domingo, 17 de julho de 2011

O Maracanazo argentino

A profissão mais livre do mundo é a de comentarista de futebol. Pode-se dizer qualquer besteira, desde que se crucifique a bola da vez. Na verdade, pode-se jogar / dirigir /comentar futebol sem ter a menor visão estratégica em função da máxima de que, em terra de cego, ninguém sabe se o rei tem um olho ou não. Ontem a Argentina jogou uma grande partida contra um Uruguai que fez um jogo ainda melhor. Um honroso empate em 1 X 1, com muita garra de ambas as partes. Porém, copa é mata-mata, alguém tem que perder. O Uruguai foi mais competente nos pênaltis e passou adiante. Sempre que a Argentina perde eu gosto de dar uma passadinha na página do Olé, o periódico desportivo mais conhecido dos hermanos. Dito e feito: estavam achincalhando a seleção e crucificando Tevez pelo pênalti perdido. Os argentinos produzem melhor literatura e cinema do que os nossos, mas a crônica esportiva é do mesmo amadorismo e passionalidade que o tupiniquim. Está certo que faz muito tempo que a Argentina não ganha nada com o time principal e que a única graça de título olímpico é a de ser o único que o Brasil não tem - o que vale nas alfinetadas de lá e de cá -; entendo que perder em casa é sempre mais sofrido; o problema é que o futebol contemporâneo não tem produzido jogadores justamente no setor mais importante para que o time tenha volume de jogo: a armação. Esse jogo covarde para não perder, com dois ou três volantes, faz com que as reais oportunidades de gol se reduzam. Quem for pesquisar no youtube os jogos da seleção de 82 verá no mínimo dez oportunidades reais de gol para o Brasil em cada partida; atualmente surgem umas três ou quatro. Sendo assim, uma bola na trave, um impedimento marcado de forma equivocada ou uma falta nas imediações da área mudam totalmente a perspectiva de uma partida. Não há mais como recuperar resultados nesse jogo truncado no meio de campo por quatro ou cinco cabeças de bagre... perdão, cabeças de área (termo antigo para volante, do tempo que bastava um). A solução? Incentivar as escolinhas a investirem em novos Riquelmes e Veróns. Os próprios Aguero e Tevez não têm altura para jogar no ataque e desde cedo deveriam ter sido incentivados a armar. Porém, o dinheiro está nos gols e a molecada talentosa, tendo perfil ou não, acaba escolhendo os holofotes. Já a molecada sem talento com a bola, vira volante ou comentarista esportivo. 

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