sábado, 17 de março de 2012

Da relatividade do nojo


O cauim é uma bebida alcoólica preparada pelos índios. Para que os açúcares da mandioca ou do milho sejam liberados para a fermentação, são empregadas as enzimas da saliva humana. O preparo é feito pelas mulheres da aldeia, que mastigam e ensalivam a mandioca (sem trocadilho) cozida, cuspindo-a depois em um pote. Depois disso, a pasta resultante é levada ao fogo e novamente cozida, sendo deixada para fermentar após sua retirada. O cozimento mata a maioria das bactérias, a fermentação libera álcool para matar as que resistiram. Depois disso, a bebida é servida aos homens da tribo, que devem bebê-la aos goles enquanto dançam, e às mulheres, que bebericam, saboreando-a.

A micareta é uma festividade em que pessoas ingerem álcool, os homens geralmente em grandes goles, as mulheres bebericando (nem sempre), enquanto dançam. Cada pessoa beija várias outras na boca, ensalivando-as sem cuspir, levar ao fogo ou fermentar. O álcool ingerido entre os beijos mata parte das bactérias, mas muitas restam vivas e passam para os próximos alvos. Supondo que cada pessoa beije em média umas cinco  - uma estimativa bem moderada, já que tem gente que beija umas vinte -, que por sua vez beijaram outras quatro, ao final da micareta é como se todo mundo tivesse beijado todos os participantes.

Você, micareteiro(a), beberia cauim para se animar na festa?

2 comentários:

Lichia disse...

Muito bom, Paulo!
Já ouvi dizer que é uma disfeita recusar essa bebida. Se vc passar por uma tribo e te oferecerem, tem que beber. Haha...
Gostei do seu blog! Passarei mais vezes.

Paulo César Nascimento disse...

É, cauim e esposa de esquimó não se pode recusar, fere a etiqueta.
Volte sempre!

 
design by suckmylolly.com