quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Paul is dead... again

Teorias da conspiração podem ser divertidíssimas, mas às vezes o pessoal exagera. Na década de sessenta, criou-se o boato de que o Beatle Paul McCartney haveria falecido em um acidente de carro em 1966, tendo sido substituído por um sósia. Assim sendo, seria o tal sósia que até hoje se passaria por McCartney, tendo composto, cantado e feito mil coisas por anos a fio. Supostamente, as capas dos discos dos Beatles e as letras de algumas de suas canções fariam referência à morte de Paul e a esse suposto embuste, que McCartney desmentiu com o CD solo "Paul is live", fazendo o contraponto da famosa capa do disco "Abbey Road". Ontem, quando soube que outro Paul famoso havia morrido - desta vez o polvo adivinho, aquele dos resultados da copa do mundo -, fiz esta montagem tosca no paint e mandei para dois amigos que entenderiam a private joke. Foi só abrir a internet hoje e me deparei com uma nova teoria da conspiração: o polvo Paul teria passado pela mesma situação que McCartney, ou seja, haver morrido em mau momento e sido substituído por um dublê. Antecipei a teoria da conspiração... isso é o que o Jung chamaria de sincronicidade. Porém, hoje em dia eu prefiro outras explicações. Lembrem-me de falar em apofenia em outra postagem.

domingo, 24 de outubro de 2010

Hiperbólicos


Ter algum destaque entre os demais membros da espécie pode favorecer a sobrevivência, fortalecer a auto-estima e ajudar a ter parceiras(os) sexuais. Está aí nosso ilustre aniversariante Pelé, com seus mais de mil gols, vivendo até hoje do prestígio conquistado com suas façanhas futebolísticas. Tiger Woods, Kasparov, Muhammad Ali, Einstein, Hawkins, Bill Gates, cada um a seu modo encontrou uma forma de se destacar e garantir um lugar ao sol (na ala VIP). Porém, é muito difícil alcançar tal nível de desempenho, pois exige talento, sorte, sacrifícios e determinação. Outra forma de encontrar destaque é fazer alguma coisa que poucos estão dispostos a fazer, como modificações corporais extremas, transformando-se em lagarto ou em vaca,  passar vários dias em uma caixa de acrílico cheia de cobras, ou ser a atriz pornô com mais parceiros em seqüência. Entendo perfeitamente pessoas que, desprovidas de mamas normais ou prejudicadas pela gravidade, recorram a próteses de silicone, mas há quem coloque litros no afã de se sobressair, independente dos malefícios para a coluna vertebral. Há inclusive gente com pênis normal que faz implante de gordura para engrossar, transformando uma banana em um mamão. O problema com esses exageros é que, passados os quinze minutos de fama, restam apenas dores, cicatrizes e o mesmo vazio.

sábado, 16 de outubro de 2010

Xuxa e a erotização da infância


Hoje em dia, em parte pela valorização do período de vida adulta jovem, em parte pelo apelo que a sexualidade tem para o consumo, vemos crianças e pré-adolescentes andando por aí vestidas de pequenos adultos, andando na contramão do movimento que Philippe Ariès descreveu em História Social da Criança e da Família. O pessoal fala muito daquela cena de abuso infantil do filme "Amor, estranho amor", no qual Xuxa interpretou uma prostituta que seduziu um menino. O que a turma não percebe é que aquilo pouco ou nada fez pela erotização das crianças, tendo passado batido e sendo até aceitável do ponto de vista artístico, como a Lolita de Nabokov. Por outro lado, o programa infantil da Xuxa, além de incentivar um consumismo desenfreado, passou a gerar nas crianças a identificação com uma adulta e algumas adolescentes vestidas de shortinho e botas, quase descendentes diretas das chacretes. Não é exagero, tinha um bocado de barbados que assistiam ao programa pela exposição da apresentadora e suas ajudantes, que, não casualmente, posaram para revistas masculinas tão logo atingiram a maioridade (uma delas até antes, com autorização dos pais). Embora isso não seja exatamente um estímulo à pedofilia, uma vez que o que atrai o pedófilo (portador da patologia que implica em atração sexual exclusiva e incontrolável por menores impúberes) é justamente o aspecto infantil do(a) parceiro(a), é um estímulo ao abuso sexual, uma vez que transveste crianças e pré-adolescentes em mini-adultos trajados de modo apelativo. Não vou divulgar imagens do concurso Miss Mundo Infantil, que ao meu ver deveria ser proibido, para não estimular essa barbárie, mas uma brasileira de seis anos é bicampeã. Nem todo abuso sexual infantil ocorre por parte de pedófilos, embora hoje em dia a mídia contribua para o estabelecimento dessa confusão. Há abusadores que sentem atração também por adultos e se relacionam ocasionalmente com adolescentes e crianças, o que deixa de caracterizar a patologia, passando a ser um problema moral/legal e não mental. Em outras palavras, a capacidade de escolher e de controlar o impulso está presente, porém a perspectiva de impunidade faz com que ocorra a violação dos direitos do menor impúbere. Essa situação é preocupante, uma vez que a falta de supervisão, tão comum hoje em dia, deixa as crianças à mercê de quem estiver por perto. Por força da profissão, acompanho muitas visitas de pais a seus filhos em praças e parques, encontrando muitas vezes crianças a brincar sem a supervisão de um adulto. Já socorri um menino de cinco anos acidentado no playground do prédio, enquanto os pais não estavam nem na varanda do apartamento. Já vi irmãozinho de oito anos cuidando de outros dois, de seis e quatro, na quadra de esportes. Estas crianças são emocionalmente carentes e se aproximam do primeiro adulto que lhes der atenção. Aí, depois que o pior acontecer, não adianta chorar e protestar, o estrago já estará feito. Está na hora de devolver a infância para as crianças - e vice-versa.

domingo, 10 de outubro de 2010

Ridi Pagliaccio

Um claro sinal de que a política - ou os políticos - não tem sido considerada algo sério é que o Deputado eleito com mais votos é um palhaço. Pode ser que, cansado de tantas palhaçadas amadoras no Congresso o eleitor tenha resolvido profissionalizar o aspecto circense da Câmara. Porém, isso também é uma piada. Na verdade, não creio nas eleições de Tiririca e Clodovil como tão similares à de Cacareco. Não é protesto, é a cultura das celebridades / subcelebridades em um tempo que a exposição na mídia faz toda a diferença. Se o Tiririca, que ainda não deixou claro se é alfabetizado ou não, fosse meu concorrente em uma editora, o livro das piadas do Tiririca seria editado muito mais facilmente, mesmo com autoria questionável e necessidade de um preparador de texto. Caso chamem o Wagner Moura para  Ministro da Defesa, ninguém estranhará após sua atuação como Capitão / Coronel Nascimento em Tropa de Elite. Em parte isto é influenciado pela obrigatoriedade do voto e pelas questões eleitoreiras que possibilitaram o direito de votar aos analfabetos e adolescentes. Analfabeto é cidadão, porém sou da opinião que na construção de sua cidadania é preciso que seja alfabetizado (no mínimo) e tenha condições de cursar o ensino fundamental antes de poder formar uma opinião política. Quanto aos adolescentes, não me parece adequado que alguém que não tenha responsabilidade penal ou possa dirigir veículos tenha condições de se responsabilizar pelo destino político da nação. São opiniões antipáticas, fora da linha do "politicamente correto", poderão ser tachadas de elitistas, mas entendo que vão contra a tendência brasileira de maquiar problemas em lugar de solucioná-los. Fingir que ao disponibilizar o voto a alguém sem instrução (em lugar de se proporcionar instrução de qualidade) se está dando condições de exercício de cidadania, ou que ao possibilitar progressão automática no ensino (maquiando os índices de repetência escolar) se garante educação, é uma indecência, é tapar o Sol com a peneira. Se a coisa continuar nesse rumo, em pouco tempo teremos Faustão concorrendo com Ratinho pela presidência da República. Já vejo o debate:

- Sr. Faustão, sua vez de perguntar ao Sr. Ratinho.
- Ratinho, se eleito, como você pretende financiar exames de DNA para toda a população?
- Tem que acabar com essa pouca...
- Ô, louco! e como você pretende melhorar a educação desse país?
- Que palhaçada é essa? Me deixa respon..
- Orra meu! E a saúde, como você pretende conduzir a política de saúde pública?
- Quer parar de me interromper, seu gordo filho da...
- Ô louco, meu!

É por isso que eu lamento o desaparecimento dos circos. Os bichos foram para os zoológicos, os malabaristas para os semáforos e os palhaços estão indo para a política. O que eles irão fazer lá, não sabem. Mas quando souberem, nos contarão.

domingo, 3 de outubro de 2010

Caneta comestível para o corpo

Ontem, conversando com uma amiga que vende produtos de sex shop, descobri um artigo que achei interessante: uma caneta de tinta comestível - ou "lambível", creio. Não sei se já tem uma versão light, para o pessoal não engordar ao se divertir, mas a menos que se escreva "Os Lusíadas" no corpo da parceira (ou do parceiro, dependendo de quem escreve), acho que não será isso que vai levar alguém à obesidade. Inevitável lembrar de um filme (A bela palomera) com o Ney Latorraca e a Cláudia Ohana em que os dois eram amantes e, enquanto ela dormia, ele escreveu "isto é meu" com batom na barriga dela, próximo ao sexo  Ela não percebeu, ficou nua diante do marido e o final foi trágico. Por isso, é capaz que essa história de canetinha comestível seja perigosa para os que pulam a cerca. Outra associação que fiz foi com relação à piada do Trulha (leia aqui) e pensei que, dependendo do porte do seu namorado, a mensagem poderá ficar truncada: ele perguntará "quem é esse Dema, afinal?!" porque você foi escrever "Te amo demais" e não coube a frase inteira. Mas o pior de tudo é dar a síndrome da folha em branco, tão conhecida dos escritores, e, ao perder a inspiração para o texto por um longo tempo, ficar aquela situação: "Anda, amor, escreve qualquer coisa, é só pra lamber mesmo!" "Como assim, então você não se importa com o que eu escrevo?! Eu pensei que você me amasse de verdade!"  Fica aí um conselho: em hipótese alguma desenhe uma caricatura de sua (seu) amada(o) nessa hora. A tinta poderá sair com as lambidas, mas as marcas ficarão por um longo tempo.

 
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