terça-feira, 30 de março de 2010

Não se reprima

Estavam os dois naquela fase gostosa de descoberta, conversando em um bar. Lá pelas tantas, ela confidencia a ele:
- Eu era fã do Menudo. Tinha um poster do Ricky Martin e tudo.
- Do Ricky Martin?! Pra mim esse cara é viadinho...
Ela ri, dá um soquinho no braço dele e responde:
- Não é viadinho! Ele é lindo e você é invejoso.
Sorri e continuam a conversar por horas.
No outro dia, se encontram no msn e ele digita:
- Não falei que o Ricky Martin é viadinho? Tá aqui o link dele assumindo.
Passa-se um minuto e ela responde:
- Não é viadinho! Ele é gay e você é preconceituoso. Não converso com homofóbicos!
E o bloqueia no msn.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Equação semântica

Odeio ser pressionada(o) = Adoro enrolar

segunda-feira, 22 de março de 2010

A tragédia de Sarriá

Vem chegando a Copa do Mundo e uma coisa é certa: a maioria dos times jogará para não perder. Isso parece óbvio, mas há uma sutileza embutida nesta frase. Não jogarão para vencer, mas para não perder. Isto sempre existiu e a seleção italiana, atual campeã, costuma ser um grande expoente em se defender e esperar para contra-atacar. Quem tinha menos de dez anos em 1982 não deve entender muito bem o que significava o jeito brasileiro de jogar futebol. Isso porque o nosso futebol morreu em 5 de julho de 1982, no estádio Sarriá, em Barcelona, naquela derrota sofrida para a Itália de Paolo Rossi. Podíamos empatar, jogamos para vencer e perdemos. Quem acha que a velhice e saudosismo dos comentaristas dão mais brilho ao futebol daquela seleção, deve clicar aqui e ver se aprende o que significa futebol arte. Já perdemos outras copas, mas o maior prejuízo para o ofensivo e técnico futebol brasileiro veio desta derrota. Telê Santana, nosso treinador, representava a antítese da mecanização à moda européia proposta pelo seu antecessor, Cláudio Coutinho. Era outra época, havia maior identificação dos jogadores com seus clubes e os únicos que jogavam na Europa eram Falcão e Dirceu. O futebol era alegre, de toque de bola rápido e com qualidade no passe, jogadas de efeito e gols, muitos gols. Em uma tarde infeliz, com o time em um clima de "já ganhou", jogando o primeiro tempo meio de salto alto, o Brasil foi sufocado pela marcação italiana, embora os dois gols marcados sugiram outra coisa. A defesa foi displicente e Paolo Rossi estava inspirado. Até o último minuto, o Brasil pressionou. Não deu.

Em 1986, com o retorno de Telê a pedidos, após a insatisfação provocada por alguns de seus substitutos,  a seleção já estava sem aquele fôlego e brilho.  Em 1990, na copa de pior futebol que o mundo já viu, vivemos uma entressafra de talentos com a medíocre seleção de Lazaroni, inaugurando a chamada "era Dunga", de futebol aguerrido, porém pouco inspirado. Em 1994, Parreira montou uma equipe para não perder. Do meio para trás era uma fortaleza e a única lei era "bico para frente, que o Romário e o Bebeto resolvem". Faltava criatividade no meio de campo e foi preciso torcer muito para que a bola sobrasse milagrosamente para nossa dupla de ataque. Novamente encontramos os italianos pelo caminho, porém dessa vez nosso futebol era mais italiano do que o deles. Quando dois times jogam para não perder, o mais provável é que saiam no zero a zero, que foi o que de fato ocorreu. Vencemos nos pênaltis, como bem poderíamos ter perdido, já que o futebol - como a vida - é cheio de caprichos. Com o aumento do dinheiro que está em jogo, a filosofia de não perder se firmou no futebol. Não raro, vemos times com três zagueiros e dois volantes, com um jogador sozinho lá na frente, ao qual só resta cavar  faltas para sair um a zero de bola parada. Menos mal que existe a seleção espanhola, de Fábregas, Torres e Villa, que joga para frente. Tomara nos estejam devolvendo o futebol que esquecemos por lá.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mariachis fusion

Não sou purista, nem devoto das tradições. Não acho heresia colocarem cream-cheese no sushi ou tocarem jazz fusion com ritmos caribenhos. No fundo, toda tradição em algum momento já foi inovação ou mistura. Se você achar que italianos comiam macarrão com molho de tomate ou polenta antes da descoberta do Novo Mundo, estará enganado. Da mesma forma, se achar que o Judô é uma arte marcial milenar, também  estará: nasceu de uma adaptação que o Mestre Jigoro Kano fez do Jiu-jitsu após a segunda guerra mundial. Por sua vez, o Jiu-jitsu foi um aprimoramento da arte marcial chinesa do Shuai Jiao, embora alguns digam que deriva de uma arte marcial indiana praticada por monges budistas. Acho improvável, porque na Índia as castas dos Brâmanes e dos Xátrias são marcadamente separadas, enquanto na China os militares derrotados costumavam se abrigar nos mosteiros para se esconderem de seus inimigos.  Porém, para tudo há limite. Fui no fim de semana a um restaurante mexicano que abriu recentemente e, em certo momento, apareceram três sujeitos vestidos de Mariachi. Durante a noite, além do inevitável "Parabéns a você", tocaram "Macarena" (do grupo espanhol Los del Río), "Baila me" (do grupo espanhol Gypsy Kings), "Volare" (releitura que o Gypsy Kings fez de uma música italiana), "Guantanamera" (música cubana, de José Martí e Josito Fernandez) e por aí foram. Quando tocaram "Pinga ni mim" (do brasileiro Sérgio Reis), exclamei: nossa, o célebre compositor mexicano Sergio de los Reyes! Quando eu já esperava que tocassem Martinho da Vila - a essas alturas convertido em Martín de la Villa, finalmente tocaram "Besame Mucho", da mexicana Consuelo Velázquez. E foi só, nada rancheras, juapangos ou corridos, como as famosas "La Adelita" e "La Cucaracha". Aí fica a pergunta, o que é mais mexicano: Gypsy Kings ou Cafe Tacuba? Sérgio Reis ou Molotov? Tá certo que ninguém lá parecia saber a diferença, mas se aparecesse um acarajé com os burritos, o pessoal iria reclamar. Nada contra tocarem músicas espanholas, argentinas ou colombianas, mas aí não precisava toda aquela encenação de se vestir de Mariachi. Vou sugerir que chamem o grupo de "Las Liebres" e entrem vestidos de gatos.

P.S.: a ilustração é uma homenagem póstuma a Glauco, um dos autores dos maravilhosos "Los 3 amigos".

sábado, 13 de março de 2010

Sexting e cyberbullying

Hoje em dia, a molecada começou a trocar fotos digitais sem roupa como uma nova modalidade de prática sexual. Os americanos passaram a chamar esta atividade de sexting. Até aí, tudo bem, não teria nada contra se não ocorresse a derivação do sexting para outra prática: o cyberbullying, que consiste em desmoralizar, humilhar, torturar, chantagear ou qualquer outra atividade mau-caráter que os nossos pimpolhos costumavam praticar na escola, porém transferida para o ambiente virtual. Se o bullying comum já é um inferno para quem o sofre, o cyberbullying tem um efeito mais devastador, pois em nenhum lugar onde se tenha acesso à internet você estará livre dos seus efeitos. Nos anos 80, um adolescente do meu colégio teve o azar de ter uma diarréia e se borrar todo antes de chegar ao banheiro. Faltou às aulas durante uma semana, depois voltou e sofreu todo o tipo de brincadeira  desagradável, ao ponto de ter de trocar de escola. Quando descobriram para onde ele tinha se transferido, os amados coleguinhas fizeram cartazes e foram até a outra escola entoar cantos de "Fulaninho cagão!" Ou seja, ser escroto não é uma característica do adolescente contemporâneo, mas transcende as épocas e faixas etárias. Se fosse hoje, o Fulaninho poderia se transferir para uma escola no Japão e ainda assim seria refém, com a frase "Fulaninho Cagão" traduzida online e colada na página do colégio, plantada por um cracker. A lei e seus operadores ainda tentam correr atrás, mas a tecnologia avança mais rápido.

Aí fica a pergunta: por que as pessoas se deixam fotografar (ou elas próprias se fotografam) em poses comprometedoras e enviam estas imagens a alguém que mal conhecem? Na minha opinião, isso se dá por uma mistura de vaidade e imaturidade. Hoje em dia, as referências de fama e beleza aparecem nuas ou seminuas em revistas, filmes e sites. A criaturinha em formação, olhando no espelho e reconhecendo a exuberância que a natureza lhe está  oferecendo, resolve ter seus quinze minutos de símbolo sexual, capricha na depilação, pega o seu celular moderninho e ultra-equipado, pinta os olhos, faz biquinho na frente do espelho e voilá. Ou então a criatura mais crescidinha vai até o motel com seu namorado ou amante e se transforma em atriz pornô para que ele fotografe. Acorde, querida! O cara está lhe vendo ao vivo, pra quê quer foto? É pra mostrar a mais alguém, não se iluda. Falo assim no feminino porque até agora não vi nenhum rapaz reclamar de danos morais por aparecer nu na internet, mas a lógica vale para eles também. Então fica a dica: sexting pode levar ao cyberbullying. Não seja bobo(a).

domingo, 7 de março de 2010

Autocrítica

Você conhece alguém que reconheça não ter bom-gosto, bom-senso ou noção do ridículo?
Você conhece algum extremista que não se julgue ponderado?
Você, que sorriu disso, certamente pensou em uma série de pessoas conhecidas, mas não em você mesmo(a), não foi?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Quase-prazeres

Quando bebo cerveja sem álcool, café descafeinado, refrigerante zero, ou ainda quando substituo sorvete por frozen yogurt, pão branco pelo integral, manteiga por creme vegetal, sinto um quase-prazer indescritível. E você?

 
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