sábado, 28 de abril de 2012

Maior o tombo



Basta deixar de ler os jornais por um mês e, ao voltar, tem-se certeza de estar maluco. O Barcelona era o time do milênio e Messi era melhor do que Pelé há menos de duas semanas. De repente, com a perda do Espanhol e a eliminação da Copa dos Campeões, Barcelona é um time acabado e Messi é um fracasso. Depois eu digo que ser comentarista esportivo não é um trabalho sério e é capaz de me processarem. Foram dois ou três jogos sem a equipe vencer e o castelo de cartas que eles (os jornalistas) construíram desmoronou. Estava na cara que cedo ou tarde os times grandes encontrariam um meio de vencer o Barcelona, mesmo que em oportunidades isoladas. O jeito de jogar passa a ser estudado e testam-se formas de marcação. Mas não adianta, esporte é fábrica de deuses e heróis e é preciso matar um leão por dia, como diz o clichê. Aí a garotada começa a perceber quem foi Pelé. Eu, que acompanho futebol desde 1979, tenho a convicção de que, não fosse pela contusão em 98 e pelo Felipão em 2002, Romário seria considerado pela imprensa o segundo melhor da história, à frente de Maradona. Porque não basta jogar bonito e vencer em clubes, como Zico, Falcão e Platini, tem que ter copas do mundo pra mostrar. Vencer tudo, vencer sempre e dando show. Menos do que isso não serve à volúvel crônica esportiva. Eu já disse: no esporte a regra é perder, o campeão é exceção. Na reta final vale mais a sorte do que a competência, porque é tudo muito parelho. Mas não adianta, é preciso encontrar um bode expiatório e fazer a dança das cadeiras. Não duvido do Flamengo se endividar e contratar o Guardiola, em vez de corrigir aquele miolo de zaga fraquinho. Pelo menos uma coisa ficou boa: futebol com monopólio de vitórias perde toda a graça.

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