sexta-feira, 25 de junho de 2010

Respostas tardias para buscas perdidas - III

Muita gente chega ao meu blog e encontra exatamente o que procurava, como por exemplo os pinguços pobres querendo aprender a fazer bebida ice caseira. Outros batem na trave, como os bonzinhos querendo aprender "como ser mais canalha", ou o pessoas de Sodoma e Gomorra querendo aprender a incorporar a manteiga nas suas diversões. Há quem erre o alvo completamente, como os sujeitos de pinto pequeno que buscam os benefícios de passar leite de figo no pênis. Nesta última categoria há sempre quem me surpreenda por sua originalidade e é em homenagem a estes buscadores que retorno com as "respostas tardias para buscas perdidas": 

1) Biografia da Filósofa Marilene Shaolin; Quem é Marilene Shaolin; Ética de Marilene Shaolin;
Marilene Shaolin nem sempre foi monja ou especialista no estilo dos cinco animais. Inicialmente, quando ainda era conhecida como Marilena Chaui, era filósofa, com doutorado sobre Espinosa - razão pela qual continua preocupada com a Ética até hoje, depois da iluminação pelo budismo Ch´an. Embora mais conhecida por lecionar Filosofia Política e publicar livros sobre Filosofia em linguagem acessível, Marilena teve uma epifania ao assistir Kung Fu Panda e resolveu viajar até a província de Henan, ao sopé da montanha Song, para conhecer o mosteiro Shaolin (shao = pequeno; lin = bosque, floresta). Desde então, virou vegetariana e treina todas as manhãs os dezoito exercícios de Lo Han, concebidos por Boddhidharma, segundo diz a lenda. Quero só ver a cara do seu professor ao ler isso, depois que vocês fizerem ctrl + c, ctrl + v. Essa turma do fundão me mata...

2) Uma bobagem história da equação de segundo grau atualmente;
Bhaskara foi um matemático indiano que viveu no século doze e encontrou uma fórmula para resolver equações de segundo grau. Atualmente os alunos só pensam em bobagem e não querem estudar história.

3) Cenas de novelas com perversão e estupros;
Uma importante emissora de TV está pensando em fazer uma novela sobre estupradores perversos, mas ainda está em dúvida sobre o dramaturgo a escolher. Em uma das possibilidades, a mãe do estuprador (vivido por José Mayer) se chamava Helena e  ao final dos capítulos haverá depoimentos de pessoas estupradas; na outra, os estupradores perversos serão soldados sérvios, as pessoas violentadas serão bósnias e todo mundo falará português com um sotaque esquisito. O bordão "estupra, mas não mata", em bosanski (idioma da bósnia), pegará como chiclete.

4) Conheço um psicólogo perverso;
Eu conheço vários. ;-)

5) pesquisa do croquete de cimento;
Os resultados comprovaram: croquete de cimento faz mal aos dentes e às gengivas.

6) Feminização por hipnose;
Suas pálbebras estão pesadas (cílios postiços)... você está muito relaxada (na dieta)... você está sob o meu comando (moda)...

7) Filmes adulto árabe;
Ai, habib... Ai, habib! hmmmmm  Ai, Allah! Ai, Allah... Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! 

8) Peitos fugindo;
Se passarem por mim, pode deixar que seguro.

9) pacote porto soco cheio;
encomenda recebida olho roxo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Bas-fond

Minhas leitoras devem estar entediadas com tanto futebol no blog, mas eu vou falar da Copa e lá futebol não tem sido exatamente o forte. Por isso, vou falar no popular "bafão", que não deriva de bafo, mas é na verdade uma corruptela do termo francês bas-fond, que tem como um dos significados "as camada miseráveis e moralmente degradadas da sociedade", ou seja, o submundo. Daí, virou sinônimo de baixaria. Nesta Copa está rolando o legítimo bas-fond na seleção francesa, que sem o Zidane é apenas uma seleção africana que faz biquinho ao falar: um monte de afro-descendentes altos e fortes que correm muito, porém sem organização, sentido de coletividade ou disciplina. Por outro lado, a África do Sul escolheu um dos técnicos sul-americanos mais europeus e sofre com a falta de criatividade e de coragem de um time do Parreira.  Curiosamente, os dois selecionados se enfrentarão quase sem perspectiva de classificação, basicamente para tentar minimizar o desapontamento das respectivas torcidas. Mas, voltando ao bafão, descontentes com o técnico e a imprensa, os jogadores fazem motim e bancam os ofendidos. Vamos pensar um pouquinho na atitude do Anelka: por mais que o Domenech seja um técnico questionável, cabe à imprensa e aos torcedores fazê-lo. Se você for um empregado e chamar seu chefe de fdp e mandá-lo tomar onde o sol não bate, dá demissão por justa causa. Se você for um pirata, o capitão manda furarem seus olhos e o jogarem ao mar. Se você for um militar durante a guerra, leva um tiro de fuzil. Se você for um traficante, acho que rola uma solução Joana D´Arc. Está certo que autoritarismo também não resolve, mas decididamente treinador sem pulso não dá certo. Agora os jogadores estão tentando tirar o deles da reta e tem que sobrar para alguém. Minha aposta é que, caso não se classifiquem, o Zidane seja indicado como técnico, em uma solução do tipo Dunga/Maradona. Mas que o Anelka não jogaria nem no meu time de botão, não jogaria.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Factóide

É falsa a notícia de que os técnicos presentes na Copa do Mundo, com exceção dos da Alemanha, Chile e Espanha, tenham corrido um abaixo assinado para a FIFA solicitando as seguintes modificações nas regras do futebol:

a) Todos os times jogarão com nove goleiros, um volante que não poderá atravessar a linha do meio do campo, salvo nas cobranças de escanteio, e um atacante perneta;
b) Estará impedido todo jogador que receber a bola sem ter pelo menos oito jogadores do time adversário entre si e a meta;
c) Ao atacante perneta serão vedados os gols de cabeça, sendo automaticamente anulados;
d) Os escanteios serão cobrados pelo volante, proibindo-se o acesso dos goleiros do time cobrador à grande área adversária;
e) Os empates passarão a valer três pontos, as derrotas a valer dois e as vitórias um ponto negativo;
f) O jogador que fizer um gol durante a partida será punido com cartão amarelo; os que reincidirem na mesma partida serão sumariamente expulsos, com suspensão automática de dois jogos, sequestro dos bens e prisão domiciliar;
g) O técnico que tratar a imprensa de modo simpático, sem ironia ou sarcasmo, será apedrejado por seus pares.

sábado, 12 de junho de 2010

Para não dizer que não falei de moda

Quando criança eu não entendia o espírito dos desfiles de moda e pensava: quem vai sair na rua desse jeito? Sempre me pareceram algo muito próximo das brincadeiras infantis, quando as meninas se maquiavam de modo desajeitado e vestiam as roupas das mães, desfilando na sala de estar. Depois me ensinaram que os desfiles deveriam exagerar as tendências, como um indicativo. Aí eu passei a torcer para a tendência da estação ser das transparências ou do corpo visível, porque os desfiles ficavam cheios de mulheres bonitas seminuas. Aí a adolescência acabou e esse voyeurismo diminuiu um pouco - só um pouco. Continuei a observar que a variação dos cortes de cabelo, das bocas das calças, do tipo de maquiagem e das cores das roupas eram seguidas com um fervor quase religioso por boa parte da mulherada. Hoje, ao ver uma senhora vestindo uma saia com estampas questionáveis, tive um insight - quase uma epifania: a moda precisa ser passível de ridicularização futura para poder mudar. O que afasta temporariamente a moda do ridículo é justamente a soma da autoridade dos estilistas com a anuência dos consumidores. A moda é, portanto, o deslocamento arbitrário do ridículo a serviço do comércio. Em outras palavras, a moda de hoje precisa ser  o ridículo de amanhã - e vice-versa -, do contrário as roupas serão vendidas apenas quando suas antecessoras se estragarem. Por isso, lançar moda é sempre flertar perigosamente com o bizarro, o extravagante. Não é à toa que as celebridades dão tantos escorregões na estética quando ocorrem premiações e festas: são elas que ajudam os estilistas a arriscar para lançar as tendências. Saias repolhudas, colarinhos gigantes, calças de pirata, gravatas ultra-finas ou ultra-largas, botas alaranjadas, calças boca de sino, costeletas, cabelos black-power, mullets, estampas florais, padrões de zebra ou onça, verde limão, blazer de veludo, unhas bicolores, saltos agulha e plataforma, tudo isso se alterna e a única certeza de não se estar ridículo é estatística: quanto mais gente estiver do mesmo jeito, maior o seu salvo-conduto. Quem se veste de modo clássico terá a garantia de não cair no ridículo, pois estará sempre naquela faixa intermediária de quem não quer a atenção sobre si. O clássico é o zero a zero da moda.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ora, bolas!

Ainda lembro da minha adolescência, quando experimentei um violão fabricado por um Luthier e achei maravilhoso, porém o dono do instrumento era capaz de extrair coisas melhores de um violão Tonante do que eu de seu violão artesanal - e olhe que o Tonante em um acampamento provavelmente faria mais sucesso como lenha para a fogueira do que para acompanhar a cantoria. O pessoal tem reclamado da bola da copa, que deve ser leve demais mesmo. Só quem é patrocinado pela empresa que a produziu a está defendendo publicamente. Concordo que sempre é melhor trabalhar com bons instrumentos, porém já houve tempos em que isso era o de menos. As bolas de couro, quando chovia, ficavam encharcadas, pesadas e escorregadias. A molecada jogava futebol na rua com bola de meia, latinha de cerveja, tampinha de garrafa, laranja, o que estivesse disponível.  Por isso, quando a bola era um pouquinho melhor, os garotos faziam com ela coisas do arco da velha. Hoje em dia, que desde pequenos os jogadores passam mais tempo na preparação física do que com a bola nos pés, uma pequena mudança já causa esse alvoroço, como se justificasse uma possível derrota. A bola será ruim para todos e, até onde se sabe, ninguém teve mais tempo que os outros para se adaptar a ela.  Estão é dando muita bola para a bola.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Gramática e dominação

Os verbos irregulares e defectivos nada mais são do que uma forma dos adultos demonstrarem autoridade:
eu, criança, penso que "sabo", e o adulto sorri satisfeito, dizendo que não "sei".

 
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