sábado, 14 de agosto de 2010

Os sem-tribo


Excluindo-se os grupos que se formam de modo obrigatório, como nas unidades de trabalho ou classes escolares, ou ainda por laços de parentesco, de modo geral as pessoas costumam se agrupar por afinidades e interesses comuns. Isso faz com que freqüentem os mesmos ambientes, tenham hábitos parecidos e acabem gravitando em torno de um estereótipo tribal. Dependendo da cidade onde você mora, há um leque maior ou menor de identidades grupais pré-fabricadas disponíveis e acaba sendo mais cômodo aderir a uma delas do que lutar para afirmar uma individualidade. Já morei em quatro cidades e nunca encontrei uma tribo prèt-a-porter que me servisse. Isso já me levou a momentos análogos ao personagem Tônio Kroeger, de Thomas Mann, que inveja uma normalidade corada e saudável. A vida seria muito mais fácil - ou pelo menos mais prática - se eu gostasse de carro prata, Ivete Sangalo, Big Brother, pagode, carnaval, excursão... ou então se surfasse, gostasse de um cigarrinho do Diabo, de reggae e tigela de açaí... ou tomasse o Daime, comesse comida natural, praticasse yoga e acreditasse em reencarnação. Pra cada um desses conjuntos de interesses há grupos bem definidos em Florianópolis. Porém, eu sempre fui um sem-tribo e, mesmo circulando e tentando socializar com muitas delas, é inevitável o momento em que lhe convidam para uma micareta, ou acendem um baseado, discutem a novela, defendem a revolução socialista ou a pena de morte. Pode ser que cada um e todos ali presentes sintam-se igualmente desterrados, em segredo. Mas não parece...

4 comentários:

Mulher de Fases disse...

Paulo,
Sua 'umbiguice' do texto caiu como uma luva pra mim...mudo de cidade, de bairro,só não mudei ainda de país, mas onde quer que eu vá não encontro minha tribo.
Acho que será sempre assim.
O melhor é se acomodar com os amigos possíveis e fazer cara de paisagem nos assuntos difíceis de aguentar.
abços

Alline disse...

Nunca tive tribo, sempre fui loba solitária. Já me acostumei, às vezes até prefiro ser assim a ser "todo mundo". ;)

Beijobeijo

milu leite disse...

bom, eu sempre fui de muitas tribos. acho que vivo o oposto do que vc relata. as pessoas, de modo geral, me atraem. dou um desconto para o que não gosto e procuro ver o que gosto. no final, se o saldo é positivo, me encaixo no grupo numa boa.
paulinho, acho que entendi agora por que vc sumiu...
com tribo ou sem tribo, vc é um amigo precioso.
bjo

Paulo César Nascimento disse...

Mulher de fases: é o jeito. Bjs

Alline: é verdade, acostuma. Bjs

Milu: sumi por atrapalhação em organizar meu tempo livre, nada a ver com aspectos tribais. Obrigado, você também é. Bjs

 
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