sábado, 5 de fevereiro de 2011

Em busca da verdade, caso exista

Pessoas normais não se preocupam muito com epistemologia ou ontologia, mas creio que o fato de ter sido professor já é prova suficiente de minha anormalidade (estatística, não necessariamente funcional). Era para eu ser filósofo ou artista, mas não levei muita fé em conseguir sobreviver disso. Porém, do meu breve interlúdio no estudo de Engenharia à  minha situação de Psicólogo Judicial,  as questões filosóficas nunca me abandonaram. Recentemente, tenho me ocupado da questão da verdade, até porque ouço muitas mentiras, meias-verdades, enganos e preciso tentar separar aquilo de que as pessoas estão de fato convencidas daquilo que apenas pretendem me convencer, embora saibam (ou suponham) falso. Como devem ter percebido, isso de fato é um pepino, pois gira em torno de indicadores comportamentais e da verossimilhança do que é dito. Por este motivo, tal prática requer tempo e o confronto dos vários discursos das pessoas envolvidas. Uma divisão que considero útil para esta reflexão é a que se pode estabelecer entre realidade natural e social.

Realidade natural: quando chove, por mais que você tente convencer a si mesmo ou aos outros que não está chovendo, isso não fará a menor diferença; as divergências acabam recaindo em alterações na sensopercepção, como a cegueira, a surdez, o daltonismo, as alucinações.

Realidade social: o estabelecimento de uma "verdade" depende das pessoas estarem convencidas de alguma coisa, como por exemplo da (i)legitimidade do presidente do Egito ou de Fidel Castro para estar no poder; as divergências podem ser consideradas equívocos, má-fé ou loucura, desde que haja suficiente respaldo na opinião pública ou nos saberes hegemônicos.

Há quem creia que esta divisão não procede, mas cada vez estou mais convencido de que, pelo menos no campo das ciências sociais (com suas aplicações), a verdade nada mais é do que o triunfo de um discurso sobre os demais.   

3 comentários:

Raphael Rocha Lopes disse...

Fica o dilema:e se forem os Castro de Cuba que dizem estar chovendo? É uma realidade natural ou social?
Brincadeiras à parte, interessante esta sua reflexão.

Paulo César Nascimento disse...

Raphael: aí é melhor abrir o guarda sol. ;-) Abs

Murilo disse...

Olá, professor Paulo César!

É o Murilo da psicologia da UNIVALI.

Venho convidar o senhor pra acompanhar o meu blog, na medida do possível ;)

Espero você lá: www.azevedolilo.blogspot.com

Abraço

 
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