terça-feira, 26 de julho de 2011

Os seres subterrâneos de Floripa - parte 3

 O final dos anos 80 e a década de 90 trouxeram a Florianópolis algumas das mazelas das cidades grandes: aumento dos bolsões de miséria, expansão das favelas e do narcotráfico (mais consumidores e mais vendedores), aumento da violência urbana e a AIDS. O crescimento desorganizado da cidade forçou a busca de maior profissionalização na administração pública, embora sem resultados muito convincentes. Em busca de dividendos políticos e de atender os apelos dos comerciantes, lançaram-se campanhas para convencer os forasteiros de que “Florianópolis vale a pena”, que é a capital com maior qualidade de vida no país, etc. Resultado: mais expansão descontrolada, diminuindo a qualidade de vida e fazendo a cidade valer menos a pena. Nada contra o crescimento, muito pelo contrário, mas planejamento é bom e faz falta - principalmente quando bem feito. O aumento das favelas e a vinda da Rede Record de TV para o estado favoreceram o crescimento das igrejas evangélicas neopentecostais. Nessa década os computadores deixaram de ser coisa de nerd e passaram a integrar o dia-a-dia das pessoas, principiando pelos editores de texto e planilhas eletrônicas e culminando com a popularização da internet. Os jogadores de RPG passaram dos tabuleiros aos computadores, surgiram as salas de bate-papo e as relações começaram a se virtualizar. As grandes universidades particulares do norte e do sul do estado se expandiram e ampliaram a oferta de cursos superiores na Grande Florianópolis, inicialmente investindo nos cursos mais tradicionais, fortalecendo ainda mais o perfil de cidade universitária. Como investimentos voltados ao turismo e aos novos moradores, destacaram-se o Resort Costão do Santinho (91), o Beiramar Shopping (93) e o Centrosul (98). Houve uma grande – e desordenada, para variar - expansão da maricultura no final da década de noventa, levando à necessidade de estudo de um desenvolvimento sustentável desta atividade e da diminuição do impacto ambiental da mesma. Criaram-se para tanto a FUNRUMAR, a FENAOSTRA e a Cooperação técnica com o governo de La Rouchelle (França). O fim da censura, a urbanização e os meios de comunicação trouxeram mudanças nos costumes, principalmente a formação de tribos urbanas ainda incipientes e a maior liberalidade sexual. Não cheguei a pertencer a nenhuma das tribos, em parte por já ter saído da adolescência na época, em parte por não ser muito tribal mesmo, mas olhando de fora era curioso ver como punks, darks, metaleiros e rockabillies conviviam harmoniosamente no calçadão, perto da loja de discos/Cds Roots Records. Talvez as tribos se unissem -fato impensável nas cidades onde estes movimentos se originaram - por falta de quorum, talvez por falta de uma ideologia mais consistente em que apenas a aparência fosse copiada dos meios de comunicação. Como não fiz parte do(s) movimento(s), vou deixar a questão em aberto, pode ser puro preconceito ou equívoco de minha parte. Acompanhei bem menos a vida noturna da década de 90 do que a da precedente, em parte por ter passado três anos morando fora da cidade e a visitando ocasionalmente, em parte por ter passado os anos restantes trabalhando feito um condenado, com breves e raras incursões pela boemia. O que pude perceber a olho nu foi o desenvolvimento do Centrinho da Lagoa, do Kobrasol (é São José, mas é Grande Florianópolis), o deslocamento da prostituição de rua para as casas do ramo e a proliferação de bares para o público GLS, provavelmente devido ao marketing do carnaval da cidade e à saída em massa dos armários florianopolitanos. Ser underground na década de 90 podia significar muitas coisas, principalmente devido à globalização da economia e da informação. Valia quase tudo, de românticos comunistas pós-muro de Berlim a bruxinhas Wiccan pós-modernas.
Nem o bug do milênio, nem as profecias de Nostradamus, impediram-nos de chegar ao século XXI. O novo século trouxe as LAN Houses, os reality shows, as comunidades virtuais e a mega-popularização dos telefones móveis. O ensino superior teve uma oferta maior de cursos, com a criação de Faculdades a partir de escolas, empresas e fundações. O número de cursos superiores de Direito, Administração, Turismo e Hotelaria, multiplicou-se. Pela forte concorrência e retração da demanda, foi necessária a oferta de cursos diferenciados (Cinema, Design, etc.) a fim de assegurar a sobrevivência destes estabelecimentos de ensino. A Maricultura continuou seu crescimento, as empresas ligadas à tecnologia proliferaram, a TV por assinatura e a internet de banda larga chegaram para ficar. O acesso à informação (para os não-pobres) nunca foi tão grande e o problema passou a ser como selecionar, filtrar e criticar as informações disponíveis. O aumento da violência real e da insegurança fabricada pela parceria telecomunicações /empresas de segurança, assim como a invasão da privacidade via câmeras para nossa “segurança” – sorria, você está sendo filmado - ajudou a manter as pessoas em casa. Embora a proliferação de boatos pela internet, os crimes virtuais, e os problemas gerados pelo nosso jeito bisbilhoteiro de navegar em comunidades como o Orkut tenham devolvido alguns para o mundo não-virtual, é a crescente virtualidade das relações interpessoais e transações comerciais que marca o presente. No entanto, a ampliação das possibilidades de obter informações e de conhecer pessoas virtualmente teve o efeito de dificultar o estabelecimento de pontos de encontro reais (bares, lojas, etc.) que aglutinassem as pessoas com gostos e interesses underground. Em outubro de 2004, criei a comunidade “Gente Cult em Floripa”, renomeada depois para “Floripa Cultura” a fim de reunir pessoas voltadas para atividades artístico-culturais, divulgar eventos desta natureza na cidade, trocar idéias e fazer amizades. Apesar de contar hoje em dia com mais de 450 integrantes, as tentativas de reunião fora do ambiente virtual não têm encontrado muita receptividade por parte dos mesmos. Praticamente na mesma época foi criada a comunidade “Under Floripa” por Rafael Rubim, com uma proposta semelhante. Curiosamente, promover arte e cultura em Florianópolis acaba tendo um certo ar underground. Não que os meios de comunicação se recusem a promovê-las – meu livro de contos “Sutis Indecências e outros encantamentos” teve boa divulgação na TV COM, no Diário Catarinense, no jornal A Notícia e na rádio CBN Diário ao ser lançado, em 2003. O que me parece faltar ainda na cidade é o intercâmbio, a troca de experiências e a criação de um volume de produção que leve a um incremento de qualidade. Em uma época que as livrarias se concentram em best-sellers (auto-ajuda, Dan Brown, Paulo Coelho), as salas de cinema exibem principalmente filmes de Hollywood, bate uma saudade da Livraria Lunardelli dos anos oitenta, do Cine Art 7, do som do bar Lugar-comum e outros pontos que as leis do mercado acabaram por estrangular. Não tenho muita clareza sobre o que significa ser underground em Floripa no século XXI , mas espero que permita oferecer uma resistência às tentativas de massificação e imbecilização a que somos diariamente submetidos.  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os seres subterrâneos de Floripa - parte 2

 Ao final da década de 70, já havia duas pontes ligando a ilha ao continente. Havia TV pública com apenas duas opções: TV Coligadas, que, com um mínimo de programação local, retransmitia a programação da Rede Globo; TV Eldorado, que retransmitia a programação da TV Bandeirantes. Em 1979, chegou ao estado o grupo RBS, substituindo a TV Coligadas e rapidamente se expandindo pelo estado. O comércio estava concentrado no bairro Centro e – se não me falha a memória - fechava no horário de almoço. Havia dois ou três cinemas na cidade (lembro do Cine São José e do Cine Ritz), o campo do Avaí ficava onde hoje está o Beiramar Shopping. Algumas mudanças haviam ocorrido recentemente, como o aterramento da Baía Norte e da Baía Sul e a inauguração do calçadão da Felipe Schmidt. No futebol, além da divisão entre Avaí e Figueirense, muitos ilhéus torciam também para times de centros maiores, principalmente Vasco e Flamengo, uma vez que os times catarinenses não iam longe no campeonato nacional - descontando-se uma razoável participação do Figueirense de Balduíno em 1975 (21o lugar). Como pré-adolescente, não circulava pela noite da cidade, nem prestava atenção em questões econômicas, políticas ou sociais. Percebia, no entanto, que era necessário torcer por um time local e aprender “Manezês” para não ser discriminado na escola. A relação dos ilhéus com os forasteiros sempre foi ambivalente: amor, devido à admiração que sentiam/sentem pelo lado mais cosmopolita dos que vêm de centros maiores; ódio pela ameaça que representam aos seus empregos e costumes. Apesar disso, tanto a cordialidade típica do povo daqui (excluindo-se a pretensa “elite”), quanto os interesses nas atividades comerciais e no turismo, fazem com que prevaleça o lado amoroso. Isso, claro, desde que não se tratem os ilhéus com desrespeito e desdém, quando estão certíssimos em dizer: “se não gosta, vá embora!” De underground, lembro apenas dos Hippies na Praça XV - dos legítimos, com direito a viver de artesanato, a roupas furadas, pouco banho e amor livre.
A década de 80, marcada pela abertura política e redemocratização do país, abriu novamente espaço para os artistas brasileiros no cenário cultural da nação. Ainda tínhamos (ou temos) uma grande importação de enlatados americanos para TV e as rádios continuavam a tocar música estrangeira em sua programação, mas havia uma revitalização da produção, com surgimento de bandas como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Legião Urbana, entre outras. A MPB também voltou à cena, com o surgimento/ressurgimento de artistas e conjuntos como Guilherme Arantes, Osvaldo Montenegro, Boca Livre, 14 Bis, A Cor do Som, entre outros. A fundação do Centro Integrado de Cultura (CIC), em 1982, possibilitou a criação/ampliação de possibilidades de desenvolvimento artístico-cultural, com oficinas de artes, museu, teatro e uma sala de cinema com programação diferenciada. Ampliava-se o acesso à produção cinematográfica européia e asiática, bem como aos espetáculos musicais e teatrais brasileiros. Embora houvesse a queixa de que muitos espetáculos “sobrevoavam” Floripa, indo direto de Curitiba a Porto Alegre, assisti a muita coisa boa naqueles tempos. A presença da RBS, assim como a criação da Rede Barriga Verde e do Sistema Brasileiro de Telecomunicações (SBT) trouxe mais profissionalismo para as comunicações. A concorrência, assim como uma pequena ampliação da programação local, facilitou o acesso à informação, embora a programação não fosse lá uma maravilha. Embora os aparelhos de videocassete já existissem no exterior, foi na década de 80 que se popularizaram no Brasil, o que implicou no surgimento de locadoras de vídeo e na possibilidade de escolher os filmes a assistir em casa, muitos dos quais não eram exibidos nos cinemas da cidade ou nos canais de televisão. A cidade apresentava um perfil de pólo administrativo e educacional do estado, além de sua natural vocação turística. Também eram dados os primeiros passos para o desenvolvimento de empresas ligadas à tecnologia, com a criação do Centro para Laboração de Tecnologias Avançadas (CELTA), uma incubadora tecnológica mantida peal Fundação CERTI. Chamava-me a atenção a enorme procura dos cursos de Administração e Direito pelos florianopolitanos de classe média e classe média-alta, visando o ingresso no serviço público ou a continuidade dos escritórios dos pais (herdados dos avós). Já a “classe” alta (de seis a doze pessoas, pelas minhas contas) ficava onde sempre esteve, herdando e administrando negócios de família. Na falta de uma classe com poder aquisitivo efetivamente alto, uma parte da classe média-alta tentava mimetizar a classe alta de outros lugares. Isso, claro, a custa de sacrifícios em nome das aparências cultivadas nas colunas sociais. Já a classe média-baixa era constituída basicamente de comerciários simpáticos, afáveis e ainda bastante amadores. A classe de baixo poder aquisitivo era formada principalmente por filhos mal-sucedidos de pescadores e migrantes do oeste do estado, estes últimos vindo ao final da década de 80 em busca de empregos na construção civil. Devido a aspectos cambiais, os turistas argentinos tomaram conta da ilha nos verões do início da década, forçando os comerciários a aprenderem espanhol – ou no mínimo um portunhol. Empresários locais e de fora, percebendo as possibilidades econômicas do turismo, ampliaram os investimentos na cidade, destacando-se Jurerê Internacional e o Shopping Itaguaçu. As mudanças na situação econômica argentina obrigaram os empresários a tentar atrair turistas de outros locais, os quais acabavam se fixando na cidade em busca de qualidade de vida. Da metade da década de 80 em diante, aumentou também a procura por vagas na UFSC por parte de pessoas de outros estados. Destacavam-se os temíveis “CDF japoneses” (vindos de São Paulo e do Paraná), que além de conquistarem as vagas do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, passavam a “atacar” também os cursos de Medicina, Odontologia, Engenharia, Agronomia e Ciências da Computação. O mercado para cursinhos pré-vestibulares se ampliou, levando a cisões nos cursinhos Barddal e Barriga Verde, formando-se então os cursinhos Geração e Energia, os quais se expandiram rapidamente e passaram a disputar o mercado do ensino médio com as escolas mais tradicionais de Florianópolis. Até a metade da década de 80 a vida noturna da cidade tinha como pólo principal a Av. Beira-mar Norte, com grande concentração de bares e casas noturnas (Chaplin, Yellows, Chico’s, Vagão, Shampoo, Baturité, Dizzy, etc.). Progressivamente, este pólo foi se deslocando para os bares da Lagoa da Conceição e arredores (Jungle, Ponto de Vista, Bar do Érico, etc.). Além disso, havia os bailes nos clubes sociais e estabelecimentos mais do povão (Clube Avante, Sociedade Amigos da Lagoa, Bailão do Albino, etc.). Underground nos anos 80 poderia significar ser alternativo e morar na Lagoa, ser um estudante ou professor de esquerda, ser GLS ou, como no meu caso, não pertencer a nenhum destes grupos e estar insatisfeito com as tendências majoritárias da cidade.

domingo, 24 de julho de 2011

Os seres subterrâneos de Floripa - parte 1

Este texto foi publicado no site Under Floripa no início do século, mas conserva um valor de memória. Por sugestão de amigos, torno a publicá-lo.

 Você sabe o que é ser “under” em Floripa? Eu não sei ao certo, mas tenho uma leve desconfiança de que o sou. Por que isso acontece? É que ser underground em Florianópolis não é o mesmo que em outros lugares do mundo, ou mesmo do nosso país. Este texto parte de um passeio por minhas lembranças e reflexões sobre estar à margem de Florianópolis - a sensação de estar dentro da cidade, mas a recíproca não ser assim tão verdadeira. Está longe de ser um ensaio histórico, sociológico, antropológico ou psicológico, apesar de algumas breves incursões nestas áreas.
O termo underground (subterrâneo) já foi empregado de diferentes formas ao longo dos tempos. Na União Soviética pós-stalinista, a literatura samizdat (auto-publicada) – crítica com relação ao governo – foi um movimento underground. O mesmo se pode dizer das diversas formas de resistência política, sejam a sul-africana ao Apartheid, a polonesa ao Nazismo ou o coreano Movimento 1o de Março. Os grupos terroristas da Irlanda, basco e os islâmicos, haja vista sua ação clandestina, também podem ser considerados movimentos subterrâneos. Da mesma forma, a classificação vale para o crime organizado: Máfia, Yakuza, Tríades chinesas e tantas outras organizações. Além da resistência política, a resistência cultural – seja ela à tradição, à cultura pop, aos padrões estéticos e à moralidade dominante, ou ainda ao consumismo – também se enquadra no conceito de underground. Servem como exemplos o movimento beat, a contracultura, punks, góticos, vegans, emos, todos os herdeiros da contestação e também os rebeldes sem causa. Em síntese, tudo o que foge à ordem estabelecida, à cultura hegemônica, ao que transcorre às claras, pode ser dito subterrâneo.
Para conhecer os subterrâneos de Floripa, no entanto, é preciso estar familiarizado com a superfície. O desenvolvimento de Florianópolis – ao meu ver - deu-se através de saltos associados ao fluxo de correntes migratórias, da tensão entre os costumes vigentes e os hábitos trazidos pelos recém-chegados, assim como dos fenômenos sócio-econômicos envolvidos. Ao contrário do que pensam os entusiastas do movimento “Fora, Haole!”, os únicos nativos de fato em Floripa eram os índios tupi-guaranis. Assim sendo, a menos que você use pinturas corporais, more em uma oca e atire flechas, um ancestral seu veio de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Paraná, da Argentina... E os ancestrais de seus ancestrais vieram da Ilha dos Açores, da Espanha, da Itália, da Alemanha, do Japão ou de qualquer outro ponto do planeta. Vou falar sobre a história da cidade para assinalar alguns marcos na urbanização, pois a tensão entre aspectos provincianos e cosmopolitas me parece fundamental para se entender o que é under em Floripa. A povoação de Nossa Senhora do Desterro – primeiro nome da cidade - iniciou-se com a vinda de Francisco Dias Velho por volta de 1675, seguido de paulistas e vicentistas. A partir de 1739, quando foram erigidas as fortalezas, deu-se a ocupação mais efetiva da ilha, com a vinda de Açorianos e Madeirenses. Em 1823, ao ser declarada capital da Província de Santa Catarina, a cidade recebeu investimentos federais e passou por um período de desenvolvimento e prosperidade. Com a proclamação da República, o Marechal Floriano Peixoto veio esmagar as resistências ao novo governo, torturando e matando muitos na chamada Chacina de Anhatomirim. Após este lamentável acontecimento, o nome da cidade foi modificado para Florianópolis, homenageando o referido militar. Já se tentou modificar o nome da cidade, voltando a “Desterro”, mas os comerciantes não simpatizaram muito com a idéia: a “marca” já estava criada e quem entende de marketing sabe o quanto custa recuperar os clientes – no caso, turistas. No entanto, pelos motivos já apontados, o nome não é muito simpático aos manezinhos. Saltando um pouco no tempo, em 1979, quando resolveu homenagear o Marechal Floriano com uma placa, o presidente Figueiredo enfrentou manifestações de estudantes, que apedrejaram o palácio do governo, arrancaram a placa e a queimaram em praça pública. Homem de temperamento forte, o presidente resolveu enfrentar pessoalmente os estudantes... E apanhou! Teria sido a “Novembrada” um momento underground de Floripa (ou de Desterro)? Retornando no tempo, temos um ponto importante na vida cultural da cidade: a fundação do Teatro Santa Isabel em 1875, que teria seu nome trocado para Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) em 1894 em homenagem ao primeiro dramaturgo catarinense. O século XX marcou as transformações mais profundas em Florianópolis associadas à construção civil, com progressos na rede elétrica, no saneamento e outros aspectos da infra-estrutura da cidade. A construção da. Ponte Hercílio Luz, em 1926, facilitou o acesso à ilha, liberando os moradores do precário serviço de balsas. A vocação de cidade universitária deu seus primeiros passos em 1932, com a criação da faculdade de Direito, prosseguindo com a criação da Universidade Federal de Santa Catarina em 1960 e culminando hoje em uma grande quantidade de instituições de ensino superior, entre universidades, centros de ensino superior e faculdades. Este processo trouxe professores de outros estados, principalmente do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que aqui se instalaram com suas famílias, contribuindo para a descentralização da cidade e o desenvolvimento de bairros como a Trindade e o Pantanal. Quanto ao serviço público, além de manter a administração pública estadual, em meados da década de 70 a vinda das Centrais Elétricas do Sul do Brasil (ELETROSUL) trouxe outros grupos de migrantes: cariocas, mineiros, gaúchos, cearenses, entre outros, acostumados à vida na antiga sede – Rio de Janeiro. Até aqui me vali de dados históricos obtidos na internet em fontes como IPUF, Wikipedia, Guia Floripa; passo a seguir a me valer principalmente das minhas memórias – falhas, parciais, às vezes preconceituosas, tipicamente de classe média, porém minhas.

domingo, 17 de julho de 2011

O Maracanazo argentino

A profissão mais livre do mundo é a de comentarista de futebol. Pode-se dizer qualquer besteira, desde que se crucifique a bola da vez. Na verdade, pode-se jogar / dirigir /comentar futebol sem ter a menor visão estratégica em função da máxima de que, em terra de cego, ninguém sabe se o rei tem um olho ou não. Ontem a Argentina jogou uma grande partida contra um Uruguai que fez um jogo ainda melhor. Um honroso empate em 1 X 1, com muita garra de ambas as partes. Porém, copa é mata-mata, alguém tem que perder. O Uruguai foi mais competente nos pênaltis e passou adiante. Sempre que a Argentina perde eu gosto de dar uma passadinha na página do Olé, o periódico desportivo mais conhecido dos hermanos. Dito e feito: estavam achincalhando a seleção e crucificando Tevez pelo pênalti perdido. Os argentinos produzem melhor literatura e cinema do que os nossos, mas a crônica esportiva é do mesmo amadorismo e passionalidade que o tupiniquim. Está certo que faz muito tempo que a Argentina não ganha nada com o time principal e que a única graça de título olímpico é a de ser o único que o Brasil não tem - o que vale nas alfinetadas de lá e de cá -; entendo que perder em casa é sempre mais sofrido; o problema é que o futebol contemporâneo não tem produzido jogadores justamente no setor mais importante para que o time tenha volume de jogo: a armação. Esse jogo covarde para não perder, com dois ou três volantes, faz com que as reais oportunidades de gol se reduzam. Quem for pesquisar no youtube os jogos da seleção de 82 verá no mínimo dez oportunidades reais de gol para o Brasil em cada partida; atualmente surgem umas três ou quatro. Sendo assim, uma bola na trave, um impedimento marcado de forma equivocada ou uma falta nas imediações da área mudam totalmente a perspectiva de uma partida. Não há mais como recuperar resultados nesse jogo truncado no meio de campo por quatro ou cinco cabeças de bagre... perdão, cabeças de área (termo antigo para volante, do tempo que bastava um). A solução? Incentivar as escolinhas a investirem em novos Riquelmes e Veróns. Os próprios Aguero e Tevez não têm altura para jogar no ataque e desde cedo deveriam ter sido incentivados a armar. Porém, o dinheiro está nos gols e a molecada talentosa, tendo perfil ou não, acaba escolhendo os holofotes. Já a molecada sem talento com a bola, vira volante ou comentarista esportivo. 

sábado, 2 de julho de 2011

Respostas tardias para buscas perdidas - VI

Caríssimos, ando meio ocupado, mas acreditem: o texto tarda, mas não falha. A proporção de pessoas que chegam ao meu blog buscando temas já explorados vem aumentando. Mesmo assim, ainda há vários casos de pessoas que dão com os burros n´água. É para estes leitores angustiados e suas buscas inspiradas que retomo a coluna "respostas tardias para buscas perdidas".

- garrafa cheio de agora e bom para da murro
Se você está descontente com o presente, não tente engarrafá-lo para descarregar sua raiva. É preferível reunir forças e recursos para buscar um futuro melhor.

- molheris pacotao
Seu latim precisa melhorar. Bolsa de mulher é "mulieris sacculus"

- anal ve oral pornolar
Ah, o saudoso jingle da pornolar: "Quer ver anal não machucar, quer ver oral sem engasgar? Móveis eróticos da pornolar!" Infelizmente a loja fechou ano passado.

- beber 1 litro de vodka faz mal
Depende do tempo que você levar. Se for um ano, não chega a fazer mal. No mesmo dia já fica complicado.

- mamada no genro do jebão porno gratis
É, decididamente há sogras e sogras... e sogros também.

- parei na via rápida liguei o pisca alerta para entrar na minha casa bateram no meu carro
Não é só o carro que você para abruptamente... e o final da história? Quem pagou o conserto?

- técnica oriental para aumentar o penes
Amigo, com tantas técnicas disponíveis no mercado você vai escolher logo uma oriental? Se os estereótipos estiverem corretos, melhor escolher uma técnica africana.

- Xuxa abusa de criança de 41 anos
Caro amigo de 41 anos, acho que você está meio velho para esta fantasia...

 
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