quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Trotsky, Scheila Carvalho e os anais da história

O livro 1984, de George Orwell, é uma preciosidade. Ainda que o programa Big Brother tenha seu nome e a temática da vigilância derivadas desta obra, o pobre do Orwell não tem a menor culpa disso. Um dos aspectos mais interessantes da crítica que faz à criação do regime totalitário da União Soviética passa pela revisão da história para que fique de acordo com a doutrina do partido. No livro, o Ministério da Verdade se encarrega de excluir registros de fatos que denunciem contradições na política do governo, obrigando o cidadão ao “duplipensar”, que é uma forma de tentar apagar a memória para se adequar à nova versão do fato, criando uma falsa lembrança no seu lugar. No período Stalinista, Trotsky virou persona non grata e “inimigo da revolução”, sendo excluído de registros e fotos oficiais para que prevalecesse a versão stalinista dos acontecimentos. Hoje eu tive um momento de indignação com pessoas que “esquecem seletivamente” de alguns fatos para que suas ações e motivações pareçam mais nobres, removendo-os de sua versão para dar mais credibilidade às auto-justificativas. Estava falando nisso com um colega de trabalho, dizendo: “Porra, parece o que fizeram com o Trotsky, tirando o cara das fotos.” Aí ele me respondeu: “Paulão, se os caras da Playboy deram sumiço no cu da Scheila Carvalho com photoshop, o pessoal tinha mais era que tirar o Trotsky, aquele feio!” Aí eu vi que, assim como certos comunistas e buraquinhos de celebridades, há acontecimentos que não ficam bem na foto e acabam excluídos dos anais (com trocadilho) da história.

0 comentários:

 
design by suckmylolly.com