domingo, 26 de setembro de 2010

Contra a burrice, a solidariedade

Uma noite de domingo chuvosa não costuma ser a coisa mais animadora do mundo. Está certo, as plantinhas precisam da chuva, e tal, mas isso não serve de consolo. Aí, como se não bastasse ser domingo e estar chovendo bastante, a besta aqui resolveu atolar o carro às dez da noite em um barranco, felizmente escorado em uma pedra. Por sorte o local era habitado e uns rapazes, provavelmente músicos que estavam gravando no estúdio ali perto, propuseram-se a me ajudar a desatolar. Um dos conceitos básicos para quem desatola carros na lama é não ficar na frente da roda, mas foi o único lugar que sobrou para mim e eu tinha que tirar o carro de lá. Ele saiu, mas eu ganhei de prêmio um tratamento de beleza e cheguei em casa com lama saindo dos ouvidos, literalmente. Para quem não tinha assunto para a postagem de hoje, até que o saldo foi positivo. O único lesado foi um dos rapazes que me ajudaram, que teve dois dedos presos na porta pelo que foi dirigir. Doeu até em mim. Agradeço aqui aos generosos vizinhos da Ginny.

domingo, 19 de setembro de 2010

Da pasteurização dos candidatos


Depois de os marqueteiros (que detestam essa denominação) terem dominado o cenário eleitoral, as campanhas políticas ficaram de um jeito que você nunca sabe que bolo está por baixo daquela cobertura de gestos calculados, falas preparadas, penteados e maquiagens. O discurso de todos é ridiculamente parecido: irão proporcionar educação, saúde, emprego, etc. Nenhum diz exatamente como fará isso, de onde captará recursos (nem o que fará para reembolsar os que financiaram sua campanha, evidentemente). Tudo gira em torno de supostas obras que não se sabe como serão feitas, supostos serviços para os quais deverão contratar servidores (mas não contratarão, porque isso implicaria em aumentar arrecadação, diminuir roubalheira ou não financiar a manutenção do próprio partido no poder) e o mesmo blá-blá-blá que tem feito muita gente anular voto. Ontem eu lancei minha campanha pelo voto contra. Cada eleitor deveria ter a opção de, ao invés de votar a favor dos seus candidatos, votar contra os que considera piores. Cada voto contra cancelaria um voto a favor do referido candidato. Você chegaria à urna e haveria a pergunta inicial: quer votar a favor ou contra? Aí daria pra protestar de verdade, em lugar de votar no Cacareco, Clodovil ou Tiririca.

sábado, 11 de setembro de 2010

Personagens Inesquecíveis: Willy Wonka

A crermos nas teorias do Psiquiatra Suíço Carl. G. Jung, o Puer Aeternus (criança eterna, em uma tradução livre) seria um arquétipo, ou seja, uma matriz capaz de gerar símbolos. Algumas de suas representações na cultura são bastante conhecidas, como é o caso de Peter Pan, o menino que se recusa a envelhecer, mantendo a fantasia e a criatividade da infância indefinidamente, sob o preço de não amadurecer de todo. O livro Charlie & the chocolate factory, de Roald  Dahl, assim como as subsequentes adaptações cinematográficas, trouxe à luz uma reedição deste arquétipo na figura de Willy Wonka, dono de uma fábrica de chocolate que se recusa a adotar os métodos e a visão de mundo dos adultos. Sua fábrica envolve todo um contexto de fantasia que alegrou muitas crianças nas reprises da "Sessão da Tarde". Muitos de nós sonharam com a sala onde praticamente tudo era comestível (e dava cárie), ou um chiclete que era uma refeição completa, a máquina que transmitia o chocolate em ondas pelo espaço (Wonkavision). Teríamos as lições de moral reforçadas pelas canções dos Oompa-loompas, caso tivessem legendas na versão de 1971. Em 2005, Tim Burton criou sua versão mais lúgubre, na falta de palavra melhor, para a fábrica, os anõezinhos e o próprio Wonka, que ganhou ares mais neuróticos na interpretação de Johnny Depp, além de uma explicação odonto-psicanalítica para a personagem. Eu sou fã de carteirinha do Gene Wilder e reconheço que Depp tinha mesmo que inventar algo distinto, mas ficou um certo resquício de Edward Mãos-de-tesoura no Wonka do filme de Tim Burton, com algumas pitadas de Michael Jackson. Embora seja mais fiel ao livro, o segundo filme perdeu a parte do enredo que mais me agrada: o teste moral da lealdade e do caráter de Charlie. Não sei quanto a vocês, mas se sair uma promoção dos chocolates Wonka com cupons dourados, eu ainda quero um.

sábado, 4 de setembro de 2010

Reciclando


Hoje eu estava lavando louça e me dei conta de algumas coisas. Quando compro um pote de iogurte, pago pela embalagem. Depois disso, lavo (gasto água e trabalho de graça) e entrego pra alguém que revende a embalagem que já paguei para que ela seja reciclada e me seja vendida novamente. Se eu jogar fora sem lavar e sem selecionar, alguém terá que catar, lavar e vender para que seja reciclado. Aí, considerando este custo adicional, o fabricante me repassa esse valor no preço do produto, ou a prefeitura no valor do imposto. Ou seja, de qualquer jeito, quem paga sou eu, que só tomo o que tem dentro do potinho. No fim das contas, a mesma embalagem vai e volta para a minha mão e vivo pagando para tê-la de volta. Talvez seja melhor fazermos uma cooperativa de recolhimento de recicláveis e revendermos nós mesmos os produtos ao fabricante. Enquanto isso, nas escolinhas, ensinam o seu filho a ser um consumidor obediente, que compra, limpa, doa e recompra embalagens.

 
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