domingo, 6 de dezembro de 2009

Da vocação para o meretrício


O termo "vocação" significa chamado. Muito provavelmente deriva da história bíblica de Samuel, chamado por Deus para realizar uma missão. Desta maneira, por muito tempo se empregou o termo para falar de escolhas profissionais, tendo este sido abandonado ao se abrir mão de perspectivas religiosas na orientação profissional. De qualquer forma, há trabalhos realizados por opção, outros por falta desta. Já orientei pesquisas acadêmicas sobre o trabalho de profissionais do sexo e fica claro que a imagem difundida da prostituição como falta de outra possibilidade só acontece no baixo meretrício. Na média e alta prostituição se trata de um caminho mais rápido - não necessariamente mais agradável - para a obtenção de dinheiro. Por essas e outras, nesses níveis mais bem remunerados, só fica quem quer. Gente insatisfeita com seu trabalho é a coisa mais comum do mundo e certamente há operadoras de telemarketing, vendedoras de sapatos, professoras e faxineiras muito putas (com trocadilho) com ele, exercendo-o apenas pelo dinheiro envolvido.

Uma noite dessas, como já comentei, assisti a um documentário sobre um SPA sexual localizado em um país da América do Sul - estou em dúvida entre Colômbia e Venezuela, mas isso não importa, bem poderia ser no Brasil. Os clientes eram tipos feios, um tanto sujos, de meia-idade, dispostos a "alugar" namoradas. Evidentemente, não eram os mais habilidosos no trato com as mulheres. As mocinhas também não eram misses, embora não fossem necessariamente feias. O foco do documentário parecia ser a insatisfação de duas delas com seu trabalho, comparando-se a repulsa nos bastidores a uma simpatia forçada quando na companhia dos clientes. Porém, as duas sempre davam um jeito de deixá-los irritados, afastando-se deles, recusando pedidos e fazendo cara de poucos amigos. Uma delas tinha interrompido a faculdade de Odontologia - ou assim nos foi dito. Em contrapartida, a única que encontrou um cliente gentil terminou paparicando o sujeito, ficando em um clima de paixonite. Desliguei a TV pensando: se é pra ser puta, faça as coisas do jeito certo. Prostituição não tem nada a ver com amor ou romance verdadeiros, mas com dinheiro e fantasia.

Algumas semanas depois, encontrei a matéria sobre a prostituta Patrizia D´Addario, que lançou um livro contando suas intimidades com o Berlusconi. Nele esta senhora narra que o primeiro-ministro é uma máquina sexual, que ficou impressionada com a performance dele e outras mentiras do gênero. Cá pra nós, o Berlusconi já passa dos setenta e, até onde se sabe, não usa prótese peniana. Não que sexo se limite à penetração, mas ela foi enfática a respeito desse aspecto. Pra fazer o que ela alega, teria precisado de muito viagra e de uma bênção especial do Papa. O livro vai vender como água, pois escândalo sempre foi um passatempo da humanidade. Vocês acham que em um país latino um líder de setenta anos vai se ofender com um livro que enaltece a sua performance sexual? A chance de que a editora seja processada e os livros recolhidos, como aconteceu com a biografia não autorizada do cantor Roberto Carlos, é nula. Se bobear, o Berlusconi ainda financia uma segunda edição. Essa sim tem vocação para o negócio.

3 comentários:

Alline disse...

Vai que ele usa prótese, toma viagra. decorou o Kamasutra e é um taradão... vai saber... rsrs

Obs.: que foto mais bizarra!

Beeeeeeijo!

Drama Queen disse...

Fato: Se é pra ser puta, que seja boa.

Paulo César Nascimento disse...

Alline: eu não sei e posso ficar sem saber. rs. Nossa, eu tinha achado essa foto tão apropriada ao conteúdo da postagem... bjs

Drama Queen: que bom ter você comentando novamente! Eu concordo, amadorismo não cabe mais hoje em dia. Bjs

 
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