quiser, enquanto parar de trabalhar é uma coisa pra quando se puder. Um ator pornô, um jogador de futebol ou um músico profissional têm as obrigações do trabalho atreladas às suas atividades: desempenho (eficiência e eficácia) e compromisso. Já você, leitor, quando joga sua peladinha, participa de uma roda de violão ou dá a sua namorada básica, está apenas desfrutando. Uma coisa que sempre achei curioso foi que as mesmas pessoas que passaram boa parte da vida insatisfeitas, carrancudas e esbravejando por terem de trabalhar, eram as que ficavam sem saber o que fazer após se aposentarem, entrando em crises de diferentes magnitudes. Mais tarde isso se esclareceu: a pressão social para se trabalhar é tão grande, a vida da gente é tão voltada para o trabalho e o estigma ligado à vagabundagem é tão forte, que pra não sentir culpa e ter algum valor social o sujeito acaba dedicando os anos de velhice à mesma função dos anos de mocidade e vida adulta: enriquecer os outros, ganhando as migalhas de prêmio.

3 comentários:

milu leite disse...

pegou pesado.
ainda bem que não me diz respeito!
bjo

Laís disse...

Cheguei agora, mas já tõ adorando, vou até puxar uma cadeira e sentar!
:)

Paulo César Nascimento disse...

Milu: ainda bem! ;-) Bjs

Laís: seja bem vinda! Volte sempre! Bjs

 
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