quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O incrível homem que vira peixe


Lá nos primórdios, quando Deus separou a luz das trevas e viu que era bom, eu assisti a um programa do Sílvio Santos em que a atração final seria "O incrível homem que vira peixe". Antes de cada intervalo, essa chamada era repetida, causando suspense. No momento crucial, entrou em cena um cara com uma frigideira e um peixe, fazendo com que o bicho desse voltas no ar e caísse novamente na dita cuja. O apresentador fingiu desconhecer a armação e eu achei muito engraçado.

Hoje em dia, quando navego nos portais de notícias e leio as chamadas, fico com a impressão de que alguns jornalistas aderiram à moda do "incrível homem que vira peixe". Concordo que uma chamada deva provocar algum suspense e se possa exagerar um pouquinho, mas a minha impressão é de que a coisa já desandou. Muitas vezes a matéria segue no sentido oposto ao que havia sido sugerido na chamada, o que, em minha opinião de leigo, já vira desinformação.

Vi um exemplo disso hoje mesmo: "Internet estimula infidelidade, diz diretor do R7". Se a chamada deixasse evidente que se tratava da infidelidade do cliente em relação a um determinado grupo de comunicação, você clicaria na matéria? A virada de peixe aí foi dar a entender que a internet aumenta as chances de alguém ser corno, algo que desperta muito mais curiosidade do que saber sobre a disputa entre as empresas de comunicação.

Está certo que às vezes é o leitor que viaja na chamada, em outras o autor não imaginou a raiva que causaria, mas desconfio que o jornalismo em portais de internet mantém seus profissionais em cima da estatística de cliques.

1 comentários:

Alline disse...

Eu costumo ver esse tipo de manobra em programas de TV mais populares e em revistas do mesmo estilo. Na internet admito que nunca me dei conta. É assim mesmo: fazem de tudo por um minutinho da nossa atenção.

Beeeeijo

 
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