quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cadernos de viagem: traçando o roteiro

Adoro conhecer lugares novos, comidas típicas, outros idiomas e costumes. Porém, detesto passar horas a fio espremido em uma poltrona de avião ou ônibus, ou a sacolejar estradas afora. Meu ideal de viagem é aquela maquininha da Enterprise, de Jornada nas Estrelas, em que você se desmaterializa e volta a se materializar no destino. Porém, depois que assisti ao filme "A mosca" a idéia não me pareceu assim tão boa. Este paradoxo cria uma tensão todas as vezes que uma proposta de viagem é feita e costumo recusar parte delas. Porém, depois que estou no destino, tudo muda de figura. Enquanto vivia a rotina de Professor Universitário, imaginava que não atravessaria o Atlântico, salvo se um Congresso Internacional me garantisse um patrocínio. Felizmente o prêmio literário em Portugal serviu para quebrar esta barreira e pude fazer a minha viagem do Descobrimento. É meio clichê, mas muito verdadeiro dizer que ao descobrir o "Outro" findamos por descobrir mais ainda sobre nós mesmos. Quando se tem uma viagem datada, em com um compromisso assumido em local distante dos pontos turísticos habituais, é difícil encontrar algum tipo de roteiro ou excursão prontos que atendam aos nossos interesses. Assim sendo, ao saber que teria uma cerimônia no Nordeste de Portugal, na simpática Vila de Mogadouro, precisei guardar os medos no bolso e recorrer a todo tipo de orientação, pois não teria guia ou sequer acompanhante, uma vez que é difícil alguém ter tempo e dinheiro para lhe acompanhar numa viagem dessas exatamente no período da premiação. Na dúvida sobre a possibilidade de visitar novamente o Velho Mundo, a afobação e a inexperiência me levaram a um roteiro inicial inviável para o pouco tempo disponível. Em virtude de ser em pleno semestre letivo, precisei contar com a boa vontade de alunos e Coordenador, que de fato foram muito generosos e permitiram um plano de antecipação/reposição das aulas. Mesmo assim, foram apenas cerca de dez dias (saí do Brasil em uma sexta à tarde, para retornar em uma segunda-feira) e só no avião, entre ida e volta, foram vinte e sete horas. Pensei inicialmente em conhecer Lisboa, Porto, Mogadouro, Salamanca, Madrid, Toledo, Sevilha, Granada e Córdoba. Lá pelas tantas, caiu a ficha de que seria humanamente impossível circular tanto em tão pouco tempo e acabei optando pelas seis primeiras. De todas, Lisboa foi a que menos aproveitei, pois tive um dia de Mr. Bean que narrarei em outra postagem. Lá pelas tantas, fuçando rotas de trem e ônibus em Portugal e Espanha, percebi que seria impossível me deslocar diretamente de Mogadouro para Salamanca por estes meios -  o que criava um terrível contratempo. Felizmente foi possível agendar com antecedência um táxi que cobrou um preço bastante honesto para esta viagem, tornando viável o roteiro estabelecido: chegada a Lisboa no Sábado ao meio-dia, viagem de trem de Lisboa à cidade do Porto no domingo após o almoço, pernoite no Porto no domingo, viagem a Mogadouro na terça à tarde, pernoite em Mogadouro, viagem de táxi até Salamanca apos a cerimônia de premiação na quarta-feira, pernoite em Salamanca, viagem a Madrid na quinta-feira à tarde, pernoite em Madrid, excursão a Toledo no sábado, passeio pelos museus e pelo Parque del Retiro no domingo, volta para o Brasil na segunda de manhã. Deu tudo certo, graças às dicas de amigos e parentes que me ajudaram a planejar e providenciar meios para que assim fosse. Porém, é o inesperado que fortalece o enredo e, paradoxalmente, sempre se pode contar com ele.

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