sábado, 8 de janeiro de 2011

Paulo Coelho: o nosso Big-Mac

Nos últimos meses, tenho lido sobre o cenário musical e literário do Brasil (mais especificamente do Rio de Janeiro) entre as décadas de 30 e 70. Entre outras leituras, passei pelas histórias da Bossa-nova e da Tropicália, pelas biografias de Tim Maia e de Paulo Coelho. Embora limitadíssimo em seus recursos literários, o Mago é um gênio como produtor e criou apenas uma grande personagem: ele próprio, um ícone pop familiarizado com os caminhos que conduzem ao sucesso. Diz sua biografia autorizada que ele já plagiou, assinou livro que não escreveu, mentiu descaradamente sobre os mais variados assuntos. No livro O Zahir, com forte aspecto autobiográfico, descreve eufemisticamente como "banco de favores" o famoso jeitinho brasileiro (que não é tão brasileiro assim) em que uma mão lava a outra, sinalizando que de fato não há muita diferença entre os caminhos para ser um sucesso pop, entrar para o Senado Federal ou para a Academia Brasileira de Letras. Porém, se fosse fácil alguém virar ícone pop e milionário, esse panteão contemporâneo seria ainda maior. Terminada a leitura de "O Mago", de Fernando Morais, caiu-me a ficha: Paulo Coelho é o Big-Mac das letras. O que faz a cultura pop e o fast food se assemelharem é a acessibilidade, que se dá em dois níveis:

a) simplicidade: se você consegue atingir o gosto das crianças/adolescentes (fotos de bebês fofinhos, sabores adocicados, batatas fritas, letras fáceis e ritmos dançantes), acertará também o gosto da maioria das pessoas. Claro que haverá uma minoria que aprecia a complexidade, mas como o objetivo é a popularidade, melhor descartá-la.

b) disponibilidade: é preciso que o produto esteja ao alcance dos olhos, ouvidos e mãos do consumidor. Além do pesado investimento na propaganda, uma rede de distribuição de grande alcance é fundamental.

Tendo estes ingredientes, há que se investir na imagem, criando uma marca forte. Nesse sentido, Coelho está mais próximo de Michael Jackson, Madonna e Lady Gaga do que de Sidney Sheldon, Dan Brown e J. K. Rowling. Possivelmente esta semelhança venha de seu currículo como produtor musical.

Parafraseando o Mago, realmente ele foi bem sucedido em buscar sua lenda pessoal, que era ser rico e famoso. Quando ele quis algo do fundo de seu coração, o Universo conspirou em seu favor - cobrando o devido jabaculê, como é costume deste universo dinheirista em que vivemos. Quanto à briga de Coelho com a crítica, acho que poderá terminar no dia em que o McDonalds ganhar três estrelas no guia Michelin.

3 comentários:

Kaique disse...

Trágica (e cômica) essa história da eleição à cadeira 21 da Academia de Letras. Aquele abraço ao Arnaldo Niskier!

Mas o cara é tão pop, que no site dele tem até uma seção para os jornalistas pegarem fotos para colocar em suas matérias! HUAUHAHUAHUA

http://www.paulocoelho.com.br/br/photos4journalists.php

Abraços

João M. Brandão N. disse...

Acho que a briga do Paulo Coelho com a crítica acabará quando os críticos fizerem o mesmo sucesso que ele.

Paulo César Nascimento disse...

Kaique: Paulo Coelho é um tremendo marqueteiro. Nisso ele é mesmo ninja. Abs

Dr. Brandão: há controvérsias. Abs

 
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