segunda-feira, 30 de julho de 2012

O leão diário


É preciso ter muita coragem para representar o Brasil no esporte. Tirando o futebol, que paga aos atletas de elite verdadeiras fortunas, a realidade costuma ser muito diferente: vidas sacrificadas, dificuldades em obter patrocínio, pouco intercâmbio, difícil acesso a treinamento de ponta. Quando o camarada leva um tombo, perde um jogo ou não se classifica, ainda tem que suportar desaforos dos jornalistas e da torcida, manchetes com termos ofensivos (fiasco, fracasso, vexame), como se algum de nós tivesse de algum modo patrocinado aquelas pessoas. Já disse aqui antes: perder é a regra, ganhar é a exceção. Essa mentalidade egocêntrica, que nega ao outro o direito de vencer de vez em quando, só se justifica em crianças pequenas, ainda incapazes de se colocar no lugar do outro. Queria ver só se os judocas ficassem assistindo aos vendedores e dizendo: “Josimar deu vexame nas vendas desse mês e não atingiu as metas!” Ou os ginastas acompanhando os advogados e declarando: “fiasco da Dra. Ronivalda na ação de alimentos”. Você pode argumentar que os outros profissionais não estão representando o Brasil. Pois eu digo que é pior: eles são o Brasil.

2 comentários:

Hugo Mariatti disse...

As medalhas refletem o nível socio economico do país.

Atleta só consegue patrocinio quando ganha visibilidade e não precisa mais de patrocinio.

Acredito que um país para sediar uma Olimpiada e Copa devia ter níveis 'sensatos' de corrupção como parametro pra inscrição.

Paulo César Nascimento disse...

Pois é, Hugo. Mas como fiscalizar, né?

 
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