terça-feira, 15 de março de 2011

Mais trechos do livro "Enganos, meias-verdades e um final quase feliz"

 "Há quem colecione todo tipo de coisas. Selos, latinhas de cerveja, borboletas, papéis de carta, cartões telefônicos, carros em miniatura, moedas. Eu coleciono seios. Tenho centenas deles catalogados em minha memória. Embora os puristas e os anatomistas afirmem que a mulher possui um seio e duas mamas, prefiro denominá-los seios. Tetas me soam como úberes; imagino uma vaca sendo ordenhada. Mamas me parecem muito maternais, sempre na iminência de jorrar leite. Peitos me sugerem frango com salada de alface e as dietas não me agradam. Seios, simplesmente. Há quem discorra sobre seu papel cultural, sobre a importância da queima dos sutiãs para o feminismo. Há também quem disserte sobre seu papel no desenvolvimento psicológico, falando de seio bom e seio mau. Há estilistas que os revelam e escondem ao sabor da moda que ditam. Eu não, apenas admiro suas formas, texturas, aromas e temperaturas, classificando-os e registrando no arquivo da memória. A necessidade de catalogá-los surgiu da mesma forma que para os outros colecionadores: abundância de material e necessidade de ordem." (O colecionador)

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