domingo, 18 de dezembro de 2011

Venceu o futebol

Como brasileiro, torci pelo Santos, mas no fundo a vitória do Barcelona é melhor para o futebol. Fica provado que, com o devido investimento nas categorias de base, o planejamento de estratégias de marketing que permitam a manutenção do elenco e de uma filosofia de jogo baseada em aliar a boa técnica com a disciplina tática, pode-se criar uma equipe no verdadeiro sentido do termo: talentos individuais a serviço do coletivo. Vejo semelhanças entre o Barcelona de 2011 e outros conjuntos que conseguiram unir qualidade técnica e jogo coletivo: Ajax de 1972, Flamengo de 1981, Brasil de 1982 e, evidentemente, Espanha de 2010 (que é um Barcelona sem o Messi). Todos estes times tinham bom toque de bola, muita movimentação no meio e na frente, marcação por zona (diminuindo espaços). A Espanha e o Barcelona me cansam um pouco pelo modo de fazer “bobinho” até o adversário cansar e só então verticalizar o jogo, enquanto os demais conjuntos citados tinham um estilo mais verticalizado, visando a meta adversaria o tempo todo, deixando o bobinho pro momento de dar olé. Aqui no Brasil (ou talvez na América do Sul) é impossível criar equipes assim consistentes em função do modo como o futebol e administrado. Os dirigentes aqui são tacanhos e corruptos, em sua maioria, pensando assim: bons jogadores + titulo = vendas para a Europa (com algum dinheiro por fora) e desmonte do time. Assim as dívidas são cobertas e se parte para formar talentos individuais, comprar veteranos desvalorizados no mercado internacional, ganhar mais um título e vender os moleques para fazer caixa. Em grandes equipes europeias, como Barcelona, Real Madrid e Milan, o retorno do investimento está no marketing, na venda de produtos (camisetas, vídeos, etc), com a lógica: bons jogadores + título = boas vendas de produtos e mais dinheiro para investir em bons jogadores (formar e comprar). Se no Brasil a Nike e a Adidas não cobrassem um preço absurdo pelos seus produtos, os torcedores comprariam as camisetas oficiais em vez de ficarem nos produtos piratas, que costumam ser muito vagabundos. Porem, não é essa a mentalidade e, no fim das contas, será difícil um selecionado sul americano vencer novamente uma copa do mundo enquanto perdurar essa mentalidade de só investir no que dê resultados em curto prazo.

2 comentários:

Raphael Rocha Lopes disse...

Excelente análise, caríssimo.

Paulo César Nascimento disse...

Obrigado, Raphael! Abs

 
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