domingo, 28 de novembro de 2010

Personagens inesquecíveis: Odorico Paraguaçu

A teledramaturgia brasileira ficou menor sem Dias Gomes e Paulo Gracindo, responsáveis por uma das melhores novelas/ minisséries que assisti: "O bem amado". Em uma cidade chamada Sucupira, espelhava-se o Brasil de então, qual um microcosmo no qual Nezinho do jegue representava a volubilidade do povo, Neco Pedreira e Tuca Medrado o poder de resistência da imprensa ao governo corrupto, as irmãs Cajazeiras o falso moralismo dos setores conservadores, entre outras personagens divertidíssimas, como Zeca Diabo e Dirceu Borboleta. Com ótimos roteiros e um elenco de primeira, O bem amado fazia rir e pensar. O destaque da novela era Odorico Paraguaçu, político corrupto, demagogo e falsamente erudito, a desfilar citações apócrifas de Ruy Barbosa - "Se ele não disse, deveria ter dito" -, criar neologismos, como "prafrentemente" e "sem-vergonhista", e a tentar obsessivamente inaugurar o cemitério da cidade para poder se promover, sem que algum defunto involuntariamente colabore com suas ambições políticas. Não vi ainda o Odorico de Marco Nanini, mas, mesmo para um grande ator como ele, será difícil empatar com o de Gracindo. Coronéis corruptos ainda encontramos aos montes no Senado Federal, mas nenhum deles me dá a menor vontade de rir.

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