domingo, 10 de outubro de 2010

Ridi Pagliaccio

Um claro sinal de que a política - ou os políticos - não tem sido considerada algo sério é que o Deputado eleito com mais votos é um palhaço. Pode ser que, cansado de tantas palhaçadas amadoras no Congresso o eleitor tenha resolvido profissionalizar o aspecto circense da Câmara. Porém, isso também é uma piada. Na verdade, não creio nas eleições de Tiririca e Clodovil como tão similares à de Cacareco. Não é protesto, é a cultura das celebridades / subcelebridades em um tempo que a exposição na mídia faz toda a diferença. Se o Tiririca, que ainda não deixou claro se é alfabetizado ou não, fosse meu concorrente em uma editora, o livro das piadas do Tiririca seria editado muito mais facilmente, mesmo com autoria questionável e necessidade de um preparador de texto. Caso chamem o Wagner Moura para  Ministro da Defesa, ninguém estranhará após sua atuação como Capitão / Coronel Nascimento em Tropa de Elite. Em parte isto é influenciado pela obrigatoriedade do voto e pelas questões eleitoreiras que possibilitaram o direito de votar aos analfabetos e adolescentes. Analfabeto é cidadão, porém sou da opinião que na construção de sua cidadania é preciso que seja alfabetizado (no mínimo) e tenha condições de cursar o ensino fundamental antes de poder formar uma opinião política. Quanto aos adolescentes, não me parece adequado que alguém que não tenha responsabilidade penal ou possa dirigir veículos tenha condições de se responsabilizar pelo destino político da nação. São opiniões antipáticas, fora da linha do "politicamente correto", poderão ser tachadas de elitistas, mas entendo que vão contra a tendência brasileira de maquiar problemas em lugar de solucioná-los. Fingir que ao disponibilizar o voto a alguém sem instrução (em lugar de se proporcionar instrução de qualidade) se está dando condições de exercício de cidadania, ou que ao possibilitar progressão automática no ensino (maquiando os índices de repetência escolar) se garante educação, é uma indecência, é tapar o Sol com a peneira. Se a coisa continuar nesse rumo, em pouco tempo teremos Faustão concorrendo com Ratinho pela presidência da República. Já vejo o debate:

- Sr. Faustão, sua vez de perguntar ao Sr. Ratinho.
- Ratinho, se eleito, como você pretende financiar exames de DNA para toda a população?
- Tem que acabar com essa pouca...
- Ô, louco! e como você pretende melhorar a educação desse país?
- Que palhaçada é essa? Me deixa respon..
- Orra meu! E a saúde, como você pretende conduzir a política de saúde pública?
- Quer parar de me interromper, seu gordo filho da...
- Ô louco, meu!

É por isso que eu lamento o desaparecimento dos circos. Os bichos foram para os zoológicos, os malabaristas para os semáforos e os palhaços estão indo para a política. O que eles irão fazer lá, não sabem. Mas quando souberem, nos contarão.

3 comentários:

Alline disse...

Se o voto não fosse obrigatório talvez fosse diferente. Talvez...

Beijo!

Mulher de Fases disse...

Paulo,
Texto perfeito!
Antes a eleição de Tiririca e afins fosse protesto...não há nem consciência pra isso...Uma lástima!
Abços

Murilo disse...

Voto obrigatório! Viva a democracia!

Abraço, professor

 
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