quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cosmogonia apócrifa

No continente perdido de Mu havia o seguinte mito cosmogônico: Chiuautlua, o deus único, sentiu uma forte cólica. De suas fezes, surgiram a terra e tudo o que é sólido; de sua urina, os mares, rios e tudo o que é líquido; de seus flatos, o vento e tudo o que é gasoso; de seus vermes, criaram-se todas as formas de vida. Para ver sua obra, Chiuautlua acendeu o Sol, criando assim o fogo e tudo o que é luminoso. Por esta razão, os sacerdotes de Mu sacrificavam os inimigos e infiéis ao deus único mediante caros ritos de purificação, sendo obrigação de todos destinar à classe sacerdotal parte substancial de suas riquezas. Caso contrário, na falta de alimento purificado, Chiuautlua poderia ter outra cólica e criar um novo universo, precipitando o atual em colapso. Tecalteplan, um nobre e livre pensador, questionou o rei-sacerdote, dizendo que um deus tão grande a ponto de criar o universo a partir de seus dejetos forçosamente deveria ser visível, tal o seu tamanho. Além disso, se nada havia antes da cólica de Chiuautlua senão ele próprio, de onde teria o deus obtido o alimento que deu origem ao universo? O rei-sacerdote respondeu que um deus tão sábio quanto Chiuautlua saberia se esconder de seus inimigos para não ser atingido por suas flechas, por isso não era visto. Quanto ao alimento, o deus único comeu o sexto dedo de cada uma de suas mãos, razão pela qual até hoje os homens nascem com cinco dedos. Ato contínuo, mandou sacrificarem Tecalteplan, observando rigorosamente o ritual.

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