domingo, 21 de novembro de 2010

Cadernos de viagem: de Florianópolis a Lisboa


Felizmente eu não tenho medo de pegar avião. Digo felizmente porque esses medos a gente não escolhe ter, mas sim enfrentar. A falta desse medo não vem das estatísticas, mas de uma confiança infantil no comandante, mesmo com seu ingês "Joelsantanesco", falando Lesangens (ladies and gentlemen). De Floripa ao Rio de Janeiro, tudo correu bem; tomei cuidado para não comer nada suspeito, pois sabia que do Galeão até Lisboa o vôo poderia enfrentar turbulências, mas meus intestinos não. Comi um cheeseburger no McDonalds, que, embora forneça uma comidinha mais ou menos, nunca me deu imprevistos, sem maionese, pra garantir. Passei um tempão no check-in da TAP, depois fui devidamente enlatado no avião, junto às demais sardinhas da classe econômica. O vôo foi bom, dentro do que pode ser considerado bom ficar doze horas sentado em uma cadeirinha estreita. Parte da viagem eu fui conversando com um estudante lá do Cabo Verde que veio ao meu lado, outra parte foi assistindo aos filmes disponíveis. Tentei ler um pouco, e nada do tempo passar. Lá pelo final, eu olhava de cinco em cinco minutos o deslocamento do avião no mapa, até que chegamos a Lisboa. Pulei a descrição das refeições, que não foram nem suficientemente boas, nem ruins para merecerem comentários. Veio a parte de pegar o visto no passaporte e aí eu dei uma de malandro: deixei o papelzinho da vacinação em outra parte da bolsa, tirando apenas a pastinha com os vouchers e declarações. O funcionário era muito sério e começou a examinar tudo, até perguntar o motivo da viagem. Quando viu a carta do Presidente do Concelho de Mogadouro, imediatamente deu o visto sem mais nada perguntar, inclusive puxou assunto sobre literatura, falando que o Paulo Coelho também tinha um texto que falava em demônio, como meu conto. Bem feito para mim, que também me chamo Paulo e me meto a escrever... Mas respondi com um sorriso amarelo que devia ser algum costume dos escritores brasileiros. Ele voltou a ficar sério e eu iniciei minha jornada européia. No táxi, o motorista foi muito simpático e conversamos bastante sobre futebol. Estavam em pleno campeonato europeu de seleções, muito confiantes no time e em Cristiano Ronaldo. Foi bonito ver as varandas enfeitadas, as bandeiras e cartazes. O primeiro susto veio quando o motorista disse que meu "hotel" (Residencial Monumental, com a entrada aí na foto) era na verdade uma pensão - o que de fato era, mas limpinha e com bom atendimento. Ali começaria um dia de Mr. Bean, com mil trapalhadas, mas com uma noite bastante agradável. Isso fica para uma próxima postagem.

2 comentários:

João M. Brandão N. disse...

Sr. Paulo,
Sua crônica lembrou-me um escritor que eu muito apreciava e que narrava suas viagens no Jornal do Povo, da cidade de Itajaí. Este escritor era Arnaldo Brandão.

Paulo César Nascimento disse...

Dr. João
Devo salientar que vossa fisionomia em muito se assemelha à do finado escritor, como também se assemelham alguns de vossos hábitos (o de viajar amiúde, por exemplo).

 
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