segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Carnaval Imaginário


Há muito tempo tenho preguiça de pular Carnaval, até porque não tenho uma alegria tão explosiva para contagiar a multidão. Minha alegria é diluída durante o ano e é mais homeopática, servindo para suportar as dificuldades que a vida apresenta a todos - uns mais, outros menos. Gosto de ver a alegria dos outros, as cores das fantasias e o lado mais bem humorado, com o pessoal chutando o balde, fazendo graça e beijando na boca. Já a porrada não me atrai fora dos ringues, onde os lutadores estão ganhando a vida e as injustiças são minimizadas com categorias de peso e regras. Até aí, tudo bem. Nada de novo no front. Mas na década de 80 existia um Carnaval Imaginário, uma espécie de Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, que acontecia no Rio de Janeiro e era transmitido pela TV Manchete e pela Band. Rolava muita liberalidade sexual e eu pensava que os bailes que eu frequentava eram um retiro espiritual, em comparação com os do Rio. Aí, a idade é senhora da Razão e eu descobri que na verdade o pessoal que era liberal naquela dose era contratado, profissionais do sexo que faziam parte de uma encenação feita para as câmeras para movimentar dinheiro de patrocinadores e atrair turistas. A liberalidade sexual existia lá, como existe aqui também, mas é mais discreta e reservada. Porém, aquele Carnaval Imaginário despertava a fantasia de que existia em algum lugar "A Grande Bacanal" e que só não tinha rolado convite para mim. E, sendo honesto, ela existe, mas foi do Rio de Janeiro para Brasília. Nossa política é o verdadeiro Carnaval.

0 comentários:

 
design by suckmylolly.com