domingo, 3 de janeiro de 2010

Valores e segurança


Quando conheci Madri, tive uma oportunidade fantástica de rever alguns conceitos. Em Florianópolis o pessoal se endivida até a alma para andar em carros que não pode pagar, a não ser em elásticas prestações a perder de vista. Há lombadas dentro do estacionamento do meu condomínio porque não se confia na educação dos motoristas e porque os pais abandonam seus filhos pequenos a brincar sem supervisão, inclusive nas garagens do prédio, contrariando o regimento interno. Quando fui visitar os museus Thyssen-Bornemisza e do Prado, imaginei que haveria um esquadrão de ninjas, campos de força e blindagens em volta das pinturas de valor incalculável. No meio de tantas obras valiosíssimas, havia apenas uma equipe de seguranças com jeito de pessoas comuns (homens e mulheres que cuidam do seu prédio e não uma equipe policial de elite), alguns anteparos sugerindo uma distância mínima a se manter do quadro e era só, ao menos ao que se pudesse observar a primeira vista. Havia crianças acompanhadas por seus pais e a suposição de que ninguém seria desmiolado ao ponto de colocar os dedos, raspar com a unha, rabiscar ou vandalizar o acervo. E, de fato, o máximo que se fazia era olhar mais de perto do que o recomendável. A qualidade das obras e o impacto que causam no observador é um capítulo a parte e fica para uma outra postagem. Aqui fica apenas o registro de que são necessários séculos de história, talvez o sofrimento de algumas guerras - com direito a queima de pessoas e livros -, para que se crie um pouco de bom senso e respeito.

7 comentários:

Laís disse...

O mais incrível de viajar deve ser mesmo essas diferenças culturais. Imaginar como séculos de história diferentes nos faz tão peculiares.

Laís disse...

Olá, eu tava revendo os arquivos e vi esse post que eu gosto muito http://realidadecontundente.blogspot.com/2009/09/poesia-nao-serve.html
queria te perguntar se essa frase é sua, por que achei muito linda!
Brigada!

Paulo César Nascimento disse...

Oi, Laís

O melhor de viajar é isso mesmo, o estranhamento que produz. Essa frase é minha sim. Dificilmente eu posto textos de outros. Se não houver créditos a outro autor, o texto é de minha autoria. Obrigado pela gentileza do comentário! Bjs

Rafael disse...

É respeito.

Talvez um probleminha seja o povo não se sentir apto a respeitar, sendo desrespeitado pelos seus governantes...
Aquela frase grotesca: Minha educação vai até onde vai a sua.

Talvez devessem transformar respeito em religião.
- Qual sua crença?
- Sou Respeitoso.

Raphael Rocha Lopes disse...

Como diria Miguel Reale em uma palestra sobre ética na magistratura, para alcançar a Justiça basta colocar-se no lugar do outro. Educação é a mesma coisa...

João Brandão disse...

Fui visitar um aquário gigante em Barcelona. Podia fotografar, mas sem flash. Uma voz de mulher ao alto-falante dizia, repetidas vezes, em três idiomas (inglês, castelhano e catalão) que não podia usar flash. E os flashes continuavam espoucando, como se nada estivesse sendo dito...
Também em Barcelona, uns imigrantes da África vendiam bolsas na calçada, todas colocadas num pano. De cada uma das quatro pontas do pano saía uma corda, para, quando batesse a polícia, o pessoal juntar o pano com as bolsas e sair correndo...

Drama disse...

A educação brasileira, em todos os sentidos/ramificações possíveis, me entristece.

 
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