sábado, 25 de dezembro de 2010

O melhor do "Soco no figo" em 2010

Caríssimos e caríssimas: fim de ano é época de preguiça e descanso para todos nós. Repetindo o que fiz ano passado, trago aqui os melhores momentos do blog em 2010. Seguem aí as postagens:

Personagens inesquecíveis: Louis Cyphre
Os sócios do seu nariz
Mariachis fusion
Ao mestre, com dinheiro
Para não dizer que não falei de moda
Motivos descosturados e desculpas esfarrapadas
Xuxa e a erotização da infância
Caneta comestível para o corpo
Está de castigo: vá estudar
Grandes enroladoras da literatura universal

Evidentemente, vocês são livres para discordar desta seleção e apontar outras postagens como merecedoras de releitura.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Previsões de ano novo

Se um dia uma vidente me dissesse que no futuro eu mataria alguém, teria sérias dúvidas. Caso dissesse que seria em uma fila, as dúvidas seriam bem menores. Em um engarrafamento, tornar-se-iam certezas. O verão chega a Florianópolis, e com ele a recomendação que costumamos fazer aos turistas: não esqueça de ir embora. Sim, a sinceridade costuma ser antipática.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Enganos, meias-verdades e um final quase feliz

Caríssimos(as) leitores(as)

Estou com livro novo recém saído do forno, com lançamento oficial previsto para o início de 2011, mas já à venda. Trata-se de uma coletânea com onze contos inéditos e quatro do primeiro livro. O conto "O Diabo e o filósofo", que obteve o segundo lugar no Prémio Nacional Trindade Coelho - 2007 (Mogadouro, Portugal) faz parte desta coletânea. Aos poucos, irei postando trechos do livro para aguçar sua curiosidade. Publico aqui o release do livro:

Este não é um livro psicografado, nem vai lhe ensinar formas miraculosas de ser feliz, rico ou magro, tampouco foi escrito por um famoso ator, cantor, humorista, ex-participante de reality-show, político, filho de escritor consagrado, irmão de celebridade. Certamente, nestas páginas, você não encontrará nada a reboque de sucessos recentes do cinema ou best-sellers de teorias de conspiração. A leitura deste trabalho não traz de volta a pessoa amada em três dias, não produz filhos mais felizes ou bem-sucedidos, sequer aponta o caminho do sucesso. Não há nesta obra fotografias de filhotes de animais, bebês fofinhos ou mensagens de esperança. Você não é obrigado a ler este livro para passar no vestibular, impressionar intelectuais ou estar na moda. Assim mesmo, com todos os ventos contrários, esta obra se tornou possível exclusivamente pelo seu valor literário, tendo como única pretensão proporcionar momentos de prazer aos seus leitores. Embora o currículo do autor apresente premiações no Brasil e no estrangeiro, a melhor forma de persuadi-lo a ir além da condição de leitor de orelhas é o convite franco e direto: folheie o livro, escolha um conto ao acaso e inicie a leitura. Se conseguir parar na metade, devolva-o à estante da livraria. Caso não consiga parar, leia o conto escolhido até o final e faça a leitura dos demais contos no conforto do seu lar.

Para comprar seu exemplar, clique aqui. Entre 18 de dezembro de 2010 e a segunda semana de janeiro de 2011, as remessas de livro ocorrerão às quartas após o pagamento. Da segunda semana de janeiro em diante, voltarão a ocorrer em todos os dias úteis.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Respostas tardias para buscas perdidas - V

Como já disse várias vezes, nem todo mundo que vem ao Soco no Figo o faz por recomendação dos amiguinhos ou pelas consagradas postagens sobre  bebida ice caseira (com todas as grafias possíveis para ice), o charme dos canalhas ou o lado ridículo da moda. Há quem venha para descobrir que o arroio é Chuí, o mosteiro é Shaolin e a filósofa é Marilena Chaui. Porém, sempre há buscas cuja resposta não está disponível e que deixam o pobre internauta frustrado. Isso não pode ficar assim! Por isso, aí vai uma nova rodada de "Respostas Tardias para Buscas Perdidas".

Bersluconi tem prótese peniana
Sr. Luís Inácio, não fica bem cometer estas indiscrições a respeito dos coleguinhas... tente o Wikileaks.

Engrossar o penis de forma caseira
Enrole fatias de bacon nele antes de colocar a camisinha.

Homens baixinhos do pinto grandão
Sr. Google, assim eu fico encabulado... exagero seu!

Jogo chinês trava língua soco no saco
Essa teve um problema de sintaxe. Quem sabe reordenando as palavras e pontuando faça algum sentido: "Jogo chinês: soco trava língua no saco"; "Chinês: língua saco! No jogo, soco trava " ; "Trava no saco: jogo soco língua chinês". É, não fez o menor sentido mesmo.

Lerdos urbana
Banda paulistana formada pela tartaruga Touché, Rubinho Barrichello, a loira do banheiro e o papa-figo. Os primeiros queriam chamar a banda de "Lerdos do rock", os últimos preferiam chamar de "Lenda Urbana". Para evitar um racha, resolveram juntar os nomes, mas acharam "Lenda do rock" muito pretensioso.

penei mecena voua
Eu achei que era outro idioma, mas meu tradutor eletrônico decifrou. Foi um caboclinho emigrando clandestinamente para os Estados Unidos, quando o jato enguiçou:  "PanAm, mecê não voa?!"

roupa infantil de barbado pré-adolescente
Desculpe, não vendemos trajes de escoteiros no blog.

sexo anal com eslavas grátis
É assim que o pessoal entra para a prostituição escrava no leste europeu... Amiguinho, de graça, pode desconfiar que o buraquinho será o seu.

domingo, 28 de novembro de 2010

Personagens inesquecíveis: Odorico Paraguaçu

A teledramaturgia brasileira ficou menor sem Dias Gomes e Paulo Gracindo, responsáveis por uma das melhores novelas/ minisséries que assisti: "O bem amado". Em uma cidade chamada Sucupira, espelhava-se o Brasil de então, qual um microcosmo no qual Nezinho do jegue representava a volubilidade do povo, Neco Pedreira e Tuca Medrado o poder de resistência da imprensa ao governo corrupto, as irmãs Cajazeiras o falso moralismo dos setores conservadores, entre outras personagens divertidíssimas, como Zeca Diabo e Dirceu Borboleta. Com ótimos roteiros e um elenco de primeira, O bem amado fazia rir e pensar. O destaque da novela era Odorico Paraguaçu, político corrupto, demagogo e falsamente erudito, a desfilar citações apócrifas de Ruy Barbosa - "Se ele não disse, deveria ter dito" -, criar neologismos, como "prafrentemente" e "sem-vergonhista", e a tentar obsessivamente inaugurar o cemitério da cidade para poder se promover, sem que algum defunto involuntariamente colabore com suas ambições políticas. Não vi ainda o Odorico de Marco Nanini, mas, mesmo para um grande ator como ele, será difícil empatar com o de Gracindo. Coronéis corruptos ainda encontramos aos montes no Senado Federal, mas nenhum deles me dá a menor vontade de rir.

domingo, 21 de novembro de 2010

Cadernos de viagem: de Florianópolis a Lisboa


Felizmente eu não tenho medo de pegar avião. Digo felizmente porque esses medos a gente não escolhe ter, mas sim enfrentar. A falta desse medo não vem das estatísticas, mas de uma confiança infantil no comandante, mesmo com seu ingês "Joelsantanesco", falando Lesangens (ladies and gentlemen). De Floripa ao Rio de Janeiro, tudo correu bem; tomei cuidado para não comer nada suspeito, pois sabia que do Galeão até Lisboa o vôo poderia enfrentar turbulências, mas meus intestinos não. Comi um cheeseburger no McDonalds, que, embora forneça uma comidinha mais ou menos, nunca me deu imprevistos, sem maionese, pra garantir. Passei um tempão no check-in da TAP, depois fui devidamente enlatado no avião, junto às demais sardinhas da classe econômica. O vôo foi bom, dentro do que pode ser considerado bom ficar doze horas sentado em uma cadeirinha estreita. Parte da viagem eu fui conversando com um estudante lá do Cabo Verde que veio ao meu lado, outra parte foi assistindo aos filmes disponíveis. Tentei ler um pouco, e nada do tempo passar. Lá pelo final, eu olhava de cinco em cinco minutos o deslocamento do avião no mapa, até que chegamos a Lisboa. Pulei a descrição das refeições, que não foram nem suficientemente boas, nem ruins para merecerem comentários. Veio a parte de pegar o visto no passaporte e aí eu dei uma de malandro: deixei o papelzinho da vacinação em outra parte da bolsa, tirando apenas a pastinha com os vouchers e declarações. O funcionário era muito sério e começou a examinar tudo, até perguntar o motivo da viagem. Quando viu a carta do Presidente do Concelho de Mogadouro, imediatamente deu o visto sem mais nada perguntar, inclusive puxou assunto sobre literatura, falando que o Paulo Coelho também tinha um texto que falava em demônio, como meu conto. Bem feito para mim, que também me chamo Paulo e me meto a escrever... Mas respondi com um sorriso amarelo que devia ser algum costume dos escritores brasileiros. Ele voltou a ficar sério e eu iniciei minha jornada européia. No táxi, o motorista foi muito simpático e conversamos bastante sobre futebol. Estavam em pleno campeonato europeu de seleções, muito confiantes no time e em Cristiano Ronaldo. Foi bonito ver as varandas enfeitadas, as bandeiras e cartazes. O primeiro susto veio quando o motorista disse que meu "hotel" (Residencial Monumental, com a entrada aí na foto) era na verdade uma pensão - o que de fato era, mas limpinha e com bom atendimento. Ali começaria um dia de Mr. Bean, com mil trapalhadas, mas com uma noite bastante agradável. Isso fica para uma próxima postagem.

domingo, 14 de novembro de 2010

Grandes enroladoras da Literatura Universal


O uso da astúcia para sobrepujar a força, embora não seja exercido somente por mulheres, tem nelas um especial desenvolvimento. Em tempos sem armas de fogo ou a lei "Maria da Penha" (com seus usos e abusos), estava ali a única posibilidade de sobrevivência de um sexo fisicamente mais delicado, embora mais resistente à dor e mais longevo. No imaginário popular, já que há dúvidas quanto à existência real de Homero, bem como a respeito da autoria das "Mil e uma Noites", duas grandes personagens se destacam por sua capacidade de enrolação: Penélope e Sherazade. A primeira, na obra "A Odisséia", aguarda seu esposo Ulisses voltar para Ítaca após a guerra de Tróia. Enquanto não tem notícias do esposo - se está vivo ou morto -, Penélope usa de um artifício para driblar seus pretendentes: diz que só escolherá um novo esposo após terminar um bordado, que ela tece durante o dia e desmancha em segredo durante a noite. Nisso se passam vários anos, até seu filho Telêmaco se tornar adulto, Ulisses retornar e acabar com a farra dos nobres que estão dilapidando seu patrimônio em festas e cobiçando sua mulher. Já a segunda resolveu acabar com um problema de extermínio de esposas de um sultão que, após ter sido traído por uma delas, passou a adotar o costume de matar as seguintes após a lua-de-mel. Para que isso parasse de ocorrer, passou a contar historinhas intermináveis, encaixando umas na moldura das outras durante a noite inteira e deixando um gostinho de quero mais para a noite seguinte. Assim, o sultão foi poupando sua vida até abrir mão completamente da idéia de matá-la. Aí me parecem estar os dois modelos básicos de enrolação: Penélope nunca pretendeu consumar a relação com seus pretendentes, amava outro homem e enrolava para manter a distância; Sherazade pretendia consumar a relação, mas entendia que o homem que a desejava ainda não estava pronto para ela, precisando ter a confiança de que ele estava em condições de lhe proporcionar a relação que ela queria, enrolando para permitir que ele se transformasse. Assim sendo, amigo leitor, ao ser mantido em banho-Maria por uma mulher, torça para ela ser do tipo Sherazade. Pelo menos você será poupado ao final da história.

sábado, 6 de novembro de 2010

Está de castigo: vá estudar!

Momento 1: li um e-mail engraçado ironizando o ensino, com uma prova de matemática voltada ao narcotráfico para que as crianças e adolescentes cariocas vejam graça em aprender. Momento 2: li recentemente o livro "O que Einstein disse ao seu cozinheiro- v. 2", que explica a culinária por meio da química. Momento 3. Uma das coisas que mais detesto na vida são engarrafamentos; hoje eu não consegui escapar de um deles devido ao ENEM, que serve pra ver se os estudantes aprenderam algo, devido ao - ou apesar do - nosso ensino. Colocando os três momentos em um liquidificador e peneirando, concluí que o nosso ensino não funciona porque está mal estruturado, uma vez que não satisfaz a curiosidade acerca dos fenômenos no contexto que lhes é próprio, mas parte de fundamentos abstratos e cansativos, como se todos fossem se tornar especialistas em tudo. Exemplificando:


a) o garoto vai aprender Biologia. Em lugar de ensinarem primeiro o que fazer e o que não fazer perto de um cão desconhecido (etologia), como não engravidar ninguém sem ter a intenção (reprodução), como lidar com uma hemorragia nasal, para depois deixar aquela parte de taxonomia, citologia, embriologia para os que decidirem se dedicar à Biologia ou às Ciências da Saúde, não: os educadores partem da idéia de que primeiro é preciso saber que as bactérias e algas cianofíceas pertencem ao reino Monera, que as mitocôndrias fazem a respiração celular e outras coisas que serão inúteis a quem não for do ramo.

b) A garota vai aprender Matemática. Certamente ela irá comprar a crédito no futuro, mas em lugar de lhe ensinarem a calcular juros simples e compostos, vão lhe ensinar logaritmos, números complexos, como inverter matrizes, calcular a área de uma elipse, enfim, coisas que só são úteis a engenheiros ou matemáticos.

c) O garoto vai aprender Química. Em vez de saber por que as maçãs apodrecem mais rápido fora da geladeira, por que razão não deve despejar água em óleo fervente, ou o que fazer em caso de incêndio (que é uma reação química, ao fim e ao cabo), não:  precisa decorar a tabela periódica e o número de Avogadro, ou distribuir hidrogênios em cadeias de carbono, como se obrigatoriamente fosse se tornar um especialista em análises químicas.

d) A garota vai aprender Física. Em vez de saber por que colocar o jato de ar quente apontado para baixo e o jato de ar frio apontado para cima, por que não acelerar na curva em uma estrada (força centrífuga) ou não frear de uma vez só quando a pista está molhada (atrito de escorregamento X atrito de rolamento), a pobre coitada terá que aprender fórmulas e interpretar gráficos que nada têm a ver com sua realidade.


O mesmo princípio se aplicaria à História, à Religião comparada, à Filosofia e aos idiomas. Parte-se daquilo que seria fundamental à formação de um especialista, matando os demais de tédio. Tirando aqueles estudantes que têm uma paciência de Jó e/ou uma educação do tipo militar, a maior parte da garotada vai se desligar do assunto, matar aula para namorar na pracinha ou puxar fumo, entrando em guerra com os pais na época dos exames, dando dinheiro a professores particulares e alimentando a indústria da fraude (venda de monografias, roubo de gabaritos, etc.). Penso que o acesso às ciências não deve se dar partindo de seus fundamentos rumo às suas descobertas. Isso é um equívoco do ponto de vista motivacional e pragmático. A maioria das pessoas vai precisar de conhecimentos aplicáveis ao cotidiano, necessitando de um estudo mais disciplinado e fundamentado apenas naquilo a que desejar se dedicar profissionalmente. Um vestibulando recém aprovado em Medicina, que saberá tudo sobre notocorda, tubo neural, número atômico, binômio de Newton, poderá ao mesmo tempo ser incapaz de corrigir o sal de uma feijoada, desatolar um automóvel ou decidir sobre a compra de um apartamento.

Partindo-se do prático e do concreto, além do esclarecimento precoce acerca da realidade do mundo do trabalho (visitas, palestras, oficinas, estágios), pode-se deixar o ensino vocacionado para o final, dividindo-o em cursos técnicos (profissionalizantes) e cursos preparatórios para quem visa o nível superior, já voltados para a área escolhida. Vou comprar briga com quem acha que adolescentes não estão capacitados a fazer escolhas para seu futuro: quem os deixa assim é o próprio ensino, que não mostra o mundo do trabalho e que os faz lidar com fragmentos de conhecimentos não aplicáveis, tampouco passíveis de síntese. Ou vocês leitores não-químicos já usaram o número de avogadro ou o balanceamento de equações químicas para alguma coisa depois do vestibular? Os não-biólogos, lembram para que serve a notocorda, ou que o tiflossole é uma dobra no intestino da minhoca? Por isso eu acho muita graça em um sketch do finado TV Pirata, em que dois velhinhos são surpreendidos por um assaltante, que lhes pergunta os afluentes do Amazonas pela margem esquerda e direita. Os velhinhos acertam todos e o assaltante vai embora frustrado. Aí o velhinho comenta: "Eu sabia que um dia isso ainda ia ser útil!"

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Paul is dead... again

Teorias da conspiração podem ser divertidíssimas, mas às vezes o pessoal exagera. Na década de sessenta, criou-se o boato de que o Beatle Paul McCartney haveria falecido em um acidente de carro em 1966, tendo sido substituído por um sósia. Assim sendo, seria o tal sósia que até hoje se passaria por McCartney, tendo composto, cantado e feito mil coisas por anos a fio. Supostamente, as capas dos discos dos Beatles e as letras de algumas de suas canções fariam referência à morte de Paul e a esse suposto embuste, que McCartney desmentiu com o CD solo "Paul is live", fazendo o contraponto da famosa capa do disco "Abbey Road". Ontem, quando soube que outro Paul famoso havia morrido - desta vez o polvo adivinho, aquele dos resultados da copa do mundo -, fiz esta montagem tosca no paint e mandei para dois amigos que entenderiam a private joke. Foi só abrir a internet hoje e me deparei com uma nova teoria da conspiração: o polvo Paul teria passado pela mesma situação que McCartney, ou seja, haver morrido em mau momento e sido substituído por um dublê. Antecipei a teoria da conspiração... isso é o que o Jung chamaria de sincronicidade. Porém, hoje em dia eu prefiro outras explicações. Lembrem-me de falar em apofenia em outra postagem.

domingo, 24 de outubro de 2010

Hiperbólicos


Ter algum destaque entre os demais membros da espécie pode favorecer a sobrevivência, fortalecer a auto-estima e ajudar a ter parceiras(os) sexuais. Está aí nosso ilustre aniversariante Pelé, com seus mais de mil gols, vivendo até hoje do prestígio conquistado com suas façanhas futebolísticas. Tiger Woods, Kasparov, Muhammad Ali, Einstein, Hawkins, Bill Gates, cada um a seu modo encontrou uma forma de se destacar e garantir um lugar ao sol (na ala VIP). Porém, é muito difícil alcançar tal nível de desempenho, pois exige talento, sorte, sacrifícios e determinação. Outra forma de encontrar destaque é fazer alguma coisa que poucos estão dispostos a fazer, como modificações corporais extremas, transformando-se em lagarto ou em vaca,  passar vários dias em uma caixa de acrílico cheia de cobras, ou ser a atriz pornô com mais parceiros em seqüência. Entendo perfeitamente pessoas que, desprovidas de mamas normais ou prejudicadas pela gravidade, recorram a próteses de silicone, mas há quem coloque litros no afã de se sobressair, independente dos malefícios para a coluna vertebral. Há inclusive gente com pênis normal que faz implante de gordura para engrossar, transformando uma banana em um mamão. O problema com esses exageros é que, passados os quinze minutos de fama, restam apenas dores, cicatrizes e o mesmo vazio.

sábado, 16 de outubro de 2010

Xuxa e a erotização da infância


Hoje em dia, em parte pela valorização do período de vida adulta jovem, em parte pelo apelo que a sexualidade tem para o consumo, vemos crianças e pré-adolescentes andando por aí vestidas de pequenos adultos, andando na contramão do movimento que Philippe Ariès descreveu em História Social da Criança e da Família. O pessoal fala muito daquela cena de abuso infantil do filme "Amor, estranho amor", no qual Xuxa interpretou uma prostituta que seduziu um menino. O que a turma não percebe é que aquilo pouco ou nada fez pela erotização das crianças, tendo passado batido e sendo até aceitável do ponto de vista artístico, como a Lolita de Nabokov. Por outro lado, o programa infantil da Xuxa, além de incentivar um consumismo desenfreado, passou a gerar nas crianças a identificação com uma adulta e algumas adolescentes vestidas de shortinho e botas, quase descendentes diretas das chacretes. Não é exagero, tinha um bocado de barbados que assistiam ao programa pela exposição da apresentadora e suas ajudantes, que, não casualmente, posaram para revistas masculinas tão logo atingiram a maioridade (uma delas até antes, com autorização dos pais). Embora isso não seja exatamente um estímulo à pedofilia, uma vez que o que atrai o pedófilo (portador da patologia que implica em atração sexual exclusiva e incontrolável por menores impúberes) é justamente o aspecto infantil do(a) parceiro(a), é um estímulo ao abuso sexual, uma vez que transveste crianças e pré-adolescentes em mini-adultos trajados de modo apelativo. Não vou divulgar imagens do concurso Miss Mundo Infantil, que ao meu ver deveria ser proibido, para não estimular essa barbárie, mas uma brasileira de seis anos é bicampeã. Nem todo abuso sexual infantil ocorre por parte de pedófilos, embora hoje em dia a mídia contribua para o estabelecimento dessa confusão. Há abusadores que sentem atração também por adultos e se relacionam ocasionalmente com adolescentes e crianças, o que deixa de caracterizar a patologia, passando a ser um problema moral/legal e não mental. Em outras palavras, a capacidade de escolher e de controlar o impulso está presente, porém a perspectiva de impunidade faz com que ocorra a violação dos direitos do menor impúbere. Essa situação é preocupante, uma vez que a falta de supervisão, tão comum hoje em dia, deixa as crianças à mercê de quem estiver por perto. Por força da profissão, acompanho muitas visitas de pais a seus filhos em praças e parques, encontrando muitas vezes crianças a brincar sem a supervisão de um adulto. Já socorri um menino de cinco anos acidentado no playground do prédio, enquanto os pais não estavam nem na varanda do apartamento. Já vi irmãozinho de oito anos cuidando de outros dois, de seis e quatro, na quadra de esportes. Estas crianças são emocionalmente carentes e se aproximam do primeiro adulto que lhes der atenção. Aí, depois que o pior acontecer, não adianta chorar e protestar, o estrago já estará feito. Está na hora de devolver a infância para as crianças - e vice-versa.

domingo, 10 de outubro de 2010

Ridi Pagliaccio

Um claro sinal de que a política - ou os políticos - não tem sido considerada algo sério é que o Deputado eleito com mais votos é um palhaço. Pode ser que, cansado de tantas palhaçadas amadoras no Congresso o eleitor tenha resolvido profissionalizar o aspecto circense da Câmara. Porém, isso também é uma piada. Na verdade, não creio nas eleições de Tiririca e Clodovil como tão similares à de Cacareco. Não é protesto, é a cultura das celebridades / subcelebridades em um tempo que a exposição na mídia faz toda a diferença. Se o Tiririca, que ainda não deixou claro se é alfabetizado ou não, fosse meu concorrente em uma editora, o livro das piadas do Tiririca seria editado muito mais facilmente, mesmo com autoria questionável e necessidade de um preparador de texto. Caso chamem o Wagner Moura para  Ministro da Defesa, ninguém estranhará após sua atuação como Capitão / Coronel Nascimento em Tropa de Elite. Em parte isto é influenciado pela obrigatoriedade do voto e pelas questões eleitoreiras que possibilitaram o direito de votar aos analfabetos e adolescentes. Analfabeto é cidadão, porém sou da opinião que na construção de sua cidadania é preciso que seja alfabetizado (no mínimo) e tenha condições de cursar o ensino fundamental antes de poder formar uma opinião política. Quanto aos adolescentes, não me parece adequado que alguém que não tenha responsabilidade penal ou possa dirigir veículos tenha condições de se responsabilizar pelo destino político da nação. São opiniões antipáticas, fora da linha do "politicamente correto", poderão ser tachadas de elitistas, mas entendo que vão contra a tendência brasileira de maquiar problemas em lugar de solucioná-los. Fingir que ao disponibilizar o voto a alguém sem instrução (em lugar de se proporcionar instrução de qualidade) se está dando condições de exercício de cidadania, ou que ao possibilitar progressão automática no ensino (maquiando os índices de repetência escolar) se garante educação, é uma indecência, é tapar o Sol com a peneira. Se a coisa continuar nesse rumo, em pouco tempo teremos Faustão concorrendo com Ratinho pela presidência da República. Já vejo o debate:

- Sr. Faustão, sua vez de perguntar ao Sr. Ratinho.
- Ratinho, se eleito, como você pretende financiar exames de DNA para toda a população?
- Tem que acabar com essa pouca...
- Ô, louco! e como você pretende melhorar a educação desse país?
- Que palhaçada é essa? Me deixa respon..
- Orra meu! E a saúde, como você pretende conduzir a política de saúde pública?
- Quer parar de me interromper, seu gordo filho da...
- Ô louco, meu!

É por isso que eu lamento o desaparecimento dos circos. Os bichos foram para os zoológicos, os malabaristas para os semáforos e os palhaços estão indo para a política. O que eles irão fazer lá, não sabem. Mas quando souberem, nos contarão.

domingo, 3 de outubro de 2010

Caneta comestível para o corpo

Ontem, conversando com uma amiga que vende produtos de sex shop, descobri um artigo que achei interessante: uma caneta de tinta comestível - ou "lambível", creio. Não sei se já tem uma versão light, para o pessoal não engordar ao se divertir, mas a menos que se escreva "Os Lusíadas" no corpo da parceira (ou do parceiro, dependendo de quem escreve), acho que não será isso que vai levar alguém à obesidade. Inevitável lembrar de um filme (A bela palomera) com o Ney Latorraca e a Cláudia Ohana em que os dois eram amantes e, enquanto ela dormia, ele escreveu "isto é meu" com batom na barriga dela, próximo ao sexo  Ela não percebeu, ficou nua diante do marido e o final foi trágico. Por isso, é capaz que essa história de canetinha comestível seja perigosa para os que pulam a cerca. Outra associação que fiz foi com relação à piada do Trulha (leia aqui) e pensei que, dependendo do porte do seu namorado, a mensagem poderá ficar truncada: ele perguntará "quem é esse Dema, afinal?!" porque você foi escrever "Te amo demais" e não coube a frase inteira. Mas o pior de tudo é dar a síndrome da folha em branco, tão conhecida dos escritores, e, ao perder a inspiração para o texto por um longo tempo, ficar aquela situação: "Anda, amor, escreve qualquer coisa, é só pra lamber mesmo!" "Como assim, então você não se importa com o que eu escrevo?! Eu pensei que você me amasse de verdade!"  Fica aí um conselho: em hipótese alguma desenhe uma caricatura de sua (seu) amada(o) nessa hora. A tinta poderá sair com as lambidas, mas as marcas ficarão por um longo tempo.

domingo, 26 de setembro de 2010

Contra a burrice, a solidariedade

Uma noite de domingo chuvosa não costuma ser a coisa mais animadora do mundo. Está certo, as plantinhas precisam da chuva, e tal, mas isso não serve de consolo. Aí, como se não bastasse ser domingo e estar chovendo bastante, a besta aqui resolveu atolar o carro às dez da noite em um barranco, felizmente escorado em uma pedra. Por sorte o local era habitado e uns rapazes, provavelmente músicos que estavam gravando no estúdio ali perto, propuseram-se a me ajudar a desatolar. Um dos conceitos básicos para quem desatola carros na lama é não ficar na frente da roda, mas foi o único lugar que sobrou para mim e eu tinha que tirar o carro de lá. Ele saiu, mas eu ganhei de prêmio um tratamento de beleza e cheguei em casa com lama saindo dos ouvidos, literalmente. Para quem não tinha assunto para a postagem de hoje, até que o saldo foi positivo. O único lesado foi um dos rapazes que me ajudaram, que teve dois dedos presos na porta pelo que foi dirigir. Doeu até em mim. Agradeço aqui aos generosos vizinhos da Ginny.

domingo, 19 de setembro de 2010

Da pasteurização dos candidatos


Depois de os marqueteiros (que detestam essa denominação) terem dominado o cenário eleitoral, as campanhas políticas ficaram de um jeito que você nunca sabe que bolo está por baixo daquela cobertura de gestos calculados, falas preparadas, penteados e maquiagens. O discurso de todos é ridiculamente parecido: irão proporcionar educação, saúde, emprego, etc. Nenhum diz exatamente como fará isso, de onde captará recursos (nem o que fará para reembolsar os que financiaram sua campanha, evidentemente). Tudo gira em torno de supostas obras que não se sabe como serão feitas, supostos serviços para os quais deverão contratar servidores (mas não contratarão, porque isso implicaria em aumentar arrecadação, diminuir roubalheira ou não financiar a manutenção do próprio partido no poder) e o mesmo blá-blá-blá que tem feito muita gente anular voto. Ontem eu lancei minha campanha pelo voto contra. Cada eleitor deveria ter a opção de, ao invés de votar a favor dos seus candidatos, votar contra os que considera piores. Cada voto contra cancelaria um voto a favor do referido candidato. Você chegaria à urna e haveria a pergunta inicial: quer votar a favor ou contra? Aí daria pra protestar de verdade, em lugar de votar no Cacareco, Clodovil ou Tiririca.

sábado, 11 de setembro de 2010

Personagens Inesquecíveis: Willy Wonka

A crermos nas teorias do Psiquiatra Suíço Carl. G. Jung, o Puer Aeternus (criança eterna, em uma tradução livre) seria um arquétipo, ou seja, uma matriz capaz de gerar símbolos. Algumas de suas representações na cultura são bastante conhecidas, como é o caso de Peter Pan, o menino que se recusa a envelhecer, mantendo a fantasia e a criatividade da infância indefinidamente, sob o preço de não amadurecer de todo. O livro Charlie & the chocolate factory, de Roald  Dahl, assim como as subsequentes adaptações cinematográficas, trouxe à luz uma reedição deste arquétipo na figura de Willy Wonka, dono de uma fábrica de chocolate que se recusa a adotar os métodos e a visão de mundo dos adultos. Sua fábrica envolve todo um contexto de fantasia que alegrou muitas crianças nas reprises da "Sessão da Tarde". Muitos de nós sonharam com a sala onde praticamente tudo era comestível (e dava cárie), ou um chiclete que era uma refeição completa, a máquina que transmitia o chocolate em ondas pelo espaço (Wonkavision). Teríamos as lições de moral reforçadas pelas canções dos Oompa-loompas, caso tivessem legendas na versão de 1971. Em 2005, Tim Burton criou sua versão mais lúgubre, na falta de palavra melhor, para a fábrica, os anõezinhos e o próprio Wonka, que ganhou ares mais neuróticos na interpretação de Johnny Depp, além de uma explicação odonto-psicanalítica para a personagem. Eu sou fã de carteirinha do Gene Wilder e reconheço que Depp tinha mesmo que inventar algo distinto, mas ficou um certo resquício de Edward Mãos-de-tesoura no Wonka do filme de Tim Burton, com algumas pitadas de Michael Jackson. Embora seja mais fiel ao livro, o segundo filme perdeu a parte do enredo que mais me agrada: o teste moral da lealdade e do caráter de Charlie. Não sei quanto a vocês, mas se sair uma promoção dos chocolates Wonka com cupons dourados, eu ainda quero um.

sábado, 4 de setembro de 2010

Reciclando


Hoje eu estava lavando louça e me dei conta de algumas coisas. Quando compro um pote de iogurte, pago pela embalagem. Depois disso, lavo (gasto água e trabalho de graça) e entrego pra alguém que revende a embalagem que já paguei para que ela seja reciclada e me seja vendida novamente. Se eu jogar fora sem lavar e sem selecionar, alguém terá que catar, lavar e vender para que seja reciclado. Aí, considerando este custo adicional, o fabricante me repassa esse valor no preço do produto, ou a prefeitura no valor do imposto. Ou seja, de qualquer jeito, quem paga sou eu, que só tomo o que tem dentro do potinho. No fim das contas, a mesma embalagem vai e volta para a minha mão e vivo pagando para tê-la de volta. Talvez seja melhor fazermos uma cooperativa de recolhimento de recicláveis e revendermos nós mesmos os produtos ao fabricante. Enquanto isso, nas escolinhas, ensinam o seu filho a ser um consumidor obediente, que compra, limpa, doa e recompra embalagens.

domingo, 29 de agosto de 2010

Cadernos de viagem: os preparativos

Para quem está habituado a correr o mundo, ir à Europa é como tomar um cafezinho no bar da esquina. Porém, para marinheiros de primeira viagem, como no meu caso, a coisa muda de figura. Quando você fecha um pacote de excursão ou vai com alguém que conheça os destinos, tudo fica mais estruturado e é questão simplesmente de seguir o programa. Porém, quando uma premiação está agendada em uma cidadezinha simpática, mas fora das rotas habituais das agências de turismo brasileiras, não há excursão que encaixe. Assim sendo, busquei uma agência de confiança do meu amigo Hildebrando, que vive circulando pelo mundo, para traçar uma rota personalizada. A agência fica em Balneário Camboriú, a uma hora e meia de viagem de Florianópolis. O que eu não contava é que eu teria uma crise de dor de dente na véspera, não encontraria um plantão odontológico que me atendesse, passaria a noite em claro e faria a viagem quase dormindo ao volante, mantido acordado apenas pela dor. Hotéis reservados, passagens compradas do Brasil a Portugal e da Espanha ao Brasil, tratamento de canal feito, era questão de descobrir como comprar as passagens entre as cidades (Lisboa, Porto, Mogadouro, Salamanca, Madrid e Toledo). Reservei pela internet o quarto no Hotel Trindade Coelho, em Mogadouro, em parte porque lá quase tudo leva o nome do escritor, em parte por homenagem a ele. Descobri que as passagens de trem (comboio) e de ônibus (autocarro) poderiam ser compradas sem reservas, pois os horários entre as grandes cidades eram freqüentes. Porém, de Porto a Mogadouro a coisa mudava de figura e eu fiquei meio apavorado com a possibilidade de perder a viagem. Outro problema surgiu: não encontrava na internet Ônibus que ligassem diretamente o nordeste português ao oeste espanhol. Ter que retornar a Lisboa e ir diretamente a Madrid implicaria em reorganizar todo o itinerário, modificar o pagamento, enfim, uma chateação. A solução foi encontrar o telefone de um motorista de táxi em Mogadouro e fechar um preço para a corrida entre aquela cidade e Salamanca, que me saiu cem euros, o que não achei nenhum absurdo para uma corrida de cerca de 130 km (duas horas de viagem). Na agência, apesar de todo o bom tratamento e a eficácia nos serviços, não souberam me alertar sobre uma vacina que precisaria ser tomada em tempo hábil e isso me deixou preocupado. Tomei a vacina fora do prazo e só me restou cruzar os dedos. De resto, peguei declaração do meu chefe de que eu tinha emprego no Brasil e volta agendada, a carta do Presidente do Concelho (com c mesmo) de Mogadouro, os vouchers todos e montei uma pastinha para não me barrarem no aeroporto, já que na ocasião havia muitos brasileiros voltando de Madrid logo depois da chegada. Por esta razão, escolhi chegar por Lisboa e partir de Madrid, o que se mostrou acertado. O passaporte já estava pronto há meses, porque não dava para saber se haveria ou não greve na Polícia Federal e eu não quis arriscar. Aí pesquisei os passeios em guias de viagem, conversei com meu tio João, que é especialista em assuntos ibéricos, mas fica melhor contar em uma próxima postagem sobre a viagem propriamente dita.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Respostas tardias para buscas perdidas - IV

Nem todo mundo vem ao "Soco no Figo" aprender a preparar bebida ice caseira, ou a ser canalha, a usar leite de figo para aumentar/engrossar o pênis, encontrar imagens do Marlon Brando passando manteiga na Maria Schneider, ou para fazer trabalhos sobre Marilene Shaolin (que é o jeito que a molecada pensa que a filósofa Marilena Chauí se chama). Claro que estes são maioria, mas há também gente com preocupações mais singulares e é a essa gente que respondo agora em uma nova rodada de "Respostas tardias para buscas perdidas".

- Se eu fosse um figo
... e soubesse nadar, eu tirava mais ácido do fundo do mar.

- Bicho do mato novela quien mato romario
Creo que el carácter no se llama Romario, pero Ramalho. Quién "mató" a Romario en 2002 fue Felipão Scolari.

- Bill Clinton biografia nas artes marciais
Diz a lenda que ele praticou tae-kwon-do, mas levo mais fé no judô do Putin.

- Como fazer o refrigerante ficar embaixo da vodka
Coloque a vodka na gaveta de cima da geladeira e o refrigerante na de baixo.

- figo gravo - para chá foto
Tente procurar "figo-bravo" no google imagens.

- Ir no ginecologista com a pele bem bronzeada é considerado assédio?
Se esta hipótese passou pela sua mente, corre o risco de ser.

- Jogo de estrumento de soco
Consiste no seguinte: um dos participantes rola no estrume e tenta se abraçar nos outros, que o repelem a socos.

- quero o desenho do soco em inglês
Tente procurar um "desenho de soco-inglês", a menos que você queira ver o Lennox Lewis apanhando.

- relação entre o mito da mulher gato e a ideologia da sociedade capitalista
Batman representa os aspectos ideológicos do capitalismo, uma vez que combate a criminalidade gerada pela desigualdade social que ele próprio produz na condição do milionário Bruce Wayne. A mulher gato... a mulher gato... bem, eu diria que fica muito sexy naquela roupinha.

domingo, 22 de agosto de 2010

Projetos literários

Fechei contrato para edição do segundo livro de contos. Ainda não há previsão para seu lançamento, mas manterei meus leitores informados. Tenho alguns projetos em andamento e conto com o apoio de vocês para um deles. Quero ambientar parte de um romance no Rio de Janeiro, entre as décadas de 30 e 90. Já reuni material sobre a cidade, principalmente sua vida cultural, mas gostaria de trocar idéias com pessoas que lá vivem ou viveram, a fim de captar o jeitão da cidade, das pessoas e do cotidiano na Cidade Maravilhosa. Quem quiser contribuir para este trabalho de pesquisa, favor enviar o e-mail como comentário. Como aqui no blog há moderação de comentários, seu e-mail não será publicado. Não há remuneração prevista, mas os que efetivamente contribuírem, receberão um exemplar autografado de um dos meus livros (a escolher) e seu nome constará na lista de agradecimentos do romance. Quem se habilita?

sábado, 14 de agosto de 2010

Os sem-tribo


Excluindo-se os grupos que se formam de modo obrigatório, como nas unidades de trabalho ou classes escolares, ou ainda por laços de parentesco, de modo geral as pessoas costumam se agrupar por afinidades e interesses comuns. Isso faz com que freqüentem os mesmos ambientes, tenham hábitos parecidos e acabem gravitando em torno de um estereótipo tribal. Dependendo da cidade onde você mora, há um leque maior ou menor de identidades grupais pré-fabricadas disponíveis e acaba sendo mais cômodo aderir a uma delas do que lutar para afirmar uma individualidade. Já morei em quatro cidades e nunca encontrei uma tribo prèt-a-porter que me servisse. Isso já me levou a momentos análogos ao personagem Tônio Kroeger, de Thomas Mann, que inveja uma normalidade corada e saudável. A vida seria muito mais fácil - ou pelo menos mais prática - se eu gostasse de carro prata, Ivete Sangalo, Big Brother, pagode, carnaval, excursão... ou então se surfasse, gostasse de um cigarrinho do Diabo, de reggae e tigela de açaí... ou tomasse o Daime, comesse comida natural, praticasse yoga e acreditasse em reencarnação. Pra cada um desses conjuntos de interesses há grupos bem definidos em Florianópolis. Porém, eu sempre fui um sem-tribo e, mesmo circulando e tentando socializar com muitas delas, é inevitável o momento em que lhe convidam para uma micareta, ou acendem um baseado, discutem a novela, defendem a revolução socialista ou a pena de morte. Pode ser que cada um e todos ali presentes sintam-se igualmente desterrados, em segredo. Mas não parece...

domingo, 8 de agosto de 2010

Invocando textos


Ando meio frustrado nas últimas semanas por não conseguir tempo e/ou disposição para desenvolver as idéias para postagens. Na verdade, não foram estas idéias que escassearam, mas calhou de só me ocorrerem temas que exigem algum fôlego para dar o tratamento adequado. Às vezes faço uma listagem para desenvolvê-los em momentos de ócio, outras simplesmente os perco entre manobras no trânsito, entrevistas, testes e laudos. Sequer os cadernos de viagem relatando a ida a Portugal e Espanha têm se mostrado objeto de escrita fluente... Já que escrever não tem sido fácil, pelo menos a leitura tem compensado. Voltei a ler um texto do Caio Fernando Abreu - na verdade a transcrição de um depoimento em uma mesa-redonda no seminário "Sobre o Manuscrito", organizado pelo setor de Filologia da fundação Casa de Rui Barbosa, em 1990, publicado na revista Ficções, ano I, nº 2 - sobre seu processo de criação. Inicialmente ele fez um desabafo quanto ao modo estúpido como a crítica no Brasil tratava o artista brasileiro pela sua ousadia de, frente às maiores dificuldades e falta de apoio, tentar criar alguma coisa. Em seguida, falou sobre seus rituais para criar. Sempre achei muito peculiar essa coisa de precisar de um ritual complexo para escrever, do tipo escrever apenas em dias ímpares, com papel importado, pena de ganso e tinta nanquim, ouvindo Aracy de Almeida em setenta e oito rotações, ou ainda conjurar espíritos, beber cachaça e fumar charuto. Seja em um notebook ou em papel de embrulho com caneta esferográfica, para mim sempre foi suficiente ser deixado em paz, ter tempo livre e não estar mentalmente cansado. As idéias boas, é claro, aparecem quando querem, por isso convém ter sempre um bloquinho, um celular ou um gravador para registrá-las. Porém, como diz o povo, "cada um é cada um" e o resultado dos rituais do Caio Fernando Abreu compensava. Dele, recomendo Pequenas Epifanias, publicado em 1996 pela Editora Sulina, após o falecimento prematuro do escritor.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bisbilhotices

Terminei a leitura de Solo de Clarineta, excelente livro de memórias de Érico Veríssimo. Sempre que leio biografias me ocorre que muitas das pessoas ali expostas poderiam ficar constrangidas, se ainda vivas, uma vez que a opção por expô-las foi do biografado ou de algum jornalista indiscreto. Quando as semi-celebridades tiram fotos praticamente intra-uterinas para revistas, não estão apenas expondo seu púbis e implantes de silicone, mas também seus parentes. Hoje em dia, banalidades como "Estrela de cinema flagrada tirando meleca no semáforo" ganham uma importância extraordinária nos meios de comunicação. Esse impulso misto de voyeurismo com bisbilhotice que nos leva ao interesse pela vida alheia, embora gere empregos e ajude a preencher o tempo ocioso, parece-me um sinal de vidas próprias pouco interessantes. É por isso que eu gosto da ficção: permite que vidas de mentirinha sejam bisbilhotadas sem maiores conseqüências para as personagens. Isso, claro, quando os indiscretos de plantão não ficam tentando achar quem as inspirou. Por estas e outras que eu não clono gente de verdade em meus escritos de ficção.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Tele-marketeiros que não irão para o inferno

Ainda há esperança! Recebi um telefonema me oferecendo um serviço de internet e a vendedora não ficou repetindo "Senhor Paulo", não usou gerundismo, nem insistiu. Perguntou se poderia deixar o número dela caso eu tivesse interesse após examinar as propostas na página da empresa, ou ainda se poderia me enviar uma proposta específica por e-mail. Ouviu atentamente as condições que me interessavam, tirou minhas dúvidas, tudo isso conversando como uma pessoa normal, depois se despediu com um "Obrigado" e não com "A empresa X agradece, blá-blá-blá". Nada de técnicas de vendas (psicologia do mal), nem de chatice. Não sei se a supervisora irá descartá-la, mas essa menina Cassiana ganhou o meu respeito. 

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Trava-línguas nipônico

Repita rapidamente por três vezes a frase: "Cheiro de sushi sem shoyu"

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cadernos de viagem: traçando o roteiro

Adoro conhecer lugares novos, comidas típicas, outros idiomas e costumes. Porém, detesto passar horas a fio espremido em uma poltrona de avião ou ônibus, ou a sacolejar estradas afora. Meu ideal de viagem é aquela maquininha da Enterprise, de Jornada nas Estrelas, em que você se desmaterializa e volta a se materializar no destino. Porém, depois que assisti ao filme "A mosca" a idéia não me pareceu assim tão boa. Este paradoxo cria uma tensão todas as vezes que uma proposta de viagem é feita e costumo recusar parte delas. Porém, depois que estou no destino, tudo muda de figura. Enquanto vivia a rotina de Professor Universitário, imaginava que não atravessaria o Atlântico, salvo se um Congresso Internacional me garantisse um patrocínio. Felizmente o prêmio literário em Portugal serviu para quebrar esta barreira e pude fazer a minha viagem do Descobrimento. É meio clichê, mas muito verdadeiro dizer que ao descobrir o "Outro" findamos por descobrir mais ainda sobre nós mesmos. Quando se tem uma viagem datada, em com um compromisso assumido em local distante dos pontos turísticos habituais, é difícil encontrar algum tipo de roteiro ou excursão prontos que atendam aos nossos interesses. Assim sendo, ao saber que teria uma cerimônia no Nordeste de Portugal, na simpática Vila de Mogadouro, precisei guardar os medos no bolso e recorrer a todo tipo de orientação, pois não teria guia ou sequer acompanhante, uma vez que é difícil alguém ter tempo e dinheiro para lhe acompanhar numa viagem dessas exatamente no período da premiação. Na dúvida sobre a possibilidade de visitar novamente o Velho Mundo, a afobação e a inexperiência me levaram a um roteiro inicial inviável para o pouco tempo disponível. Em virtude de ser em pleno semestre letivo, precisei contar com a boa vontade de alunos e Coordenador, que de fato foram muito generosos e permitiram um plano de antecipação/reposição das aulas. Mesmo assim, foram apenas cerca de dez dias (saí do Brasil em uma sexta à tarde, para retornar em uma segunda-feira) e só no avião, entre ida e volta, foram vinte e sete horas. Pensei inicialmente em conhecer Lisboa, Porto, Mogadouro, Salamanca, Madrid, Toledo, Sevilha, Granada e Córdoba. Lá pelas tantas, caiu a ficha de que seria humanamente impossível circular tanto em tão pouco tempo e acabei optando pelas seis primeiras. De todas, Lisboa foi a que menos aproveitei, pois tive um dia de Mr. Bean que narrarei em outra postagem. Lá pelas tantas, fuçando rotas de trem e ônibus em Portugal e Espanha, percebi que seria impossível me deslocar diretamente de Mogadouro para Salamanca por estes meios -  o que criava um terrível contratempo. Felizmente foi possível agendar com antecedência um táxi que cobrou um preço bastante honesto para esta viagem, tornando viável o roteiro estabelecido: chegada a Lisboa no Sábado ao meio-dia, viagem de trem de Lisboa à cidade do Porto no domingo após o almoço, pernoite no Porto no domingo, viagem a Mogadouro na terça à tarde, pernoite em Mogadouro, viagem de táxi até Salamanca apos a cerimônia de premiação na quarta-feira, pernoite em Salamanca, viagem a Madrid na quinta-feira à tarde, pernoite em Madrid, excursão a Toledo no sábado, passeio pelos museus e pelo Parque del Retiro no domingo, volta para o Brasil na segunda de manhã. Deu tudo certo, graças às dicas de amigos e parentes que me ajudaram a planejar e providenciar meios para que assim fosse. Porém, é o inesperado que fortalece o enredo e, paradoxalmente, sempre se pode contar com ele.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mudanças de paradigma

Ontem estava vendo uns vídeos do Michael Hedges no Youtube e me dei conta de uma coisa: é difícil para os que vieram depois de uma mudança de paradigma perceber a importância de certos pioneiros. Quando eu ouvia o Caetano Veloso idolatrar João Gilberto, não compreendia bem: achava-o um senhor cheio de frescuras e exigências nos espetáculos, com uma voz fraquinha, porém afinada, e um violão jeitoso. Só fui compreender o que João Gilberto significou como mudança depois de já tocar violão e conhecer mais música. Quem hoje assiste na TV ao videotape das partidas da Holanda de 1974 não vai compreender a dimensão da mudança tática que esta seleção promoveu. Até mesmo quem vê o Royler e o Renzo Gracie, já senhores, apanhando de lutadores não tão expressivos no MMA (vale-tudo), não percebe nitidamente o impacto que o jiu-jitsu brasileiro teve no mundo das artes marciais depois de 1995. A história das culturas tem um aspecto cumulativo, o acesso à informação vem disparando e é difícil imaginar um mundo onde reis eram desdentados, tinham piolhos e defecavam nos cantos dos cômodos dos palácios. Tempos sem internet, telefone, tratamento de canal ou papel higiênico. Não tenho conhecimento histórico suficiente para demarcar as grandes mudanças de paradigma ao longo do processo civilizatório, mas tenho alguns palpites.

a) No campo da comunicação: mímica; linguagem falada; linguagem escrita; rádio; telefone; televisão; internet;

b) No campo da saúde/higiene: banho; herbatologia; cirurgia; aquedutos; esgotos; destilação (álcool); esterilização (assepsia); anestésicos/analgésicos; antibióticos; próteses/órteses; psicoterapia; exames de saúde (bioquímicos e de imagem).

c) No campo da engenharia: máquinas simples (alavanca, roldana, engrenagem, mola, plano inclinado, cunha, rodas e eixo); pontes; barcos; carroças/carruagens; máquinas de guerra (catapultas, etc.); moinhos-de-vento; máquinas a vapor; motores de combustão; eletricidade; eletrônica;automação; informática.

Poderia prosseguir com essas listas, mas o ponto que quero demarcar já está suficientemente ilustrado: todas estas mudanças levam a alterações na subjetividade e é difícil para nós a compreensão do universo simbólico de homens de outras épocas. É por isso que, dadas as rápidas mudanças tecnológicas, é cada vez mais difícil para os filhos entenderem seus pais e vice-versa. Não que em algum momento isso tenha sido fácil. É por essas e outras que tenho apreciado cada vez mais a leitura de biografias (principalmente as autobiografias). No momento, estou lendo a do Érico Veríssimo. Recomendo.  

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sorpresas te da la vida

O caso Bruno / Eliza está dando tanto o que falar, que achei melhor abordar outro assunto: música!


Uma canção da qual gosto muito é Pedro Navaja, uma salsa composta e cantada por Rubén Blades, inspirada em outra canção fantástica: Mack, the Knife. Pedro Navaja conta a história de um bandido metido a malandro, que resolve se dar bem em cima de uma prostituta. Por uma questão financeira, pouco se importa com a vida dela e mete-lhe a faca. Porém, ele não contava com o fato de que sua vida terminaria ali também. Ao final, quem acaba lucrando em cima é outra pessoa que nada tinha a ver com o assunto:

"Sólo un borracho con los dos cuerpos se tropezo,
Cojio el revolver, el puñal, los pesos y se marchó,
Y tropezando se fue cantando desafinao'
El coro que aqui les traje y da el mensaje de mi cancion.
"La vida te da sorpresas, sorpresas te da la vida" ay Dios...
Pedro Navaja matón de esquina
quien a hierro mata, a hierro termina"

Não que isso não seja bas-fond, mas pelo menos tem poesia e um pouco de justiça acidental, que é mais do que a vida oferece, na maioria das vezes.

sábado, 3 de julho de 2010

Motivos descosturados e desculpas esfarrapadas

Karl Popper foi um Filósofo da Ciência que defendeu o princípio da falseabilidade como critério de cientificidade para o conhecimento. Traduzindo: tente provar que aquela hipótese é falsa; se a afirmação resistir ao falseamento (tentativa de provar  sua falsidade), deve ser temporariamente considerada verdadeira até que se consiga provar o contrário. Claro que nenhum dos nossos comentaristas esportivos chegou perto de ler Popper alguma vez na vida, então temos um bando de senhores com meras opiniões e senso comum a nos oferecer - coisa que qualquer um tem. Não fazem mais pontos em bolão, ou prognósticos mais acurados, nem mesmo acertam a pronúncia dos nomes eslovacos ou finlandeses mais do que nós. Tirando uma ou outra honrosa exceção de estudiosos, como o excelente Paulo Vinícius Coelho, ou de ex-jogadores inteligentes, como o Caio e o Tostão, os demais são simples cidadãos brasileiros com uma câmera à frente para desferirem chutes e pedradas ao seu bel prazer. Bobagem por bobagem, posso me dar ao luxo de falar as minhas próprias, sofisticadas por um olhar neo-popperiano: vamos ao teste das hipóteses jornalísticas pelo princípio da falseabilidade.

O Brasil perdeu porque:

a) Negou a tradição do futebol-arte, com toque de bola, ginga e habilidade?
Não. Em 1970 teve isso e venceu, em 1982 teve e perdeu. Em 1990 não teve e perdeu, em 1994 não teve e venceu.

b) Não levou jogadores de criação no meio-de-campo?
Não. Em 1958 tinha um meio de campo com ótimos jogadores de criação e venceu, em 1974 também e perdeu. Em 1994 tinha um meio de campo de criatividade limitada e venceu, em 1990 idem e perdeu.

c) O técnico não tinha experiência em Copas do Mundo?
Não. Em 1970 o Zagallo debutou em copas como treinador e venceu, em 1974 e 1998, mais experiente, perdeu. Em 1986, Beckembauer debutou em copas do mundo como treinador e foi vice-campeão; na copa seguinte, mais experiente, venceu.

d) Um jogador perdeu o controle emocional nas quartas de final e foi expulso?
Não. Em 2002, Ronaldinho Gaúcho pisou em um jogador inglês nas quartas de final, foi expulso e vencemos. Em 1994, Leonardo deu uma cotovelada em um jogador americano nas quartas de final, foi expulso e vencemos. Em 2006, não houve expulsões de brasileiros nas quartas de final e perdemos.

e) O jogador brasileiro não consegue recuperar seu equilíbrio emocional quando o placar é adverso?
Não. Em 1958 viramos a final contra a Suécia, em 1962 viramos a final contra a Tchecoslováquia; em 1982 , 1998 e 2006, não conseguimos.

f) O técnico foi cabeça-dura e não seguiu os clamores da torcida?
Não. Em 1994, Parreira cedeu, levou Romário e venceu. Em 2002, Felipão não cedeu, não levou Romário, e venceu.

g) Dunga não soube se relacionar com a imprensa?
Não. Em 1982, Bearzot e a equipe italiana estavam em crise com a imprensa e a Itália venceu, em 2002 a equipe francesa brigou com a imprensa e perdeu.  Em 2006, a seleção brasileira estava em lua-de-mel com a imprensa e perdeu, já em 2002, estava bem relacionada e venceu.

h) Não se preparou adequadamente para a copa?
Não. Em 1970, o Brasil se preparou bem e venceu. Em 1982, preparou-se bem e perdeu. Em 2002, preparou-se mal e venceu, em 2006, preparou-se mal e perdeu.


Então, por que raios o Brasil levou essa laranjada em 2010?
Porque das quartas de final em diante a Copa é muito nivelada, decidida em detalhes: falhas, contusões, substituições, apitos, bandeiradas, propinas, rixas e até na mão de Deus. A vitória é que é a exceção, não a derrota: trinta e uma seleções perderão a Copa e só uma a vencerá. O mais estranho não é termos perdido quatorze copas, mas sim termos vencido cinco delas. As outras seleções também são protagonistas e não apenas coadjuvantes em um sonho ufanista brasileiro de monopolizar as vitórias no futebol. É como a piada do brasileiro que foi à Espanha, parou em um restaurante perto da plaza de toros e degustou um prato típico: cojones (os testículos do touro). Gostou do prato e comeu mais duas vezes nos dias seguintes. Na quarta vez, porém, a porção veio muito menor e ele se queixou ao garçom, que respondeu: Cavalheiro, nem sempre é o touro quem perde.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Respostas tardias para buscas perdidas - III

Muita gente chega ao meu blog e encontra exatamente o que procurava, como por exemplo os pinguços pobres querendo aprender a fazer bebida ice caseira. Outros batem na trave, como os bonzinhos querendo aprender "como ser mais canalha", ou o pessoas de Sodoma e Gomorra querendo aprender a incorporar a manteiga nas suas diversões. Há quem erre o alvo completamente, como os sujeitos de pinto pequeno que buscam os benefícios de passar leite de figo no pênis. Nesta última categoria há sempre quem me surpreenda por sua originalidade e é em homenagem a estes buscadores que retorno com as "respostas tardias para buscas perdidas": 

1) Biografia da Filósofa Marilene Shaolin; Quem é Marilene Shaolin; Ética de Marilene Shaolin;
Marilene Shaolin nem sempre foi monja ou especialista no estilo dos cinco animais. Inicialmente, quando ainda era conhecida como Marilena Chaui, era filósofa, com doutorado sobre Espinosa - razão pela qual continua preocupada com a Ética até hoje, depois da iluminação pelo budismo Ch´an. Embora mais conhecida por lecionar Filosofia Política e publicar livros sobre Filosofia em linguagem acessível, Marilena teve uma epifania ao assistir Kung Fu Panda e resolveu viajar até a província de Henan, ao sopé da montanha Song, para conhecer o mosteiro Shaolin (shao = pequeno; lin = bosque, floresta). Desde então, virou vegetariana e treina todas as manhãs os dezoito exercícios de Lo Han, concebidos por Boddhidharma, segundo diz a lenda. Quero só ver a cara do seu professor ao ler isso, depois que vocês fizerem ctrl + c, ctrl + v. Essa turma do fundão me mata...

2) Uma bobagem história da equação de segundo grau atualmente;
Bhaskara foi um matemático indiano que viveu no século doze e encontrou uma fórmula para resolver equações de segundo grau. Atualmente os alunos só pensam em bobagem e não querem estudar história.

3) Cenas de novelas com perversão e estupros;
Uma importante emissora de TV está pensando em fazer uma novela sobre estupradores perversos, mas ainda está em dúvida sobre o dramaturgo a escolher. Em uma das possibilidades, a mãe do estuprador (vivido por José Mayer) se chamava Helena e  ao final dos capítulos haverá depoimentos de pessoas estupradas; na outra, os estupradores perversos serão soldados sérvios, as pessoas violentadas serão bósnias e todo mundo falará português com um sotaque esquisito. O bordão "estupra, mas não mata", em bosanski (idioma da bósnia), pegará como chiclete.

4) Conheço um psicólogo perverso;
Eu conheço vários. ;-)

5) pesquisa do croquete de cimento;
Os resultados comprovaram: croquete de cimento faz mal aos dentes e às gengivas.

6) Feminização por hipnose;
Suas pálbebras estão pesadas (cílios postiços)... você está muito relaxada (na dieta)... você está sob o meu comando (moda)...

7) Filmes adulto árabe;
Ai, habib... Ai, habib! hmmmmm  Ai, Allah! Ai, Allah... Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! 

8) Peitos fugindo;
Se passarem por mim, pode deixar que seguro.

9) pacote porto soco cheio;
encomenda recebida olho roxo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Bas-fond

Minhas leitoras devem estar entediadas com tanto futebol no blog, mas eu vou falar da Copa e lá futebol não tem sido exatamente o forte. Por isso, vou falar no popular "bafão", que não deriva de bafo, mas é na verdade uma corruptela do termo francês bas-fond, que tem como um dos significados "as camada miseráveis e moralmente degradadas da sociedade", ou seja, o submundo. Daí, virou sinônimo de baixaria. Nesta Copa está rolando o legítimo bas-fond na seleção francesa, que sem o Zidane é apenas uma seleção africana que faz biquinho ao falar: um monte de afro-descendentes altos e fortes que correm muito, porém sem organização, sentido de coletividade ou disciplina. Por outro lado, a África do Sul escolheu um dos técnicos sul-americanos mais europeus e sofre com a falta de criatividade e de coragem de um time do Parreira.  Curiosamente, os dois selecionados se enfrentarão quase sem perspectiva de classificação, basicamente para tentar minimizar o desapontamento das respectivas torcidas. Mas, voltando ao bafão, descontentes com o técnico e a imprensa, os jogadores fazem motim e bancam os ofendidos. Vamos pensar um pouquinho na atitude do Anelka: por mais que o Domenech seja um técnico questionável, cabe à imprensa e aos torcedores fazê-lo. Se você for um empregado e chamar seu chefe de fdp e mandá-lo tomar onde o sol não bate, dá demissão por justa causa. Se você for um pirata, o capitão manda furarem seus olhos e o jogarem ao mar. Se você for um militar durante a guerra, leva um tiro de fuzil. Se você for um traficante, acho que rola uma solução Joana D´Arc. Está certo que autoritarismo também não resolve, mas decididamente treinador sem pulso não dá certo. Agora os jogadores estão tentando tirar o deles da reta e tem que sobrar para alguém. Minha aposta é que, caso não se classifiquem, o Zidane seja indicado como técnico, em uma solução do tipo Dunga/Maradona. Mas que o Anelka não jogaria nem no meu time de botão, não jogaria.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Factóide

É falsa a notícia de que os técnicos presentes na Copa do Mundo, com exceção dos da Alemanha, Chile e Espanha, tenham corrido um abaixo assinado para a FIFA solicitando as seguintes modificações nas regras do futebol:

a) Todos os times jogarão com nove goleiros, um volante que não poderá atravessar a linha do meio do campo, salvo nas cobranças de escanteio, e um atacante perneta;
b) Estará impedido todo jogador que receber a bola sem ter pelo menos oito jogadores do time adversário entre si e a meta;
c) Ao atacante perneta serão vedados os gols de cabeça, sendo automaticamente anulados;
d) Os escanteios serão cobrados pelo volante, proibindo-se o acesso dos goleiros do time cobrador à grande área adversária;
e) Os empates passarão a valer três pontos, as derrotas a valer dois e as vitórias um ponto negativo;
f) O jogador que fizer um gol durante a partida será punido com cartão amarelo; os que reincidirem na mesma partida serão sumariamente expulsos, com suspensão automática de dois jogos, sequestro dos bens e prisão domiciliar;
g) O técnico que tratar a imprensa de modo simpático, sem ironia ou sarcasmo, será apedrejado por seus pares.

sábado, 12 de junho de 2010

Para não dizer que não falei de moda

Quando criança eu não entendia o espírito dos desfiles de moda e pensava: quem vai sair na rua desse jeito? Sempre me pareceram algo muito próximo das brincadeiras infantis, quando as meninas se maquiavam de modo desajeitado e vestiam as roupas das mães, desfilando na sala de estar. Depois me ensinaram que os desfiles deveriam exagerar as tendências, como um indicativo. Aí eu passei a torcer para a tendência da estação ser das transparências ou do corpo visível, porque os desfiles ficavam cheios de mulheres bonitas seminuas. Aí a adolescência acabou e esse voyeurismo diminuiu um pouco - só um pouco. Continuei a observar que a variação dos cortes de cabelo, das bocas das calças, do tipo de maquiagem e das cores das roupas eram seguidas com um fervor quase religioso por boa parte da mulherada. Hoje, ao ver uma senhora vestindo uma saia com estampas questionáveis, tive um insight - quase uma epifania: a moda precisa ser passível de ridicularização futura para poder mudar. O que afasta temporariamente a moda do ridículo é justamente a soma da autoridade dos estilistas com a anuência dos consumidores. A moda é, portanto, o deslocamento arbitrário do ridículo a serviço do comércio. Em outras palavras, a moda de hoje precisa ser  o ridículo de amanhã - e vice-versa -, do contrário as roupas serão vendidas apenas quando suas antecessoras se estragarem. Por isso, lançar moda é sempre flertar perigosamente com o bizarro, o extravagante. Não é à toa que as celebridades dão tantos escorregões na estética quando ocorrem premiações e festas: são elas que ajudam os estilistas a arriscar para lançar as tendências. Saias repolhudas, colarinhos gigantes, calças de pirata, gravatas ultra-finas ou ultra-largas, botas alaranjadas, calças boca de sino, costeletas, cabelos black-power, mullets, estampas florais, padrões de zebra ou onça, verde limão, blazer de veludo, unhas bicolores, saltos agulha e plataforma, tudo isso se alterna e a única certeza de não se estar ridículo é estatística: quanto mais gente estiver do mesmo jeito, maior o seu salvo-conduto. Quem se veste de modo clássico terá a garantia de não cair no ridículo, pois estará sempre naquela faixa intermediária de quem não quer a atenção sobre si. O clássico é o zero a zero da moda.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ora, bolas!

Ainda lembro da minha adolescência, quando experimentei um violão fabricado por um Luthier e achei maravilhoso, porém o dono do instrumento era capaz de extrair coisas melhores de um violão Tonante do que eu de seu violão artesanal - e olhe que o Tonante em um acampamento provavelmente faria mais sucesso como lenha para a fogueira do que para acompanhar a cantoria. O pessoal tem reclamado da bola da copa, que deve ser leve demais mesmo. Só quem é patrocinado pela empresa que a produziu a está defendendo publicamente. Concordo que sempre é melhor trabalhar com bons instrumentos, porém já houve tempos em que isso era o de menos. As bolas de couro, quando chovia, ficavam encharcadas, pesadas e escorregadias. A molecada jogava futebol na rua com bola de meia, latinha de cerveja, tampinha de garrafa, laranja, o que estivesse disponível.  Por isso, quando a bola era um pouquinho melhor, os garotos faziam com ela coisas do arco da velha. Hoje em dia, que desde pequenos os jogadores passam mais tempo na preparação física do que com a bola nos pés, uma pequena mudança já causa esse alvoroço, como se justificasse uma possível derrota. A bola será ruim para todos e, até onde se sabe, ninguém teve mais tempo que os outros para se adaptar a ela.  Estão é dando muita bola para a bola.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Gramática e dominação

Os verbos irregulares e defectivos nada mais são do que uma forma dos adultos demonstrarem autoridade:
eu, criança, penso que "sabo", e o adulto sorri satisfeito, dizendo que não "sei".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

VCMPFCSTEVDAASL

O final de Lost, como era de se prever pela quantidade de pontas soltas que teriam que ser unidas, foi uma apelação muito da sem-vergonha, de fazer noveleiro corar. Em lugar de esclarecer os mil e um mistérios que intrigaram a legião de fãs, empregou-se uma saída estratégica do tipo: "não precisava fazer sentido, era tudo meio delirante, como no sonho, e o fundamental é entender que Deus é mais e somos todos importantes uns para os outros". Porém, para não desagradar ao meu leitor Chico, vou deixar as críticas dos que acompanharam a série referendarem o que eu disse. Quem quiser, que leia as críticas do Somir, do Gravataí Merengue e do Filipêra sobre o assunto. Aí eu fico pensando: oitenta e duas horas e meia só de episódios, durante seis temporadas, sem contar o tempo que a galerinha usou discutindo em blogs, listas...

Daí a reflexão me trouxe a seguinte idéia, cujas iniciais nomeiam esta postagem:
Várias Coisas Melhores Para Fazer Com Seu Tempo Em Vez de Assistir Ao Seriado Lost

- Jogar 165 partidas de sinuca;
- Fazer 165 sessões de meditação;
- Fazer 160 sessões de massagem;
- Ler 15 livros;
- Assistir a 41 filmes;
- Ir a 30 jantares românticos;
- Jogar/ assistir a 41 partidas de futebol;
- Jogar/ assistir a 82 partidas de basquete;
- Ouvir/ tocar 1740 músicas;
- Escrever o seu TCC, que você vem enrolando pra acabar;
- Aprender a cozinhar;
- Aprender a dançar;
- Aprender primeiros socorros;
- Aprender defesa pessoal;
- Aprender a dirigir;
- Correr 25 maratonas;
- Transar uma porção de vezes (sejam rapidinhas, sejam tântricas);
- Dormir 15 minutinhos a mais todos os dias por quase um ano inteiro...
(você continua daqui)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Your time is... LOST

Assisti a uns dez episódios da série e já senti um certo cheiro de enganação no ar. Depois disso, nunca mais assisti e apenas li o que outros escreveram a respeito. Não sei nem o nome de mais de cinco personagens. Tirando o fato de que as telespectadoras se dividem entre fãs do Sayid e do Sawyer, que todas acham o Jack sem sal, apesar de bonito - coisas que aprendi com a mulherada nas instrutivas conversas de botequim sobre o assunto -, o restante das informações geravam confusão e me davam a pista de que se tinha alguém perdido, eram os roteiristas. Lendo um comentário de um dos criadores da série às vésperas de seu esperado desfecho, percebi onde estava o engodo. Eles não tinham idéia de quanto tempo a série teria audiência e renovação de contrato, portanto tinham um início, um esboço de final, algumas charadas para colocar no ar e o resto era esforço para encher lingüiça. Isso é o retrato do que o entretenimento popular fez com os escritores. O público manda, o roteirista obedece e as obras viram uma espécie de monstro de Frankenstein, no mau sentido do termo. Essa é a nossa época: você não ganha espaço porque tem algo a dizer, mas precisa dizer algo porque o espaço já lhe foi alugado. Porém,  o que se pode esperar de uma indústria onde os reality shows têm direção e as novelas são reescritas conforme o que estiver dando audiência? É por isso que eu não assisto. Gosto de passatempos, não de perca-tempos. A diferença? Pontas soltas. Muitas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Enigmas, mistérios e charadas

Durante este final de semana, enquanto um "amigo do alheio" furtava o som do meu carro, eu me entretinha lendo "O enigma do Quatro" (The rule of four), um livro dentro da tradição inaugurada por Umberto Eco, suponho, que reúne romance policial com erudição sobre simbolismo e história. Eco, com bom humor e uma pitada de sarcasmo,  disse que Dan Brown é uma personagem inventada por ele próprio em "O Pêndulo de Foucault", que inaugurou a ficção baseada em teorias conspiratórias místico-religiosas. O enigma do Quatro gira em torno do mistério da obra Hypnerotomachia Poliphili, um livro pra lá de enigmático escrito em vários idiomas ao mesmo tempo, misturando hieroglifos com criptogramas, bem ao gosto dos autores renascentistas. Achei o livro bem feitinho. Conseguiu prender minha atenção e não caiu na tentação de fazer acreditar que há mais do que ficção ali, como prefere o Dan Brown. É bem humano ser um pouquinho paranóico, então, quanto mais mirabolante a conspiração, maior o número de simpatizantes do livro. Não que conspirações não existam, mas normalmente elas são mais prosaicas e giram em torno do dinheiro e não de segredos sobre aspectos sobrenaturais do universo. Hoje em dia eu desconfio que Jung se perdeu no labirinto deixado intencionalmente pelos alquimistas, seguindo pistas falsas que deixaram em seus escritos. Aqueles velhotes, principalmente os que não ficaram doidos em função do envenenamento por metais, realmente sabiam como esconder as coisas.

sábado, 15 de maio de 2010

Alergias sociais

Eu sou socialmente alérgico a militantes, ativistas e missionários. Eis as principais razões:

1) São inconvenientes: adoto um princípio de etiqueta de que você deve oferecer algo uma vez e insistir somente mais uma, para evitar o risco de uma recusa por educação quando de fato a pessoa queria aceitar. Depois disso, a oferta constrange a aceitar mesmo que não se queira ou a recusar de maneira veemente, criando mal estar. Uma vez eu fui num barzinho com um amigo, que estava disposto a seduzir uma moça e me incumbiu de tirar a amiga dela das proximidades pelo tempo necessário. Mal comecei a conversa e ela tentou me apresentar Jesus (que eu conheço desde criança e é meu amigo, inclusive já me confidenciou que acha os fanáticos um pé no saco). Tudo bem, se ela queria deixar claro que não iria rolar nada, Jesus é um ótimo guarda-costas. Porém, tudo tem limite! Eu não vou pro templo tentar seduzir as crentes, elas que não venham pro boteco me encher a paciência.

2) São arrogantes: eles se acreditam detentores da Verdade e quem não aceita sua perspectiva é taxado de alienado, pecador ou qualquer outra palavra desaforada que una burrice, crueldade e outros predicados indesejáveis. Já tentou argumentar com líder estudantil em assembléia, Companheiro? Nem tente! Afinal de contas, o preço do bandejão do Restaurante Universitário não pode subir além da fortuna de três reais e cinquenta centavos, pois isso é uma afronta ao ensino público, gratuito e de qualidade para todos aqueles estudantes pobres e famélicos que passam no vestibular de uma universidade federal.

3) São desonestos: entre a Causa (no sentido de missão, não de causalidade) e a veracidade factual, optam sempre pela primeira, distorcendo os fatos para que caibam em suas explicações de mundo. Passado o 13 de maio, alguém viu destaque para o aspecto histórico de que, em sua maioria, os negros trazidos como escravos para o Brasil já eram escravos de negros de outras tribos na África, sendo por eles vendidos? Isso não torna a escravidão mais aceitável, porém evita a afirmação maniqueísta de que o mal no mundo tem o sexo masculino, a cor branca e os olhos azuis. A escrotice humana desconhece fronteiras de credo, cor e gênero.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Um time sem surpresas

A convocação do Dunga, como ele mesmo havia prometido, não surpreendeu de fato. Mesmo com nomes menos cotados, como o de Grafite, preservou a filosofia que Dunga sempre defendeu, como jogador e técnico: determinação e aplicação tática, em detrimento da criatividade. Como nas demais competições das quais o Brasil participou, tem muita chance de triunfar, mesmo sem apresentar um futebol agradável de se ver. A tendência é termos uma defesa compacta e jogos embolados no meio de campo, com a maior parte dos gols brasileiros surgindo de bolas paradas ou contra-ataques. Quem marcar a saída de bola no nosso campo levará muita chance de vencer, pois esse time terá dificuldade em sair jogando e em reverter placares adversos. Quem partir para cima com tudo, em busca da vitória sobre o Brasil, perderá inapelavelmente. Talvez Kleberson ou Ramires consigam evitar aquele futebol burocrático que o acúmulo de volantes produziu na Copa América, talvez Michel Bastos ou Daniel Alves jogando pela meia ao lado de Kaká ajudem a melhorar a ligação com o ataque. Porém, o mais provável é que Luís Fabiano, Robinho ou Nilmar sofram algumas faltas perto da área, Elano cobre e os nossos zagueiros artilheiros façam de cabeça. Uma copa para muito sofrimento, como foram as de 90 (com derrota), 94 (com vitórias minguadas, empates e pênaltis) e 98 (com mistérios). Da escalação, apenas uma ressalva: volantes em demasia. Todos os convocados poderiam estar lá... mas precisava ser ao mesmo tempo? Trocando um deles por um meia de criação, como o Ganso ou o Ronaldinho, teríamos um banco com maiores possibilidades de variação tática. Do jeito que está, podemos repor jogadores afastados por contusão, mas dificilmente modificar o estilo de jogo quando necessário. Dunga é teimoso, a imprensa é volúvel. Não conheci técnico de seleção que não teimasse, porém este é um mal necessário. Se deixar ao gosto do torcedor, fica como a fábula do velho, o menino e o burro: sempre se está errando, não importa o que se faça. Então, como diz o Dunga, sejamos patriotas e torçamos para essa seleção alemã que ele dirige.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ficção, realidade e bengaladas

Quando um jovem de personalidade esquizotípica pega uma arma e sai atirando a esmo dentro de um cinema, rapidamente constatam que ele assistia a filmes de guerra e jogava videogames de tiros. Aí surge uma avalanche de protestos contra a violência em filmes e games, antes mesmo que se pesquise um nexo causal entre estes hábitos e a situação de agressão descrita. Porém, quando uma velhinha agride a bengaladas um ator que faz o papel de vilão em uma novela, ninguém diz que a teledramaturgia confunde a cabeça das velhinhas. Assume-se prontamente que uma pessoa no seu juízo perfeito e com as informações necessárias não confundiria ficção (fantasia) com realidade, portanto o problema estaria na velhinha e não na novela. Conclusão: pelo sim, pelo não, mantenha a vovó longe dos filmes de guerra e dos games de tiros.

domingo, 2 de maio de 2010

Torcendo, destorcendo e distorcendo

Meu amigo Cláudio Santana costumava dizer que quando uma pessoa se deu conta de que saiu da adolescência é porque chegou na meia-idade. Sim, para ele existem quatro fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, meia-idade e velhice. Meu camarada não acredita em fase adulta... e começo a pensar que ele está mais certo do que os livros. Um dos sinais claros de que você está na meia-idade é quando começa a achar desnecessária a existência de 90% das cenas de sexo e/ou nudez nos filmes não destinados especificamente ao erotismo/pornografia, ou a presença de palavras de baixo calão nos cantos de guerra do seu clube. Hoje, no estádio da Ressacada, fiquei pouco à vontade pelos pais que levaram seus filhos pequenos para ver o Avaí ser bi-campeão. Pelo menos não houve vandalismo, o que já é um ponto para o processo civilizatório. Mas para não dizer que meu lado troglodita foi totalmente obscurecido, comi um churrasquinho de gato.

 
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