terça-feira, 10 de julho de 2012

Cadernos de viagem – o Porto dos ancestrais


Faz tempo que não menciono minha viagem a Portugal e Espanha, mas arrumar as malas traz este registros à memória. Continuando a postagem de 30 de abril de 2011, cidade do Porto. Tomei um pequeno almoço (café-da-manhã) saboroso, porém sem extravagâncias no Hotel Malaposta. Parti em busca da estação rodoviária para garantir meu bilhete para Mogadouro, de modo a não perder a cerimônia de premiação. Para variar um pouco, perdi-me na cidade, mas por fim encontrei o terminal da Rodonorte. Bilhete comprado, fui para o tour no autocarro (ônibus) turístico. O joelho começou a incomodar e eu suspeitei que estava macumbado, mas foi temporário. A manhã era chuvosa e o mar estava de ressaca, mas achei bela a cidade, com suas igrejas e azulejos. Passei pela torre do Clérigos, pela Igreja das Carmelitas e outras edificações de valor histórico e arquitetônico, ouvindo uma bela música que achei equivocadamente que fosse Madredeus, depois quis reencontrar e não pude. Desci perto da Igreja de São Francisco, que achei muito bonita, e fiquei pensando no nosso ouro, que passou de Portugal à Inglaterra. Desci às catacumbas em busca de algum ancestral perdido, mas aparentemente não eram tão abastados. Dali fui ao Grémio dos Leitões, onde comi feito um rei (um rei gordo, evidentemente): uma entrada de pequenas porções de polvo, tripas e orelhas de porco, acompanhadas de pão. Como prato principal, uma porção de leitão acompanhada de meia garrafa de vinho Sarmentinho tinto. Encontrei brasileiros pela cidade e me recomendaram que experimentasse uma “francesinha”, sanduíche típico da cidade. Fiz novamente o tour no autocarro, parei perto da estação ferroviária e tentei mandar um e-mail para os familiares, mas Portugal está cheia de imigrantes que mal falam o idioma e prestam serviços de péssima qualidade. Tá certo, os caras precisam sobreviver, mas é uma complicação para quem precisa ser cliente. A tal da lan house era simplesmente inoperante, uma vez que a banda não cobria o número de usuários. Paguei o tempo mínimo e fui embora dali, caminhando em direção à Igreja de Santa Clara, que estava fechada antes do horário previsto. Sim, os hábitos brasileiros não se formaram do nada. Não cheguei a parar nas vinícolas em Vila Nova de Gaia, tampouco a beber um vinho do Porto (aquele enriquecido, afinal todos de lá seriam teoricamente do Porto, embora fabricados na cidade vizinha). Como a igreja estava fechada, aproveitei que estava perto e fiz uma visita à Universidade Lusófona do Porto, identificando-me como Professor de Psicologia. Fui muito bem tratado e saí de lá com alguns prospectos da Universidade. No fim da tarde, o joelho voltou a reclamar e as longas caminhadas provocaram assaduras. Comprei uma pomada que, segundo a bula, era especial para “o rabinho do bebê”. Aparentemente, também era adequada às partes internas das coxas dos adultos e curou-me rapidamente. Descobri uns sebos nas cercanias do hotel e aproveitei para adquirir um livro de Trindade Coelho e outro sobre o Algarve. Fui abençoado com um estômago de aço e o leitão não me causou nenhum revertério. Porém, à noite eu comprei umas frutas e suco abstendo-me de orgias gastronômicas – pelo menos até o dia seguinte.

 
design by suckmylolly.com