quinta-feira, 27 de maio de 2010

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O final de Lost, como era de se prever pela quantidade de pontas soltas que teriam que ser unidas, foi uma apelação muito da sem-vergonha, de fazer noveleiro corar. Em lugar de esclarecer os mil e um mistérios que intrigaram a legião de fãs, empregou-se uma saída estratégica do tipo: "não precisava fazer sentido, era tudo meio delirante, como no sonho, e o fundamental é entender que Deus é mais e somos todos importantes uns para os outros". Porém, para não desagradar ao meu leitor Chico, vou deixar as críticas dos que acompanharam a série referendarem o que eu disse. Quem quiser, que leia as críticas do Somir, do Gravataí Merengue e do Filipêra sobre o assunto. Aí eu fico pensando: oitenta e duas horas e meia só de episódios, durante seis temporadas, sem contar o tempo que a galerinha usou discutindo em blogs, listas...

Daí a reflexão me trouxe a seguinte idéia, cujas iniciais nomeiam esta postagem:
Várias Coisas Melhores Para Fazer Com Seu Tempo Em Vez de Assistir Ao Seriado Lost

- Jogar 165 partidas de sinuca;
- Fazer 165 sessões de meditação;
- Fazer 160 sessões de massagem;
- Ler 15 livros;
- Assistir a 41 filmes;
- Ir a 30 jantares românticos;
- Jogar/ assistir a 41 partidas de futebol;
- Jogar/ assistir a 82 partidas de basquete;
- Ouvir/ tocar 1740 músicas;
- Escrever o seu TCC, que você vem enrolando pra acabar;
- Aprender a cozinhar;
- Aprender a dançar;
- Aprender primeiros socorros;
- Aprender defesa pessoal;
- Aprender a dirigir;
- Correr 25 maratonas;
- Transar uma porção de vezes (sejam rapidinhas, sejam tântricas);
- Dormir 15 minutinhos a mais todos os dias por quase um ano inteiro...
(você continua daqui)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Your time is... LOST

Assisti a uns dez episódios da série e já senti um certo cheiro de enganação no ar. Depois disso, nunca mais assisti e apenas li o que outros escreveram a respeito. Não sei nem o nome de mais de cinco personagens. Tirando o fato de que as telespectadoras se dividem entre fãs do Sayid e do Sawyer, que todas acham o Jack sem sal, apesar de bonito - coisas que aprendi com a mulherada nas instrutivas conversas de botequim sobre o assunto -, o restante das informações geravam confusão e me davam a pista de que se tinha alguém perdido, eram os roteiristas. Lendo um comentário de um dos criadores da série às vésperas de seu esperado desfecho, percebi onde estava o engodo. Eles não tinham idéia de quanto tempo a série teria audiência e renovação de contrato, portanto tinham um início, um esboço de final, algumas charadas para colocar no ar e o resto era esforço para encher lingüiça. Isso é o retrato do que o entretenimento popular fez com os escritores. O público manda, o roteirista obedece e as obras viram uma espécie de monstro de Frankenstein, no mau sentido do termo. Essa é a nossa época: você não ganha espaço porque tem algo a dizer, mas precisa dizer algo porque o espaço já lhe foi alugado. Porém,  o que se pode esperar de uma indústria onde os reality shows têm direção e as novelas são reescritas conforme o que estiver dando audiência? É por isso que eu não assisto. Gosto de passatempos, não de perca-tempos. A diferença? Pontas soltas. Muitas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Enigmas, mistérios e charadas

Durante este final de semana, enquanto um "amigo do alheio" furtava o som do meu carro, eu me entretinha lendo "O enigma do Quatro" (The rule of four), um livro dentro da tradição inaugurada por Umberto Eco, suponho, que reúne romance policial com erudição sobre simbolismo e história. Eco, com bom humor e uma pitada de sarcasmo,  disse que Dan Brown é uma personagem inventada por ele próprio em "O Pêndulo de Foucault", que inaugurou a ficção baseada em teorias conspiratórias místico-religiosas. O enigma do Quatro gira em torno do mistério da obra Hypnerotomachia Poliphili, um livro pra lá de enigmático escrito em vários idiomas ao mesmo tempo, misturando hieroglifos com criptogramas, bem ao gosto dos autores renascentistas. Achei o livro bem feitinho. Conseguiu prender minha atenção e não caiu na tentação de fazer acreditar que há mais do que ficção ali, como prefere o Dan Brown. É bem humano ser um pouquinho paranóico, então, quanto mais mirabolante a conspiração, maior o número de simpatizantes do livro. Não que conspirações não existam, mas normalmente elas são mais prosaicas e giram em torno do dinheiro e não de segredos sobre aspectos sobrenaturais do universo. Hoje em dia eu desconfio que Jung se perdeu no labirinto deixado intencionalmente pelos alquimistas, seguindo pistas falsas que deixaram em seus escritos. Aqueles velhotes, principalmente os que não ficaram doidos em função do envenenamento por metais, realmente sabiam como esconder as coisas.

sábado, 15 de maio de 2010

Alergias sociais

Eu sou socialmente alérgico a militantes, ativistas e missionários. Eis as principais razões:

1) São inconvenientes: adoto um princípio de etiqueta de que você deve oferecer algo uma vez e insistir somente mais uma, para evitar o risco de uma recusa por educação quando de fato a pessoa queria aceitar. Depois disso, a oferta constrange a aceitar mesmo que não se queira ou a recusar de maneira veemente, criando mal estar. Uma vez eu fui num barzinho com um amigo, que estava disposto a seduzir uma moça e me incumbiu de tirar a amiga dela das proximidades pelo tempo necessário. Mal comecei a conversa e ela tentou me apresentar Jesus (que eu conheço desde criança e é meu amigo, inclusive já me confidenciou que acha os fanáticos um pé no saco). Tudo bem, se ela queria deixar claro que não iria rolar nada, Jesus é um ótimo guarda-costas. Porém, tudo tem limite! Eu não vou pro templo tentar seduzir as crentes, elas que não venham pro boteco me encher a paciência.

2) São arrogantes: eles se acreditam detentores da Verdade e quem não aceita sua perspectiva é taxado de alienado, pecador ou qualquer outra palavra desaforada que una burrice, crueldade e outros predicados indesejáveis. Já tentou argumentar com líder estudantil em assembléia, Companheiro? Nem tente! Afinal de contas, o preço do bandejão do Restaurante Universitário não pode subir além da fortuna de três reais e cinquenta centavos, pois isso é uma afronta ao ensino público, gratuito e de qualidade para todos aqueles estudantes pobres e famélicos que passam no vestibular de uma universidade federal.

3) São desonestos: entre a Causa (no sentido de missão, não de causalidade) e a veracidade factual, optam sempre pela primeira, distorcendo os fatos para que caibam em suas explicações de mundo. Passado o 13 de maio, alguém viu destaque para o aspecto histórico de que, em sua maioria, os negros trazidos como escravos para o Brasil já eram escravos de negros de outras tribos na África, sendo por eles vendidos? Isso não torna a escravidão mais aceitável, porém evita a afirmação maniqueísta de que o mal no mundo tem o sexo masculino, a cor branca e os olhos azuis. A escrotice humana desconhece fronteiras de credo, cor e gênero.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Um time sem surpresas

A convocação do Dunga, como ele mesmo havia prometido, não surpreendeu de fato. Mesmo com nomes menos cotados, como o de Grafite, preservou a filosofia que Dunga sempre defendeu, como jogador e técnico: determinação e aplicação tática, em detrimento da criatividade. Como nas demais competições das quais o Brasil participou, tem muita chance de triunfar, mesmo sem apresentar um futebol agradável de se ver. A tendência é termos uma defesa compacta e jogos embolados no meio de campo, com a maior parte dos gols brasileiros surgindo de bolas paradas ou contra-ataques. Quem marcar a saída de bola no nosso campo levará muita chance de vencer, pois esse time terá dificuldade em sair jogando e em reverter placares adversos. Quem partir para cima com tudo, em busca da vitória sobre o Brasil, perderá inapelavelmente. Talvez Kleberson ou Ramires consigam evitar aquele futebol burocrático que o acúmulo de volantes produziu na Copa América, talvez Michel Bastos ou Daniel Alves jogando pela meia ao lado de Kaká ajudem a melhorar a ligação com o ataque. Porém, o mais provável é que Luís Fabiano, Robinho ou Nilmar sofram algumas faltas perto da área, Elano cobre e os nossos zagueiros artilheiros façam de cabeça. Uma copa para muito sofrimento, como foram as de 90 (com derrota), 94 (com vitórias minguadas, empates e pênaltis) e 98 (com mistérios). Da escalação, apenas uma ressalva: volantes em demasia. Todos os convocados poderiam estar lá... mas precisava ser ao mesmo tempo? Trocando um deles por um meia de criação, como o Ganso ou o Ronaldinho, teríamos um banco com maiores possibilidades de variação tática. Do jeito que está, podemos repor jogadores afastados por contusão, mas dificilmente modificar o estilo de jogo quando necessário. Dunga é teimoso, a imprensa é volúvel. Não conheci técnico de seleção que não teimasse, porém este é um mal necessário. Se deixar ao gosto do torcedor, fica como a fábula do velho, o menino e o burro: sempre se está errando, não importa o que se faça. Então, como diz o Dunga, sejamos patriotas e torçamos para essa seleção alemã que ele dirige.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ficção, realidade e bengaladas

Quando um jovem de personalidade esquizotípica pega uma arma e sai atirando a esmo dentro de um cinema, rapidamente constatam que ele assistia a filmes de guerra e jogava videogames de tiros. Aí surge uma avalanche de protestos contra a violência em filmes e games, antes mesmo que se pesquise um nexo causal entre estes hábitos e a situação de agressão descrita. Porém, quando uma velhinha agride a bengaladas um ator que faz o papel de vilão em uma novela, ninguém diz que a teledramaturgia confunde a cabeça das velhinhas. Assume-se prontamente que uma pessoa no seu juízo perfeito e com as informações necessárias não confundiria ficção (fantasia) com realidade, portanto o problema estaria na velhinha e não na novela. Conclusão: pelo sim, pelo não, mantenha a vovó longe dos filmes de guerra e dos games de tiros.

domingo, 2 de maio de 2010

Torcendo, destorcendo e distorcendo

Meu amigo Cláudio Santana costumava dizer que quando uma pessoa se deu conta de que saiu da adolescência é porque chegou na meia-idade. Sim, para ele existem quatro fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, meia-idade e velhice. Meu camarada não acredita em fase adulta... e começo a pensar que ele está mais certo do que os livros. Um dos sinais claros de que você está na meia-idade é quando começa a achar desnecessária a existência de 90% das cenas de sexo e/ou nudez nos filmes não destinados especificamente ao erotismo/pornografia, ou a presença de palavras de baixo calão nos cantos de guerra do seu clube. Hoje, no estádio da Ressacada, fiquei pouco à vontade pelos pais que levaram seus filhos pequenos para ver o Avaí ser bi-campeão. Pelo menos não houve vandalismo, o que já é um ponto para o processo civilizatório. Mas para não dizer que meu lado troglodita foi totalmente obscurecido, comi um churrasquinho de gato.

 
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