domingo, 11 de outubro de 2009

Diversidade


A vida contemporânea é marcada por movimentos contrários de homogeneização e diversificação de comportamentos. Por um lado, o processo globalizante faz com que os aeroportos do mundo inteiro passem a ser do mesmo jeito, até com os mesmos odores, como apontou Domenico de Masi em sua entrevista para o Roda Viva. Por outro, as facilidades proporcionadas pela internet abrem o acesso à diversidade cultural e permitem que você conheça danças típicas da Indonésia, a culinária polonesa e a religião dos aborígenes australianos. Porém, um campo em que a diversificação vem superando a homogeneização nadando de braçada é a sexualidade humana. Não que seja recente o ser humano ter relações com melancias, ovelhas, crianças ou parentes, mas tudo isso era visto como condenável, tanto do ponto de vista das normas sociais quanto das tradições religiosas e morais. Hoje em dia, devido aos movimentos reivindicatórios, houve um redimensionamento do que é aceitável e do que não o é. Porém, essa discussão ainda vai dar pano pra manga. A ciência tenta acompanhar as mudanças sociais, mas com o ritmo acelerado com que elas se processam, ficamos todos meio atrapalhados diante das novidades.

Vamos a alguns conceitos científicos atuais:

- Sexo do indivíduo: conforme seus genes, presença de ovários ou testículos e genitália externa original de fábrica, o indivíduo pode ser macho, fêmea ou ter uma condição inter-sexual (ser hermafrodita).

- Orientação sexual: conforme o(s) sexo(s) pelo(s) qual(is) o indivíduo sente atração / desejo, ele pode ser heterossexual (sexo oposto), homossexual (mesmo sexo), bissexual (os dois sexos), assexual (nenhum sexo).

- Gênero: conforme os papéis (tipos de comportamento socialmente definidos) com os quais o indivíduo se identifica mais, pode ser predominantemente feminino ou masculino.

- Identidade de gênero: como o indivíduo se reconhece (sou homem, sou mulher, etc.)

Na primeira metade do século XX, supunha-se que a pessoa deveria assumir a identidade de gênero em conformidade com o seu sexo, bem como a orientação sexual heterossexual. Em outras palavras, homem teria que ser homem e gostar de mulher e a recíproca deveria ser verdadeira. O resto era considerado patologia e/ou pouca-vergonha. Porém, na segunda metade do referido século, várias batalhas foram lançadas contra o preconceito e a discriminação em suas variadas formas, o que permitiu avanços rumo a uma sociedade mais igualitária, porém teve como efeito colateral a praga do politicamente correto. Com isso, devido às pressões políticas do movimento GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), a homossexualidade saiu do rol das patologias. Hoje em dia, várias formas alternativas de buscar prazer sexual ou de se colocar no mundo pegaram carona no movimento GLS, que virou GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais), depois ganhou mais um T (transgêneros) e agora abriu pra toda a galerinha (ou quase toda), virando movimento da diversidade sexual. Com isso, a tendência futura é a maior parte das hoje chamadas Parafilias deixarem de ser consideradas patológicas, dependendo da força do lobby da Diversidade e da contrapartida dos movimentos conservadores. A última novidade em termos de diversidade que encontrei foi o cara que tem uma "mangina" (em tradução livre, uma machoxota). Para saber mais sobre ele, sugiro que visitem o post da Lu Bom clicando aqui.

Porém, que vai virar tudo uma Babel, pelo menos no início, disso eu tenho forte convicção. Hoje em dia já encontramos mulheres tomando hormônios para parecerem homens, porém mantendo a vagina e se relacionando com... homens! Encontramos também pessoas do mundo inteiro se encontrando em parques para fazerem sexo em público para serem observadas, congressos de pessoas com fetiche por látex, adeptos do infantilismo que criam um quarto de bebê gigante, são amamentados e têm suas fraldas trocadas... e a coisa vai longe. Eu acho que, protegendo-se as crianças e os animais, é cada um no seu quadrado. Mas que fica estranho para um cara como eu, procurando o velho e tradicional sexo heterossexual, conhecer uma mulher e descobrir que ela já foi homem anteriormente, mas que na verdade gosta de bonecas infláveis, ou ainda que sempre foi mulher, mas sente atração por cafeteiras elétricas, ah, isso fica.

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